Governantes devem dar «outra imagem aos jovens» diz Alberto Matos

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Alberto Matos, presidente cessante da Juventude Social Democrata (JSD) de Albufeira faz balanço do mandato que findou em outubro e lança o futuro político da cidade.

Foram dois anos «profícuos, com um grupo de trabalho disposto a contribuir para o desenvolvimento da cidade com projetos e propostas, onde tivemos em conta, também, o apoio ao partido e a participação formativa», diz Alberto Matos, de 31 anos, presidente cessante da JSD Albufeira, que classifica assim um mandato que iniciou em outubro de 2018.

No momento da saída, as perspetivas para o futuro da estrutura são «ótimas». É que, numa cidade onde «já foi mais complicado captar os jovens para a política», esta força conseguiu «aumentar o número de militantes da concelhia para 30 inscritos».

Em relação aos pontos altos do mandato, «colaborámos com o Projeto Pedagógico Escola Embaixadora do Parlamento Europeu (EPAS) e tivemos um vídeo da eurodeputada do PSD, Lídia Pereira. Em junho de 2019, recebemos o Conselho Nacional da JSD». Albufeira tem um executivo municipal, liderado por José Carlos Rolo, representante do PSD. Não sendo um fator decisivo, tem ajudado a um «diálogo próximo, onde apresentámos as nossas sugestões e todas foram bem acolhidas».

Agora, com as eleições autárquicas agendadas para 2021, numa altura que se prevê sensível e marcada por uma profunda crise que ficará depois de ultrapassada a situação pandémica, Alberto Matos é taxativo em afirmar que «não pode ser tirado aproveitamento político desta situação. Sabemos que isso vai acontecer. Mas terá de existir sensatez, espírito cooperativo e sensibilidade. A JSD terá de ter um papel proativo na campanha e nas listagens para os órgãos concelhios. Os pesos políticos são importantes, dentro dos partidos, mas tem de existir uma simbiose com a juventude».

E quanto à luta em Albufeira, para Alberto Matos será a dois, apesar de poder ter um terceiro nome a aparecer. «Estaremos entre a continuidade de um ciclo PSD, ou o aproximar do PS, também com possibilidade de chegar ao poder. O resultado final andará por esses dois candidatos, numa eleição equilibrada. Pode aparecer uma candidatura independente de Desidério Silva, que pode causar alguma divisão de votos. Mas o PSD vem de uma última eleição autárquica com maioria absoluta, e isso tem o seu valor».

De resto, quanto ao antigo presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Alberto Matos vinca que «foi um erro do partido tê-lo deixado sair».

No entanto, apesar do alinhamento político, não deixa de apontar falhas à cidade. «Ao nível de juventude, se já existiam coisas menos boas antes da pandemia, agora pioram. Esta geração, que hoje tem 30 e 40 anos, passou por uma crise profunda há sensivelmente uma década. E agora leva com outra que ninguém esperava, uma segunda vez. Os problemas que já existiam vão ser bastante agravados».

Analisando a situação a nível nacional, «há muita falta de comunicação nas várias entidades que estão a combater a pandemia. Os responsáveis têm reagido ao momento, não parece existir um planeamento. Não se pensa no futuro. E isto causa maior dificuldades aos jovens», pela falta de perspetivas.

«Temos relembrado ao executivo as dificuldades que os jovens têm em emancipar-se e fixar-se no concelho de Albufeira, na procura de casa, de emprego, até a nível de formação. Há dificuldades no transporte de quem estuda no ensino superior. O sistema de transportes a nível regional está completamente ultrapassado, não existe um serviço de qualidade. É um problema de índole regional», lamenta.

Ainda em relação à atualidade, «não se pode culpar os jovens pela inação no controlo da pandemia», aponta sem reservas Alberto Matos.

«O governo quase culpabilizou os jovens pelo que se estava a passar, e isso não é correto. Quando somos jovens queremos estar uns com os outros, gostamos do contacto, do olhar, da interação. É difícil controlar isso», admite o presidente, que agora termina o seu mandato na JSD Albufeira.

«O pior é o exemplo dado pelos governantes. Pedem aos jovens para cumprir determinadas regras que nem eles cumprem. Vemos responsáveis por decisões importantes a impor limite aos contactos dos mais novos, e depois a saírem de reuniões e locais com 15, 20, 30 pessoas à volta, sem cumprir as distâncias. Isso passa cá para fora. A imagem dada aos jovens tem de ser outra. Que não são só eles a ter de cumprir. São todos».

Sobre a situação na região, Alberto Matos congratula-se por, «até ao momento, a situação estar controlada. E nem o turismo foi catastrófico como muitos previam, mesmo sem a utilização de máscaras obrigatórias estar em vigor na altura. Tenho ainda de elogiar o bom trabalho do executivo da Câmara Municipal de Albufeira na gestão e prevenção desta situação pandémica».

A JSD de Albufeira terá eleições no dia 14 de novembro. Com uma lista única a concorrer, encabeçada por Cláudio Marujo, jovem albufeirense de 24 anos, a equipa mantém-se, de resto, «igual», diz o dirigente que termina mandato. O próximo desafio daquela estrutura será grande, mas «há estudos que mostram que os jovens hoje em dia têm maior abertura e espírito de comunidade, mais cooperação e toda uma dinâmica que faz cada vez mais falta à política».

Espaços desportivos no concelho devem ser «bem pensados»

Albufeira tem, para Alberto Matos, «um espaço desportivo fantástico. As Piscinas Municipais, o Estádio Municipal, os Campos de Futebol Sintético, o Pavilhão Municipal e o Skate Park. Está tudo muito próximo». Essa situação até desperta no responsável pela JSD Albufeira uma ideia para o futuro da educação no concelho: «Porque não apostar na criação de um polo de formação avançada na área desportiva?». Sobre infraestruturas para uso dos jovens, o dirigente lembra que a cidade «tem esses locais, que na altura tiveram o seu impacto. Com o passar do tempo as coisas desgastam-se, e tem de existir manutenção. Acho que, mais do que construir novos espaços, é necessário que sejam bem pensados. Para as pessoas os utilizarem, têm de ser localizados em sítios centrais, com estacionamento fácil, com uma envolvência que não conflitue com a qualidade de vida à volta. E claro, é preciso garantir a sua manutenção. Tem de ser utilizado material de qualidade, tem de existir manutenção por parte do município, mas também tem de existir responsabilidade de quem usa. É preciso ver a balança pelos dois lados. Temos boas condições, e poderemos também melhorar os espaços que estão inativos», lembra.