Incêndio de Faro estende-se à Quinta do Lago com «combate difícil»

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Chamas já obrigaram à saída de algumas pessoas das suas casas.

São 299 operacionais, três meios aéreos e três máquinas de rasto que se encontram, neste momento, a tentar combater as chamas do incêndio rural que deflagrou às 23h30 da noite de ontem, terça-feira, dia 12 de julho, nas proximidades do campus de Gambelas da Universidade do Algarve (UAlg), em Faro, e que já se estendeu à Quinta do Lago, em Almancil, concelho de Loulé, num perímetro de oito quilómetros.

«O incêndio foi dominado pelo vento e por projeções. Tivemos um quadro meteorológico muito desfavorável durante a noite, onde registámos temperaturas na ordem dos 30 graus, um vento constante de 26 km por hora com rajadas acima dos 40 km por hora e uma humidade relativa do ar abaixo dos 40 por cento», começou por dizer aos jornalistas Richard Marques, comandante operacional Distrital de Faro da Proteção Civil, na manhã desta quarta-feira, dia 13 de julho.

Richard Marques

Ainda assim, durante a noite «foi possível estabilizar a frente noroeste do incêndio, que tinha algumas preocupações não só pela sua intensidade, como também pelo seu desenvolvimento e áreas que iria afetar. Foi nossa prioridade estabilizar essa frente que continua num processo de consolidação, ou seja estabilizada, e estamos a tomar ações do conjunto de meios terrestres e das máquinas de rasto, que vão conferir uma consolidação do perímetro, para que fiquemos descansados quanto às possíveis reativações», disse, referindo-se à zona afetada no concelho de Faro.

No que concerne à frente sudoeste, virada para a Quinta do Lago, «foi possível para o incêndio na estrada das salinas e continuam os trabalhos naquilo em 50 por cento dessa frente que, essencialmente, se está a desenvolver para áreas húmidas, de salinas e alguns campos de golfe. Estamos a assistir a uma entrada do incêndio numa zona urbana, com muita vegetação desidratada que, com pequenas fagulhas, rapidamente passa a ser um foco de incêndio secundário. Estamos preocupados e é isso que transmitimos às pessoas», afirmou.

Incêndio Faro - Loulé

Questionado se já foi necessário retirar pessoas das suas habitações, Richard Marques respondeu que «salvaguardar a segurança é a nossa prioridade. Todos os residentes da Quinta do Lago que podiam estar em risco, cerca de 20, foram, preventivamente, deslocados pela Guarda Nacional Republicana (GNR), muito antes da chegada do incêndio ao local. Trata-se de uma zona residencial, onde não existem hotéis, mas sim locais com alguma vegetação que fica afetada. Na nossa preocupação com essas áreas, durante a noite foram colocados meios preventivos, porque identificámos a progressão do incêndio».
Até ao momento, e de acordo com o comandante operacional, ainda «não foi necessário acionar nenhuma Zona de Concentração e Apoio à População (ZCAP), ainda que os serviços municipais de Proteção Civil de Faro e Loulé já o tenham criado, antecipadamente, na sequência daquilo que foi a elevação do estado de alerta. Os residentes estão a deslocar-se para casa de familiares, ou outras zonas onde fiquem seguras, até que possamos recuperar a normalidade e possam regressar às suas casas».

A prioridade, agora, «é a zona da Quinta do Lago. Preocupa-nos defender as pessoas e o seu património e é essa a prioridade de ação. Mas não desguarnecendo tudo aquilo que são os trabalhos que estão a decorrer em todo o perímetro do incêndio, que são muitos. Estamos a concertar muito do nosso esforço naquilo que é esta situação» no concelho de Loulé.

Incêndio - Loulé - Faro

Quais os desafios? «com um perímetro desta natureza, aquilo que são as condições que temos no terreno, juntando as condições meteorológicas, o combate não está fácil. Os operacionais do terreno têm inúmeros desafios e são esses que estamos a tentar ultrapassar. Neste incêndio tivemos vários problemas que continuam a criar alguns constragimentos, como a desidratação dos combustíveis. Na Quinta do Lago, as chamas ultrapassaram aquilo que era um plano água, o que não permitiu que os meios a operar em Faro, acedessem, rapidamente, ao concelho de Loulé. Isso exigiu algumas medidas excessionais e projeção de meios para a proteção e defesa desse património e dessas habitações. É uma zona que nos preocupa e que está a merecer o investimento de todos os meios que temos, destacando a intervenção dos meios aéreos», assegurou.

Para as próximas horas, o comandante prevê: «um quadro meteorológico semelhante às últimas 24 horas. Vamos continuar com contexto desfavorável, que vai constituir mais desafios a todos aqueles que estão no terreno. A evolução de uma forma mais eruptiva e severa do incêndio já foi ultrapassada, mas ainda há muito a resolver. Estamos empenhados em estabilizar este incêndio, para que possamos passar a uma situação de consolidação. Depois de o termos dominado, temos também trabalho a desenvolver no terreno e todo o dispositivo vai manter-se».

Fogo - Algarve

A operar, no terreno, juntam-se operacionais, veículos, meios aéros e máquinas de rasto, num esforço coletivo entre Bombeiros, Sapadores Florestais do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), município de Faro e Loulé, GNR e Serviços Municipais de Proteção Civil de Faro e Loulé.

Fotos – Bruno Filipe Pires / Jornal Barlavento