Montenegro quer lista «verdadeiramente representativa» dos algarvios

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Luís Montenegro disse estar pronto para «pegar no leme da governação», durante uma visita à Ria Formosa, em Olhão.

Com o objetivo de contactar com a realidade local e dialogar com os cidadãos, famílias, municípios e instituições, o líder do Partido Social Democrata (PSD), Luís Montenegro, iniciou o programa «Sentir Portugal» no Algarve, com um périplo pela região, de 13 a 16 de novembro. Olhão foi um dos pontos de passagem, na tarde de segunda-feira, onde, acompanhado de biólogos marinhos e produtores de bivalves, fez uma visita de barco à Ria Formosa, durante a qual ouviu algumas das queixas do sector

À margem do percurso, e questionado pelo barlavento sobre a escolha do seu antecessor, Rui Rio, em ter afastado Cristóvão Norte da Assembleia da República apesar de ser considerado por muitos como uma voz do Algarve, Luís Montenegro esclareceu que o presidente da distrital de Faro, desta vez, «terá uma palavra decisiva. Vamos agora ter oportunidade, nas próximas semanas, de afixar os nossos critérios para a escolha dos nossos candidatos e também de fazer as nossas escolhas. Vamos atender aquilo que são as sugestões a nível local e distrital, e o Algarve também o fará. E num registo de partilha de responsabilidade, construiremos uma lista que seja verdadeiramente representativa do Algarve, dos seus cidadãos, das suas estruturas cívicas para podermos ter, ou melhor, voltar a ter, uma representação eficiente e eficaz junto dos algarvios. Portanto, Cristóvão Norte, que conheço bem pois partilhei com ele muitos anos de trabalho parlamentar, terá uma palavra decisiva», garantiu ao barlavento, embora, sem adiantar mais porque «quando o fizermos, será em todo o país ao mesmo tempo».

Luís Montenegro disse estar pronto para «pegar no leme da governação», durante uma visita à Ria Formosa, em Olhão.
Cristóvão Norte, presidente do PSD Algarve.

Aos jornalistas, a bordo de uma baleeira, Montenegro culpou a governação socialista por «estarmos cada vez mais pobres». Já em relação à crise política, disse desejar «que a justiça cumpra o seu papel, que seja rápida e não suscetível a qualquer tipo de deturpação ou influência externa. Para a justiça funcionar, tem de se dar oportunidade às pessoas de se defenderem e isso tem de ser encarado com normalidade. Mas, infelizmente, o problema do país hoje não é esse. O problema do país hoje é que precisa de abrir um ciclo político novo de governo. Precisa de ter à frente dos destinos da governação, alguém, uma equipa, um projeto que resolva o dia a dia das pessoas» que «querem ir a um Centro de Saúde em busca de uma prescrição e batem na porta porque não têm médico de família. Que querem ter uma intervenção cirúrgica ou ser atendidas numa urgência e batem na porta porque está fechada. Os alunos querem chegar à escola e terem professores em todas as disciplinas», disse, referindo-se aos longos braços de ferro entre o governo e os setores da saúde e da educação.

O líder do PSD tocou também num dos pontos mais fraturantes da sociedade portuguesa: «hoje ao almoço muitos empresários disseram-me que querem ter uma oferta de habitação, em que o Estado possa promover o investimento. Isto para que as pessoas possam ser chamadas a oferecer a sua força de trabalho e não tenham de emigrar. Precisamos de ter uma política de habitação que dê acesso aos nossos jovens ao mercado de arredamento, e mesmo para aqueles que nos procuram, os estrangeiros».

Luís Montenegro disse estar pronto para «pegar no leme da governação», durante uma visita à Ria Formosa, em Olhão.

Perante a insistência dos jornalistas, Montenegro admitiu que, «infelizmente, a justiça está degradada. É preciso revitalizá-la, com um novo governo, com um novo ciclo e é para isso que estou a trabalhar». E também «a instituição governo se degradou. Como é possível um governo com maioria absoluta chegar a este resultado, a menos de dois anos de uma eleição? Isto não é normal e tem responsáveis», frisou. Agora, «é minha obrigação oferecer ao país uma solução bem mais arrojada e ambiciosa para o futuro dos portugueses. É isso que me move e é por isso que quero pegar no leme da governação», concluiu.

Portugal vai ter eleições legislativas antecipadas a 10 de março de 2024, marcadas pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, na sequência da demissão do primeiro-ministro António Costa, na terça-feira, dia 7 de novembro.