Festival LUZA em Faro promete mais interatividade com o público

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Festival Internacional de Luz do Algarve (LUZA) deixa Loulé para iluminar Faro. Programa vai reunir artistas de 12 países. Até um ator da famosa série Game Of Thrones estará presente.

Nos últimos dois anos, o LUZA tem misturado tecnologia, interatividade e muitas formas de fazer luz, em instalações artísticas que brilharam na cidade de Loulé. A terceira edição, contudo, muda-se de malas e bagagens para a capital do Algarve, onde irá decorrer de 14 a 16 de novembro, integrado na programação do 365 Algarve.

«Loulé foi muito bom, mas este ano tivemos a oportunidade de realizar o LUZA numa cidade com mais desafios. O festival tem agora a possibilidade de se projetar para mais público e para mais pessoas. Faro tem edifícios incríveis em termos de iluminação e imensas oportunidades», começou por revelar aos jornalistas Beau Mcclellan, diretor artístico do LUZA, na apresentação do evento, na tarde de terça-feira, dia 29 de outubro, no edifício amarelo conhecido por antiga Fábrica da Cerveja, no centro histórico.

Ainda segundo Mcclellan, a mudança vai trazer uma nova visão ao conceito. Isto porque «há peças que até podem ser as mesmas, mas só o facto de ser num sítio diferente já vai trazer outro impacto. Fizemos muitas mudanças e encontrámos artistas específicos para trabalharem em zonas e edifícios em particular. Acho que esta mudança é muito importante porque Faro tem uma grande oferta. No fundo, só trouxemos as instalações para mais perto de um maior público».

Além das instalações e as performances que o LUZA habitou os algarvios, a cidade velha será ainda palco de algumas novidades.

Neste caso em concreto, a Fábrica da Cerveja enche-se de música e claro, de luzes, na sexta-feira e no sábado, a partir das 23h00 e até às 04h00 para uma after party. A animação musical ficará a cargo do DJ A Elliot com convidados.

Para o diretor, este era já um sonho antigo, que em Loulé «era difícil de concretizar. Como a minha vida sempre foi a música e a luz, acho que as after parties são fundamentais» na programação.

Por outro lado, a maior aposta da organização será a interatividade com o público.

«Quisemos investir nisso porque nas edições anteriores fizemos algumas coisas e percebemos que todos gostam de fazer parte da arte. Todos temos um artista interior e quando facilitamos essa ligação, as pessoas adoram. Por exemplo, ter a oportunidade de fazer um determinado movimento e ver que isso tem repercussão em determinada luz, ou projeção num edifício, é algo incrível. Ou seja, é importante dar a oportunidade às pessoas de fazerem parte da arte. Isso faz com que conversem umas com as outras, cria boa energia e atrai mais público ao festival», explicou Beau.

Mas e na prática o que é que se vai passar no LUZA? Instalações variadas, videomapping, projeções, instalações de luzes, esculturas, hologramas, música, ensaios artísticos e coreografias pelas mãos de dezenas de artistas, provenientes de 12 países. Será um programa eclético dedicado a todas as idades. Até para os mais novos haverá workshops, como observação de estrelas no Centro de Ciência Viva do Algarve.

Outro destaque será a conferência «Working With Light», na Fábrica da Cerveja, no sábado, dia 16 de novembro, às 15h30. Apesar de este debate, em si não ser uma novidade, os convidados são, pela primeira vez, três artistas do sexo feminino e três do sexo masculino.

Segundo Beau, «uma variedade que já tinha sido pedida para a edição anterior, visto que o painel era maioritariamente masculino». Para os fãs da série Game Of Thrones, o festival terá de ser passagem obrigatória, uma vez que o ator Killen é um dos convidados da conferência.

Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, referiu que o LUZA é um projeto «diferenciador, fora da época alta e que alia a beleza de algo que muitas vezes não é valorizado – a luz – com o nosso património e vivência. É um evento que dificilmente temos oportunidades de o conhecer noutras partes do mundo».

De acordo com o autarca, o festival é importante para «chamar a atenção para o património e para dar visibilidade ao concelho, não só para os turistas, mas para os algarvios. Estamos a falar de uma experiência diferente que é relevante na estratégia de desenvolvimento de Faro, mas também naquilo que temos de melhor a nível cultural e espero que muitas pessoas venham».

O Festival Internacional de Luz do Algarve, organizado pelo BYBEAU e Eventors´Lab, passa por Faro entre os dias 14 e 16 de novembro, com atividades nos seguintes locais: Arco da Vila, Arco do Repouso, Câmara Municipal, Centro Ciência Viva do Algarve, Doca de Recreio, Fábrica da Cerveja, Hotel Faro, Jardim Manuel Bivar, Largo da Sé, Museu Municipal e Sé Catedral. O evento é de entrada gratuita, à exceção das after parties e de alguns workshops. Estes últimos carecem de inscrição.

Um objetivo cumprido pelo 365 Algarve

O Festival Internacional de Luz do Algarve (LUZA) regressa para a sua terceira edição, desta vez em Faro. Um evento que conta com o apoio institucional do 365 Algarve e que segundo Ana Fernandes, produtora do Festival, sem o mesmo não seria possível.

Ainda assim, «a sustentabilidade de um projeto como este só será possível se encontrarmos um parceiro que ajude a financiá-lo. É uma luta que temos tido, a de tentar encontrar um patrocinador privado. Algo que ainda não foi possível, mas que esperamos que com esta edição seja uma realidade no futuro», referiu, no uso da palavra, durante a apresentação do certame.

Uma dificuldade que está presente, mas que é atenuada por um fator. Segundo Beau Mcclellan, diretor do LUZA, «todos os artistas adoram Portugal e todos querem visitar-nos. Apesar de ser sempre uma luta e de não termos um grande orçamento, usamos esse argumento para convidar grandes artistas para verem este ambiente. Tanto é que, por exemplo, este ano, há centenas de artistas que querem marcar presença».

Também Rogério Bacalhau aproveitou a ocasião para admitir que gostava que o LUZA fosse um projeto com continuidade. «Espero que não se perca e que esta não seja a última edição. Ambiciono que tenha continuidade ou em Faro, ou noutro concelho algarvio».

Apesar disso, Anabela Afonso, comissária do programa cultural de animação turística em época baixa 365 Algarve, disse que o LUZA «identifica um dos objetivos iniciais do 365 que é mostrar que através da cultura é possível tornar o Algarve atrativo. Mostrar que os turistas podem olhar para o Algarve como um território que também tem oferta cultural. Antes do 365 já existiam coisas, mas acho que este projeto veio dar input financeiro e permitir fazer coisas como o LUZA, que antes não se conseguiam realizar».

Por fim, ainda segundo Anabela Afonso, o festival vai permitir que «se conheça esta zona através do olhar que os artistas nos vão dar. Muitos de nós vamos olhar para coisas que vemos todos os dias de uma maneira completamente diferente».