Faro oficializa candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027

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Diferentes forças políticas e entidades asseguraram união e imparcialidade em todo o processo na cerimónia que decorreu no Teatro das Figuras, em Faro.

Faro que fazer parte da lista de cidades que desde 1983 acolheram o galardão de Capital Europeia da Cultura. Um desígnio que terá como meta o ano de 2027 e mereceu uma inédita união de vontades, formalizada ao final da tarde de segunda-feira, dia 25 de novembro, no Teatro das Figuras.

Bruno Inácio, coordenador da equipa de projeto de candidatura abriu a cerimónia referindo que todos os antigos vencedores, resultaram em «cidades reinventadas, redescobertas e com uma nova forma de estar, tendo a cultura como mote».

Agora, o passo seguinte é a criação de um «Plano Estratégico para a Cultura de Faro, composto por três fases, sempre com mecanismos de auscultação e participação pública».

Bruno Inácio.

E porque já existe uma experiência anterior no país, Carlos Martins, diretor executivo da Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, esteve presente para partilhar com os algarvios alguns conselhos.

«Este não pode ser um projeto de apenas um município. Ou é de toda a região, ou não faz sentido. Estamos a falar de uma candidatura que não é de um mandato e que não representa uma festival ou um conjunto de eventos que se colocam numa agenda. Este não pode ser um plano dos profissionais da cultura, mas sim de todos. Em Guimarães, após investimento de 25 milhões de euros, conseguimos um saldo líquido de retorno de 85 milhões e ainda 2000 postos de trabalho. Em 2027 Faro, pode não ser a Capital Europeia da Cultura, mas se tudo for ultrapassado, será uma cidade mais forte, porque mais importante que o resultado é o processo, que pode deixar uma marca grande. O caminho vale a pena independentemente do resultado», disse.

Carlos Martins, diretor executivo da Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura

Assinadas as formalidades, Luís Graça, presidente da Assembleia Municipal de Faro quis deixar uma mensagem. «É uma rebeldia propor um acordo maior do que nós próprios para reinventarmos, através da cultura, o nosso papel e a nossa sociedade. Esta é uma questão que está acima das divergências políticas que temos e que não nos dividirá nunca», garantiu.

Luís Graça, presidente da Assembleia Municipal de Faro.

Francisco Serra, presidente da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, não escondeu o regozijo. «O facto de estarmos aqui hoje alinhados com esta ideia, irreverência e audácia é já o corolário do conjunto significativo de esforços e interesses que já data de vários anos. Nada se consegue sem audácia, sem medirmos um risco, mas é necessário arriscar.

Rogério Bacalhau e Francisco Serra, presidente da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Algarve.

Não podemos estar sempre dependentes dos outros, porque se não se interessam por nós, não chegamos a parte nenhuma. A atitude no Algarve não é essa. Esta é uma grande iniciativa com vista a contribuir para o desenvolvimento qualitativo da região. A CCDR acolhe com grande entusiasmo, desde o primeiro momento, este projeto».

Também Adriana Nogueira, diretora regional da Cultura do Algarve mostrou-se alinhada, mas realista. «Há muito para fazer. O Algarve e Faro precisam de ter património cuidado, preservado, acessível física e culturalmente e de um espaço para apresentar os seus artistas contemporâneos», considerou.

Rogério Bacalhau e Adriana Nogueira, diretora regional da Cultura do Algarve .

Um dos momentos mais altos foi a assinatura dos acordos com os organismos coprodutores da candidatura: Região de Turismo do Algarve (RTA), Universidade do Algarve (UAlg) e Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL).

«É um mote para cada vez mais pessoas viajarem. O fator essencial é a nossa diferenciação, irmos ao que nos identifica, que nos caracteriza e que nos torna diferentes. Esta é uma candidatura que concorre para um Algarve melhor», disse João Fernandes, presidente da RTA, que enalteceu o papel da cultura para o turismo.

Rogério Bacalhau e Paulo Águas, Reitor da Universidade do Algarve.

Paulo Águas, Reitor da UAlg, garantiu que a sua instituição «é um centro de criação, de transmissão e difusão da cultura e do conhecimento humanístico, artístico, científico e tecnológico. A candidatura de Faro é um projeto mobilizador, transformador, aglutinador, integrador, inovador e merece o nosso apoio».

Por sua vez, António Miguel Pina, o recém-eleito presidente da AMAL, realçou a o Algarve como único, uma vez que «não há território nenhum no país com uma relação tão sustentada e profunda, com diferença, com interação com outras culturas e expressões de criatividade como a nossa região».

António Miguel Pina, presidente da AMAL e autarca de Olhão e Rogério Bacalhau.

Em relação à candidatura, o também autarca de Olhão assegurou que «dá expressão a este património, a esta identidade e à facilidade com que acolhemos diversas formas de criatividade».

Já Custódio Moreno, diretor regional do Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPdJ), uma das entidades parceiras do município na candidatura, considerou que «se Faro ganhar, ganha a região e o país».


Por fim, Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro encerrou a cerimónia com emotividade no discurso.

«Nos momentos importantes, os algarvios sabem pôr de lado as suas diferenças e unir-se em torno do que é fundamental. Os algarvios não entram em nada para perder, por isso estamos confiantes na força dos nossos argumentos. Mas, mais ainda que o desiderato em si, interessa-nos olhar para este processo como forma de pensar as cidades do futuro e de aumentar a produção cultural, criando melhores condições para os nossos agentes produzirem no sul», começou por referir.

Na opinião do edil farense, «podemos estar podemos estar perante um momento transformador. Um verdadeiro virar de página para este concelho e para a região. Desenganem-se os que pensam que este é um projeto milionário e de construção massiva de infraestruturas. É, acima de tudo, uma realização para as pessoas e que exigirá do sector cultural um grande envolvimento, mas acima de tudo a capacidade de aumentar a sua interação com a comunidade».

Mas esta é, «antes de mais, uma missão que exige muita humildade: na Câmara, procurando um alargado apoio político; na articulação com as outras entidades locais e regionais; na auscultação exaustiva que estamos a iniciar. Não é um processo fácil, mas é urgente e necessário»

Rogério Bacalhau terminou revelando que Faro será pioneiro com uma iniciativa marcada já para o início do próximo ano.

«Procurámos ser pioneiros dando o primeiro sinal de que podemos ter colaboração efetiva com outras cidades. Já enviámos convites a todas as potenciais candidatas para a realização de uma primeira convenção entre todas, para nos sentarmos à mesma mesa e discutirmos assuntos tão relevantes para como a colaboração cultural, o financiamento ou a relação com o Estado. A conferência terá lugar no próximo mês de janeiro, em Portimão. Será pioneira e, esperamos, que seja a primeira de muitas a realizar um pouco por todo o Algarve», anunciou.

Com este desafio tão impactante, estamos a valorizar a fidelidade à memória e ao respeito pela herança recebida das gerações passada. Assim alicerçados vamos ao encontro do futuro. É tempo de deitar mãos à obra», concluiu Rogério Bacalhau.