Em Loulé, já se faz Pão Gigante em forno de lenha único no país

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Mais recente panificadora da cidade tem uma oferta única na região. E não é apenas o tamanho que faz a diferença.

O cheiro a pão acabado de cozer não deixa ninguém que passe em frente ao número 21 da Rua Condestável Dom Nuno Alvares Pereira, indiferente. A padaria artesanal «Pão Gigante» começou a funcionar naquela artéria em março, pelo que ainda é uma novidade na cidade.

À entrada, o olhar prende-se no «único forno a lenha da marca Jumaco Maestro em Portugal, com uma plataforma giratória de 3 metros de diâmetro, a qual facilita muito a entrada e saída do pão, além de durar uma vida», além de abrir o apetite.

«No início deste projeto, visitei diversas padarias em Espanha com este tipo de forno, alguns com 50 anos e ainda em perfeitas condições», conta ao «barlavento» Manuel Alexandrino, 27 anos, natural de Lisboa, e mentor da empresa.

Pão Gigante em Loulé

O padeiro e empresário estudou Gestão na Universidade do Algarve, e embora tenha chegado à reta final da licenciatura, decidiu avançar com o negócio. Investiu 80 mil euros e escolheu a cidade de Loulé por ser uma localidade «dinâmica, com muitos projetos diferentes e interessantes a surgirem» quase todos os dias, e também pela sua «grande atratividade e afluência turística».

«Digo isto, pois este tipo de panificação está muito mais evoluído no norte da Europa. Caminhamos, contudo, no sentido certo», acredita.

Manuel Alexandrino gere uma pequena equipa de três pessoas e está à procura do quarto elemento. Esta unidade artesanal começou por produzir quatro variedades de pão: trigo, mistura, sementes e espelta, produzidos apenas com «pão de fermentação natural, água, farinha de moleiro e sal da Ria Formosa».

Mas afinal, o que torna este pão diferente de todos os outros? De acordo com o empresário, a grande diferença está «na qualidade da matéria-prima e no processo de fabrico».

Pão Gigante em Loulé

«As farinhas são moídas na pedra, um processo artesanal, mais lento, de forma a preservar os nutrientes durante a moagem. Sem eles, seria impossível produzir este tipo de pão», explica.

A confeção demora «mais de 24 horas, desde o alimento do fermento (água e farinha) até à saída do pão do forno» de lenha. O processo não é «apressado» para que «quando ingerido, o pão não cause problemas digestivos, e seja benéfico para a saúde».

Na sua padaria tem procurado um resultado único. «Consiste num sabor muito mais rico, um miolo leve, uma côdea fina e crocante e uma durabilidade incomparável. Costumo dizer que só ao quarto, quinto dia é que o meu pão vai para a torradeira», brinca.

Pão Gigante em Loulé

Questionado sobre o que o levou a apostar na panificação, Manuel Alexandrino explica que ao longo dos «últimos anos a qualidade do pão decresceu muito» e que na maioria da produção industrial «nos dias de hoje, o pão é feito num par de horas», tornando-o quase um produto instantâneo e muitas vezes cheio de químicos prejudiciais à saúde.

«Felizmente, já existem algumas padarias no país que caminham na direção correta. No Algarve, sou um dos pioneiros na confeção de um pão de fermentação natural», garante. Além desta motivação, já sabia como funcionava o ramo, pois provém de uma família que abraçou a panificação durante as décadas de 1980 e 1990, em Lisboa.

O «Pão Gigante» custa em média entre 3,5 e 4,5 euros mas ainda não está disponível para venda ao público em geral, embora Manuel não recuse vender um pãozinho acabado de sair do forno a quem por ali passa.

Os clientes atuais são sobretudo «pessoas que já conhecem o meu conceito, lojas de cariz saudável, supermercados e restaurantes com bastantes clientes estrangeiros, pois na Europa esta forma de fazer pão já é amplamente conhecida e apreciada».

Ciclo do Pão

Os dias no «Pão Gigante», em Loulé, começam sempre por «alimentar o fermento para que esteja pronto para ser colocado na amassadeira.

Feito isto, colocam-se as massas em caixas para a primeira fermentação. O tempo desta varia. Depende sempre da temperatura ambiente registada no próprio dia.

Na fase seguinte, colocamos as massas na mesa e dividimo-las. Moldamos em formato redondo e deixamos descansar cerca de 30 minutos. Depois disto, aplicamos o molde final, seja ou em cestos ovais ou redondos, dependendo da variedade que estejamos a trabalhar.

Os cestos, já com as massas, são colocados no frio e ficam a levedar até à manha seguinte. De madrugada, acendemos o forno e