Fórum Global PME da Ageas teve casa cheia em Loulé

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Conferência conjunta com a Ordem dos Economistas, foi a sétima e última de um ciclo que percorreu o país, e encheu o auditório do NERA.

«Foi importante fazer este ciclo, nós aprendemos com a adesão. Quer nos conteúdos de âmbito regional, quer no modelo funcionou muito bem. Se pensarmos que outras instituições estão cada vez mais fechadas nos grandes centros de decisão, nós quisemos mostrar que queremos estar próximos das comunidades e daquilo que é a realidade local. Vamos renovar, com alguns ajustes, mas o modelo em si está comprovado», explicou ao «barlavento» Gustavo Barreto, diretor de Distribuição e Marketing da Ageas Seguros, em jeito de balanço. O responsável disse conhecer as particularidades da região e mostrou-se satisfeito por poder realizar o Fórum PME em Loulé.

Fórum PME Global

«O Algarve tem uma comunidade estrangeira crescente, com exigências e com uma cultura de prevenção de riscos muito superior à média nacional. São pessoas preocupadas com os seus bens e património, mas sobretudo com a saúde. Temos soluções para todo este segmento e uma rede muito competente que está a dar cara pelas nossos produtos de Sagres a Vila Real de Santo António», disse. «Fizemos a análise, e percebemos que o turismo e o alojamento local tem tido bastante procura e temos condições especiais para esse mercado», finalizou.

Também Luís Serra Coelho, presidente da delegação regional do Algarve da Ordem dos Economistas, se mostrou satisfeito pela «oportunidade de ter estes parceiros aqui, fora da capital, a querer discutir os problemas do Algarve». E não faltou oportunidade de os apresentar, já que coube ao economista apresentar alguns dados sobre a macroeconomia da região.

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Com base nos dados de 2017, último ano para o qual o portal estatístico Pordata tem números disponíveis, «o Produto Interno Bruto gerado pela região do Algarve ascendeu aos 9,014 mil milhões de euros». No entanto, «em termos NUTS II e neste indicador, somos a pior região de Portugal continental». Por outro lado, em termos per capita a situação é diferente. Em 2017 foi de 20463,4 euros. «Isto representa 82,7 por cento do PIB PPC da região NUTS II mais rica do país (Área Metropolitana de Lisboa)».

Ainda segundo o economista, em 2016 (Anuário estatístico para a região do Algarve), o Valor Acrescentado Bruto (VAB) da região foi 7,81 mil milhões de euros.

Numa análise mais profunda, com base na consulta da base de dados Amadeus (dados de 2017), «é possível identificar 40920 empresas ligadas ao turismo. Estas representam 13,4 por cento do total de empresas disponíveis na base de dados consultada, sendo responsáveis por um volume de negócios na ordem dos 21,4 mil milhões de euros (7,1 por cento do total do país)».

No entanto, são apenas 3735 as empresas ligadas ao turismo com sede fiscal no Algarve. «Representam 9,1 por cento das empresas nacionais ligadas ao turismo e têm um volume de negócios na casa dos 1,8 mil milhões de euros (8,6 por cento do total da economia do turismo no país)». Segundo as contas de Luís Coelho, no Algarve, o sector mais importante é em número de empresas o Alojamento e Restauração (73,2 por cento do total) e também em volume de negócios (73,4 por cento do total).

Outro dado interessante é que a região algarvia tem 9 por cento das empresas de turismo nacionais. Na visão de Luís Coelho, há uma «superconcentração da economia regional em torno do fenómeno turístico que se traduz numa forte sazonalidade e dependência de fatores exogéneos; numa forte assimetria na ocupação do território; num mercado de trabalho incapaz de criar e segurar o seu capital humano mais diferenciado e por fim, uma grande dificuldade em gerir a infraestrutura instalada» que está sujeita aos fluxos turísticos.

Por fim, «em 2017, uma em cada três empresas da economia do turismo sediadas no Algarve estava tecnicamente falida; a mesma percentagem era economicamente inviável e apresentou prejuízos no final do ano», concluiu o economista.

Camilo Lourenço pediu para «não estragar» o Algarve

O jornalista financeiro moderou a Conferência da Ageas Seguros, na quinta-feira, dia 23 de maio, no NERA, em Loulé. Em entrevista ao «barlavento», à margem do evento, mostrou-se pessimista em relação ao rumo do país em entrevista ao «barlavento».

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«Noto que, neste momento, os portugueses voltaram outra vez a abrir os cordões à bolsa, a endividarem-se mais e a adotarem comportamentos de risco que eu não via há quatro anos». A região do Algarve não lhe é estranha, pois os pais são de Vila Real de Santo António e tem uma casa em Tavira. Desafiado a deixar um conselho aos algarvios, Camilo Loureço pede para «não estragar. Se olharmos para o sul da Europa, temos o sul de Espanha estragado, o sul de Itália estragado, uma parte de França horrivelmente estragada, ao contrário do que a maior parte diz, aquilo é uma vergonha. O Algarve é uma das poucas coisas fantásticas que resta. Portanto é melhor não estragar mais, não fazendo novas Albufeiras. Vamos chamar as coisas pelos nomes. É melhor não repetir no Sotavento alguns erros que se cometeram no Barlavento», disse.

«A Europa tem 530 milhões de habitantes que trabalham com uma moeda única e uma boa parte dessa população é envelhecida. Onde é que essa população gostava de passar férias e viver o resto da sua vida? Obviamente num clima quente, com sol, com boa comida, bons serviços e sossegados. Se calhar a oportunidade está aí e não só nos turistas no verão».