Medronho é estrela da Feira da Serra que começa hoje em São Brás

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Bar de praia na vila do barrocal e uma nova bebida de medronho, que não é aguardente, prometem surpreender os visitantes. Certame soma 200 expositores, 18 espaços temáticos e quatro palcos.

Após um interregno de dois anos motivado pela pandemia de COVID-19, a Feira da Serra está de volta a São Brás de Alportel hoje, quinta-feira, dia 28 de julho, até domingo, dia 31 de julho, sob o tema «O Renascer da Tradição!».

Localizado na Escola EB 2,3 Bernardo de Passos, o certame, que conta já com mais de 30 edições, tem este ano o medronheiro como tema, para homenagear a resiliência das gentes serranas.

«Com esta árvore queremos celebrar a tradição e também a inovação de novos projetos e o futuro. Dez anos depois de termos escolhido este convidado de honra, a Feira da Serra volta a renascer com ele, o fruto rei da Serra do Caldeirão, o símbolo maior da força e da coragem, uma verdadeira fénix capaz de renascer das cinzas como poucas plantas conseguem. No Sítio do Medronho, junto ao picadeiro, teremos muitos produtores de aguardente de São Brás, Tavira, Loulé e Monchique, os principais concelhos produtores, e vamos dar a conhecer a Medronho Bottle, uma bebida que não é aguardente», detalhou aos jornalistas Marlene Guerreiro, vice-presidente da autarquia e presidente da comissão organizadora do certame, durante a sua apresentação, ao final da tarde de quinta-feira, dia 21 de julho.

Outra das novidades é o Palco Jovem, uma parceria com o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), «numa verdadeira chuva de talentos com 16 momentos, entre hip-hop, banda filarmónica, DJ, break dance, ginástica acrobática, rap, zumba e as escolas de música do concelho, com um total de 70 jovens», revelou.

O cartaz do palco principal destaca os concertos de D.A.MA (dia 28), Queen Tribute Show (dia 29), Carlão (dia 30) e Bonga, na última noite. Aos seis espaços de restauração e duas tascas, junta-se também o Palco Sabores, com demonstrações gastronómicas da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve (EHTA), dos chefs André Rodrigues, João Pereira e Luís Reis e um workshop de papas de milho pela Confraria Gastronómica da Serra do Caldeirão.

Numa abordagem à preservação da natureza e às preocupações ambientais, como já tem sido habitual, regressam os copos reutilizáveis colecionáveis, embora a edição de 2022 reserve algumas surpresas. «Vamos apresentar um projeto de arte comunitária muito interessante, assinado pela artista olhanense Joana Rocha, que vai colocar o plástico a florir», nas palavras da vice-presidente da Câmara Municipal.

Feira da Serra

E talvez o espaço que esteja a criar mais curiosidade seja o Mar da Serra, que, de acordo com a organização, trata-se «de um bar na praia, que convida a dar um mergulho, a saborear sem pressa os bons produtos do Algarve e a descobrir o oceano» em pleno barrocal.

De regresso está também o já conhecido desfile de moda, marcado para dia 30 de junho, inspirado no tema do medronho, mas também o Encontro de Ofícios e a Aldeia Serrana, que prometem mostrar, ao vivo, como se produzem peças de artesanato, doces regionais, gelados caseiros e pão, entre outras iguarias tradicionais. E para as crianças há animação diária entre as 19h00 e as 00h00, no Sítio dos Curiosos, com diversas atividades para pais e filhos, trampolins, jogos e manobras de cordas com pontes.

Numa edição que bate recordes, onde se irá registar o maior número de patrocinadores, voluntários e parceiros, a Feira da Serra «é um motivo de satisfação e orgulho por ser uma referência na região e no país. É um verdadeiro paradigma para defesa de um Algarve interior e dos territórios que, tal como nós, se debatem em enormes desafios. Estamos a viver um momento desafiante a todos os níveis e a Feira da Serra também é um exemplo grande dessa resiliência, ao pretender ser uma montra do que de melhor e mais inovador se faz no interior. Este evento nasceu há 30 anos para valorizar os pequenos artesãos e produtores. Hoje, felizmente, esse continua a ser o principal objetivo, mas à volta deste coração foi nascendo todo um círculo de sectores e espaços que abrangem um conjunto de sectores económicos», acrescentou.

Um evento «com alma e coração» da comunidade

Por sua vez, Vitor Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, considerou que este evento «é uma marca da região, onde cada um se envolve e dá de si e faz com que seja um evento com alma e coração. Acredito que esta seja a grande diferença, porque a nossa comunidade se envolve. A Feira da Serra é feita pelos sambrasenses, com orgulho, para todos aqueles que nos visitam», começou por dizer aos jornalistas no uso da palavra.

Questionado sobre o orçamento, Guerreiro respondeu que ultrapassou um pouco os 300 mil euros, «um esforço para a autarquia», mas, ainda assim, «não queríamos diminuir na qualidade e na diversidade, porque sabemos que é um investimento extremamente importante para a economia das famílias e para alavancar a economia local, ainda para mais num momento de crise. Temos muito para oferecer e esperamos que venham cá viver as experiências que estamos a preparar», disse.

A abertura contará com a presença de Duarte Cordeiro, ministro do Ambiente e da Ação Climática, e de João Neves, secretário de Estado da Economia.

Este ano, os bilhetes podem ser adquiridos online na Blueticket, na tesouraria da Câmara Municipal e nas bilheteiras instaladas nas três entradas. Cada ingresso diário tem o custo de 4,5 euros, sendo que o passe geral e o bilhete de família custam 14 euros.

A autarquia chama ainda a atenção para o facto de o espaço estar mais acessível, com circuitos, espaços reservados e estacionamento específico para pessoas com mobilidade reduzida.

Medronho do Algarve «tem tudo» para ser IGP

Há já 29 anos que Ludovina Galego, professora da Universidade do Algarve (UAlg), desenvolve projetos relacionados com o medronho e, como tal, é a madrinha deste ano da Feira da Serra de São Brás de Alportel.

Aos jornalistas, garantiu que «temos todas as condições para certificar o nosso medronho com Indicação Geográfica Protegida (IGP). Esperemos que isso seja possível com o impulso do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para adquirir os equipamentos necessários para a região. Não conseguimos a certificação porque não há no país, nem na Europa, quem trabalhe com alguns dos parâmetros que tem a nossa aguardente de medronho. Não conseguimos nenhum laboratório que se comprometesse a fazer cumprir o cadernos de normas IGP», lamentou.

Por isso, «estamos com muitas esperanças que com as verbas do PRR se consigam adquirir três ou quatro equipamentos. Se não for desta vez, duvido que alguma vez consigamos vir a ter um laboratório capaz de certificar o medronho» com todos os requisitos europeus.