INNUOS, marca algarvia conquista o mundo da alta fidelidade digital

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A INNUOS, apesar da juventude, já é referência mundial na música e som digitais. 70 por cento das nossas vendas são feitas para fora da União Europeia. Amélia Santos, CEO e cofundadora, revela o segredo do sucesso e o porquê de ter escolhido a região para sediar a marca.

Uma ideia simples deu origem a um produto que não existia no mercado mundial. E desde que o primeiro equipamento foi lançado, no muito competitivo e exigente mercado mundial da alta fidelidade, que a procura não parou de aumentar.

Amélia Santos, mentora da marca portuguesa INNUOS, recorda que em 2009, «vivíamos em Londres quando tudo começou por hobby. O meu marido (Nuno Vitorino, cofundador da empresa) montou em casa um aparelho para ouvirmos música em formato digital com alta fidelidade, e os amigos que nos visitavam perguntavam onde é que tínhamos encontrado tal equipamento. Começámos a pensar se não haveria uma lacuna no mercado. Tal como nós sentimos falta, será que outras pessoas não estariam à procura de algo assim? Acabámos por experimentar e colocar um à venda no eBay», recorda. Ao fim de seis meses, venderam 200 unidades.

Amélia Santos estudou engenharia informática no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, e depois enveredou por uma carreira mais vocacionada para os negócios. Tirou um MBA em Singapura e em França e quando tudo aconteceu, estava a gerir a parte online da cadeia Tesco, em Londres, antes de se mudar para o Algarve.

Mas que equipamento é esse? «Se pensar como é que nós ouvíamos música até há um tempo atrás, era com base num gira-discos, em cassetes, ou em leitores de CDs. Hoje em dia, embora ainda haja muitos suportes físicos, sobretudo em determinados mercados, muitos dos formatos de música são digitais. Mas, no entanto, a maioria das pessoas utiliza um telemóvel ou um computador para os ler. Qual o problema? A qualidade do som não é a mesma porque são aparelhos genéricos. E mais. Para quem não percebe nada de tecnologias ter que instalar um software para pôr música a tocar nem sempre é um processo linear », começa por explicar.

É aqui que surgem os equipamentos da INNUOS, que têm conquistado vários prémios da especialidade, desde o lançamento da marca em 2016.

«Fazemos servidores de música que permitem, por exemplo, digitalizar e guardar todos os seus CDs, com todos os metadados e informação para organizar uma audioteca. Permitem importar muito facilmente música que já tenha formato digital. Podem tocar as rádios online espalhadas pelo mundo fora, e todos os serviços de streaming que quiser, como o Tidal, Spotify ou Qobuz», mas com uma qualidade digna de audiofilia.

Além disso, a marca trabalha em duas frentes. «Quer o hardware quer o software é desenvolvido e criado por nós. Trabalham em simbiose». Os clientes recebem também atualizações frequentes do firmware.

«Focamo-nos em facilidade de utilização. Temos clientes dos 30 anos aos 80 e muitos. A inovação é que estas são plataformas abertas, fáceis de integrar com outros equipamentos já existentes no mercado. Um facto curioso é que começamos a ter feedback muito positivo de marcas de colunas e de amplificadores (como a Bang and Olufsen, Devialet, KEF ou Bowers and Wilkins). Começaram a recomendar-nos aos seus clientes e aos revendedores porque chegaram à conclusão que soam muito melhor ligadas aos nossos sistema do que a um computador», diz.

«Em termos de concorrência, se calhar estamos a falar de empresas sul coreanas, japonesas, chinesas, mas com abordagens diferentes das nossas porque nem todas estão a desenvolver software e hardware em simultâneo. Esta é uma área nova porque os conteúdos/ formatos evoluíram muito mais rápido que os equipamentos, que não acompanharam ao mesmo ritmo. E é muito complexa porque envolve conhecimento em várias frentes», quer ao nível dos algoritmos dos formatos, da programação, da conetividade, da gestão e da reprodução, em termos de áudio puro.

O «Statment» é o equipamento de topo da INNUOS.

A empresa esteve, até há duas semanas, sedeada na zona industrial de Loulé, no edifício ninho de empresas do IEFP, onde eram montados e expedidos os equipamentos da marca.

Dado o crescimento, contudo, teve de se mudar para um armazém na zona de Vale da Venda, que também ainda não tem o espaço necessário toda a atividade de uma empresa que cresce ao ritmo de dois dígitos anuais.

«Não conseguimos ainda encontrar um espaço, idealmente, com 1500 metros quadrados. Tem sido muito difícil e é um dos entraves ao crescimento. O requisito específico é ter acesso a rede de fibra de banda larga e licenciamento industrial. Temos tido alguma dificuldade, mesmo em terrenos. A ideia seria construir uma sede nova. Não tínhamos problemas se encontrássemos um local apto para o efeito», diz.

No entanto, «quando nos mudámos para Portugal, sabíamos que íamos trabalhar com mercados internacionais e que queríamos uma equipa internacional. Neste momento, empregamos pessoas de oito nacionalidades. Somos cerca de 40. Estávamos em Inglaterra e podíamos ter montado o projeto lá, mas acreditámos que em Portugal temos muito bons recursos técnicos, mantendo o Reino Unido como principal mercado», descreve Amélia Santos.

«Tínhamos três opções: Porto, Lisboa ou Algarve, onde estão os três principais aeroportos. Para mim era fácil ficar na capital, de onde sou. Mas aqui há outra qualidade de vida e capacidade de atrair recursos especializados. O Algarve tem muitos desafios, mas acredito que é uma região com potencial de crescer no sentido certo. Por tudo isso, decidimos montar a sede cá. Temos o escritório de desenvolvimento de software em Lisboa, mas continuamos a fazer a produção aqui», revela.

A oferta de equipamentos é variada. «Vão desde o de entrada, que custa cerca de 1100 euros, até ao topo de gama que custa por volta de 14 mil euros».

A qualidade dos componentes inflaciona o custo. O modelo mais caro tem relógios internos com o mesmo nível de precisão que se encontra num satélite em órbita. Também por isso é considerado o melhor que há neste nicho.

«Temos ganho um conjunto de prémios internacionais. Estamos em 40 mercados diferentes sendo que os EUA é o nosso principal mercado além do Reino Unido e Alemanha. Em termos de vendas, exportamos 99 por cento », estima.

«Não temos distribuidores em todos os mercados. Estamos a trabalhar com mais de 300 lojas de revenda de produtos».

O pequeno e relativamente simples ZENmini Mk3 pode ser facilmente integrado em qualquer sistema de alta fidelidade.

Som digital tem muito para «desbravar»

Até aqui, o debate colocava os equipamentos tradicionais, analógicos, na linha da frente da qualidade de som.

«Sim, é uma discussão frequente. O gira-discos existe há muitos anos e tem sido aperfeiçoado. O áudio digital até há bem pouco tempo não tinha equipamentos específicos e por isso as pessoas dizem que não gostam. Há um conjunto de detalhes, de camadas e de complexidade que se perde quando se comprime música ou quando se ouve num equipamento genérico. Neste momento, segundo vários reviews internacionais, o áudio digital já conseguiu ultrapassar o analógico», considera Amélia Santos, CEO da INNUOS.

«Estamos a falar de produtos desenhados para melhorar a qualidade de som. Ao nível do hardware reduzimos ao máximo o ruído elétrico que é produzido, para não ser amplificado nas colunas». Segundo a empreendedora, «em termos de mercado de áudio a nível mundial estamos a falar de 17 biliões».

Para já a empresa está focada apenas nos consumidores domésticos, no mercado privado, mas há muito por explorar, como sistemas para automóveis de gama alta e até para  estúdios de gravação profissional. «Não há ninguém a trabalhar ao nível da fonte».

«Este é apenas um nicho. Se pensar em termos de áudio digital para instalação profissional, por exemplo, pra o sistema de som central de um hotel, provavelmente isso faz parte de um lote produtos que ainda não estão especificamente desenhadas para isso. A mesma coisa no que toca à automação para a casa. Hoje, temos muitos instaladores profissionais que começarem a utilizar os nossos produtos. Queremos desenvolver os nossos produtos para esses mercados porque acho que ainda têm muito potencial em termos de crescimento. Outro exemplo, em termos de gravação de música, os estúdios profissionais muitas vezes também o fazem com equipamento que não é específico» para tirar o máximo partido da tecnologia digital.

Segundo Amélia Santos, a produção da lendária banda britânica de heavy metal Iron Maiden é uma das interessadas na definição do digital e já está a experimentar em estúdio um dos equipamentos da INNUOS.

CRESC Algarve 2020 apoia com 500 mil euros

A LIVTC Portugal, Lda. é uma empresa que se dedica ao desenvolvimento e comercialização de serviços informáticos relativos a servidores e players de alta fidelidade para música, com intuito de fornecer uma solução para armazenamento e gestão de biblioteca musical.

O projeto tem como objetivo o reforço do posicionamento da marca INNUOS, lançada em 2016, nos mercados internacionais atuais (Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos da América), bem como a expansão para novos mercados, na Ásia/Pacífico. O volume de negócio rondou os três milhões de euros em 2019 e mesmo no contexto pandémico, conseguiu crescer.

Em 2020, «crescemos e contratámos mais pessoas que não consigo colocar aqui no escritório e que estão em teletrabalho. Felizmente temos crescido sempre dois ou três digitos na percentagem de crescimento desde que lançámos a marca. Não parámos durante a pandemia, tivemos foi de reajustar algumas coisas como a parte da logística. Muitas das lojas fecharam e tivemos de encontrar forma de entregar diretamente aos clientes», revela Amélia Santos, CEO e cofundadora da INNUOS.