Festival Internacional de Cinema e Literatura será do Algarve em Faro

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Terceira edição do Festival Internacional de Cinema e Literatura chega na primavera de 2022 a Faro.

Depois de duas edições do Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão (FICLO), o certame que nasceu dentro do extinto programa cultural 365 Algarve, a cidade de Faro passa agora a ser o novo palco do evento, que se transforma em Festival Internacional de Cinema e Literatura do Algarve (FICLA).

O anúncio foi feito na manhã de quinta-feira, dia 9 de dezembro, no Club Farense por ambas as diretoras do festival, Candela Varas e Débora Pinho Mateus, em conjunto com Adriana Nogueira, diretora regional de Cultura do Algarve e Gil Silva, diretor do Teatro das Figuras, em Faro.

«Estamos mesmo muito felizes de poder anunciar que o Festival Internacional de Cinema e Literatura não morreu e que continua», começou por dizer Candela Varas no uso da palavra, justificando a escolha pela capital algarvia.

«Passa para Faro dado o cenário propício, excelente, e as circunstâncias da cidade: a sua dimensão, a massa associativa, a Universidade do Algarve e, sobretudo, pela aposta clara que a Câmara Municipal de Faro está a fazer pela cultura», justificou.

A terceira edição do FICLA trata-se, assim, de uma coprodução entre o Cineclube de Tavira e a Câmara Municipal de Faro, com o apoio do programa «Garantir Cultura» da Direção Regional de Cultura do Algarve.

Candela Varas, Adriana Nogueira e Gil Silva.

Uma sinergia de instituições que se mostrou fundamental para a realização do certame, tal como explicou a diretora.

«Como sabem, depois do desaparecimento do 365 Algarve, o festival passou por momentos bastante difíceis. Agora, graças a este apoio e a esta coprodução, teremos uma terceira edição, na primavera de 2022», afirmou .

Apesar de não ter revelado mais pormenores sobre as datas em que se realizará o FICLA, Candela Varas levantou o véu sobre alguns pormenores.

«Terá moldes similares às edições anteriores no sentido da sua heterogeneidade. Terá a secção oficial com um júri internacional, dois ciclos, uma retrospectiva e uma série de atividades paralelas, porque queremos colocar lado a lado o cinema e a literatura. Não queremos que fiquem numa relação de interdependência e, por isso, vamos colocá-las num diálogo diferente, mais horizontal. Vamos ter leituras, performances, workshops, residências artísticas, escrita e parcerias com outros festivais bastante interessantes. Haverá algumas mudanças e mais ambições. Queremos mais projeção internacional e envolvimento com a comunidade», anteviu.

Débora Pinho Mateus, corroborou. «O FICLA vem para Faro com algumas mudanças, mas mantém o pulso inicial de ser um festival que não se cinge às adaptações de obras literárias ao cinema. Procuramos as relações inusitadas que existem entre ambas as disciplinas e queremos ser mais afirmativas nesta relação entre ambas, onde não há protagonismo de uma arte sobre a outra. Queremos trazê-las a par e passo e aproveitar, além das ligações, interligações ou contaminações que existem, o que de único nos podem proporcionar. Ou seja, lançaremos temáticas contemporâneas e questões que nos preocupam ou interessam debater».

Questionada sobre como estão a preparar a internacionalização do FICLA, Pinho Mateus respondeu que, «de raiz somos um evento internacional, mas falta-nos ganhar essa projeção. Desde a primeira edição [2019] que, por exemplo, em Espanha temos uma projeção forte a nível de meios de comunicação».

O projeto, contudo, «tem de ir crescendo para se começar a afirmar, não é uma coisa imediata, leva tempo. Claro que o facto de termos convidados de outros países, faz com que o festival seja também já conhecido a um nível reduzido. Por exemplo, na Universidade da República Checa já se falou do FICLA. São pequenos passos, mas são passos importantes para um festival que acabou de nascer» e que vai agora para a sua terceira edição.

Todavia, de acordo com Varas, ambas as diretoras encontram-se «confiantes que estamos no bom caminho». Até porque, «a receção que tivemos até agora foi bastante boa, o impacto foi bom e a crítica também».

Um aperitivo que começa a ser servido já em dezembro

De forma a deixar água na boca, a programação do FICLA começa já amanhã, com a temática «Para pensar o corpo e o desejo feminino».

Tratam-se de diversas sugestões que, segundo Débora Pinho Mateus, «vão indicar este novo olhar que queremos trazer para o Festival».

No primeiro dia, sexta-feira, 10 de dezembro, o a delegação regional do Instituto Português de Desporto e Juventude (IPDJ) recebe, às 21h30, a apresentação do filme «Destella Bravío», de Ainhoa Rodríguez.

No final, a realizadora estará disponível para responder às questões do público.

No sábado, 11 de dezembro, a Associação Ar Quente acolhe toda a programação, que se inicia pelas 11h00 com uma masterclass de Ainhoa Rodríguez, onde a mesma irá explicar todo o processo de desenvolvimento, criação e construção do filme projetado na noite anterior.

Segue-se a apresentação oficial do FICLA com ambas as diretoras, às 17h00, e uma conferência/ performance por parte de Sónia Baptista, que traz um texto de autor: «E hoje, é um esquilo?».

Uma hora mais tarde será a vez da professora e investigadora Isabel Baptista trazer um colóquio animado, «Desejo e corpo da mulher no cinema e na literatura contemporânea». Fecha o cartaz, um jam de textos e poesia, acompanhados pelo músico Tomás Tello.

Todos os eventos são de entrada gratuita e cumprem as normas seguidas pela Direção-Geral de Saúde.

Algarve precisa de um «grande empurrão» na literatura

O Festival Internacional de Cinema e Literatura do Algarve (FICLA) está marcado para a primavera de 2022 e, pela primeira vez, será em Faro.

No entanto, de acordo com as diretoras do certame, os planos são de abranger atividades a mais pontos da região.

«Esta próxima edição será apenas em Faro. Criámos agora a parceria com o Cineclube de Faro, que conta com 60 e poucos anos e que já tem um público formado na área do cinema», disse Débora Pinho Matias.

Por outro lado, na literatura, e de acordo com a opinião de Débora Pinho Matias, a realidade parece ser bem diferente.

«Faro precisa de um grande empurrão nessa área. No Algarve, o problema sistemático que temos é a falta de livrarias e, sobretudo, livrarias de autor, com catálogo escolhido e programado», diagnosticou.

Sem revelar grandes pormenores, a responsável do evento garantiu que «eventualmente poderão, depois, existir algumas atividades que passem por outros municípios.

De facto, já estamos mais ou menos em conversações para que algumas delas possam viajar a outras paradas» do Algarve.

Adriana Nogueira e Gil Silva.

Adriana Nogueira: FICLA «é muito importante»

A diretora regional de Cultura do Algarve, Adriana Nogueira, não quis deixar de marcar presença no Club Farense durante a pré-apresentação do Festival Internacional de Cinema e Literatura do Algarve (FICLA), que chegará a Faro na primavera do próximo ano.

Aos jornalistas, afirmou que se trata de um evento «muito importante e que já começou com uma certa transversalidade. Este é um dos projetos que começou no 365 Algarve e, felizmente, ainda está vivo. Portanto, a Direção Regional de Cultura do Algarve não poderia deixar de apoiá-lo».

Até porque, «a literatura e o cinema são duas das artes que também apoiamos. São duas linguagens diferentes que este festival quer manter, assim como a ligação a outras áreas que com elas se relacionam. O cinema e a literatura não são áreas estanques e essa relação é importante estabelecer», referiu.

Além disso, também o facto de o FICLA trazer longas-metragens que não se encontram disponíveis nos cinemas tradicionais, nas palavras de Adriana Nogueira, é «muito importante».

«Espero que o festival possa acontecer também noutras localidades, uma vez que tem essa hipótese, dado que as várias atividades e as duas grandes formas de arte podem circular. Este é o desafio que fazemos: que o FICLA continue. Ficamos muito contentes pelo facto de este evento se ter assumido como um Festival Internacional do Algarve», concluiu a diretora cultural.

Gil Silva: Festival vai fazer «prosperar economia»

Também Gil Silva, diretor do Teatro das Figuras em Faro, esteve presente na cerimónia que deu nota da mudança de cidade e de nome do agora Festival Internacional de Cinema e Literatura do Algarve (FICLA).

Começou por dizer que, para Faro «é muito interessante termos este Festival aqui. Temo-lo acompanhado nas outras edições e vamos agora receber a terceira. Para Faro é também importante devido à nossa aposta nestes novos formatos e nestas novas opções culturais. O FICLA faz parte da nossa estratégia em apostarmos e apoiarmos novos conceitos, de potenciar todas estas novas linguagens artísticas e de fazer com que o público da cidade e do Algarve tenha acesso a elas».

Mas não só. Gil Silva abordou ainda as vantagens que pode trazer um Festival Internacional para a economia. «A nível económico é interessante porque vai trazer-nos uma série de retorno de artistas e de público que vamos acolher. Isso fará também a própria economia da cidade desenvolver-se e prosperar. Nesse sentido, é um grande acontecimento recebermos este FICLA».