Funcionários do Algarve Biomedical Center (ABC) convocam manifestação

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Funcionários do Algarve Biomedical Center (ABC) manifestam-se na quarta-feira, dia 20 de junho, junto ao Hospital de Faro.

Os funcionários do Algarve Biomedical Center (ABC) vão manifestar-se, numa ação agendada para quarta-feira, dia 20 de julho, às 12h00, junto à unidade de Faro do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), no sentido de manifestar a sua preocupação e o seu desagrado face à situação gravíssima que vive o consórcio, estando em risco mais de 120 postos de trabalho qualificados, bem como de mais de 80 milhões de euros em projetos celebrados, «com claro impacto para o ecossistema científico e de apoio à saúde pública no Algarve e no país».

Em nota enviada à redação do barlavento, os funcionários alertam que «a continuidade do projeto encontra-se condicionada pela quebra de confiança na atual direção do ABC, originada por duas ações judiciais interpostas pelo Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) ao presidente da instituição, Nuno Marques, limitando e dificultando as relações institucionais e a continuidade deste projeto, com impacto para a região e para o país».

Na perspetiva dos colaboradores, «este impasse compromete todo um ecossistema de apoio à saúde da população, de reconhecimento nacional e internacional, e que foi fundamental em fases críticas como a da pandemia COVID-19, bem como centenas de projetos de inovação, num investimento conseguido que supera os 80 milhões de euros».

«Em risco estarão, a título de exemplo: as ações de rastreio e testagem no âmbito da COVID-19 na região do Algarve e a nível nacional; o funcionamento da linha SNS24 (uma vez que os funcionários do consórcio garantem mais de 1000 horas diárias de atendimento em linha), bem como projetos celebrados com a Agência Europeia do Medicamento (EMA), com o Programa Operacional Regional do Algarve (CRESC Algarve 2020), entre outros acordos estruturais celebrados com a CCDR e outros parceiros. Também em risco estão o desenvolvimento do Observatório Nacional do Envelhecimento e o Algarve Active Ageing, entre muitos outros projetos estratégicos nacionais», lê-se no comunicado.

«Num momento em que o país discute o crónico problema da falta de médicos, com especial enfoque para a fragilidade da região do Algarve, os trabalhadores do ABC reforçam o brutal impacto da instabilidade do consórcio, com evidentes consequências no processo de formação e qualificação de profissionais de saúde que, diante do impasse, poderia ter um retrocesso de dezenas de anos, com consequências ainda mais agravadas para a região».

Revelando que desejam ser parte da solução e não do problema, os trabalhadores apelam, por isso, à concertação entre os membros do consórcio.

Os trabalhadores apontam o dedo à «falta de diálogo» e exigem uma resolução para o impasse que dura há mais de um ano e que «fragiliza o futuro dos cuidados de saúde prestados no Algarve, com claro e agravado impacto para a comunidade e todos aqueles que diariamente necessitam de recorrer aos hospitais da região algarvia».

Deste modo, e reconhecendo todo o valor e empenho do trabalho desenvolvido pela atual direção, e em sintonia com a sua visão estratégica, os funcionários manifestam o seu voto de confiança na mesma, apelando à sua continuidade.

Os funcionários já tinham assinado um manifesto de apoio a Nuno Marques no passado mês de junho. Também Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé tinha vindo a público defender o médico e fundador do ABC.

PSD Algarve também alerta para o problema

Os deputados do PSD eleitos pelo Algarve vão chamar à Comissão de Saúde os membros do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve e a direção Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve, conhecido como ABC – Algarve Biomedical Center, depois de terem tido conhecimento da quebra de confiança entre as duas instituições, que pode levar à extinção do ABC.

As divergências entre o CHUA e o ABC agudizaram-se nos últimos meses e, se nada for feito, pode estar em causa a continuidade do Mestrado Integrado em Medicina, lecionado na Universidade do Algarve, razão pela qual, aliás, o Algarve Biomedical Center foi criado, em 2016, por indicação do Ministério da Saúde e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Os deputados Luís Gomes, Rui Cristina e Ofélia Ramos pretendem ouvir, na Comissão de Saúde, os responsáveis das duas instituições de modo a obter os esclarecimentos necessários sobre o futuro do consórcio e o impacto que terá, para o Algarve e para o país, o seu eventual termo. Caso venham a manter-se as divergências entre o ABC e o CHUA, o fim do Mestrado Integrado em Medicina terá graves consequências na formação de novos médicos e na sua fixação no Algarve, já bastante penalizada pela falta de clínicos.

Os parlamentares lembram que o ABC tem contribuído, ao longo dos anos, para melhorar a prestação de cuidados de saúde na região e foi fundamental nos últimos dois anos de pandemia com ações de testagem e rastreio a nível nacional no âmbito da COVID-19.