Faro investe 200 mil euros em rede de bicicletas partilhadas

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Faro já tem uma rede de bicicletas de uso partilhado disponível. Projeto-piloto que deverá durar 18 meses, segundo Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro.

A rede, apresentada ontem, vai contar com 75 bicicletas, 25 das quais elétricas, que podem ser usadas por maiores de 18 anos e estarão disponíveis em hotspots no centro da cidade, na zona de Gambelas, onde fica um dos campus da Universidade do Algarve, e na Praia de Faro.

Durante a cerimónia de arranque do projeto, ontem, quarta-feira, dia 1 de junho, junto ao Arco da Vila, Rogério Bacalhau sublinhou aos jornalistas que «este é mais um passo na estratégia de mobilidade do concelho», depois da criação de ciclovias em duas zonas da cidade e no acesso à Praia de Faro.

«Este projeto representa um investimento de quase 200 mil euros que vai funcionar nesta concessão durante um ano e meio para perceber como é que as pessoas vão reagir, para a seguir fazermos novo concurso», referiu.

Segundo Rogério Bacalhau, trata-se de «um tipo de negócio que não é sustentável», tendo em conta o investimento nas bicicletas e na sua manutenção, ao contrário do sistema de trotinetes partilhadas, implementado em 2019, razão pela qual a autarquia decidiu avançar primeiro com um projeto-piloto.

O autarca farense alertou para o facto de as bicicletas, depois de utilizadas, terem de ser estacionadas numa das zonas que estão assinaladas no mapa como sendo os locais delimitados para o efeito e, em caso contrário, o utilizador incorre em coimas debitadas ao meio de pagamento associado ao serviço.

Questionado sobre se há intenção de criar mais ciclovias para que os potenciais ciclistas possam tirar melhor partido desta nova rede, Rogério Bacalhau afirmou que «dentro da cidade é muito difícil», pelo facto de as ruas serem estreitas, mas estão a ser criadas zonas para limitar a velocidade do trânsito.

«Por isso estão a ser feitas zonas 30 e zonas 20 [quilómetros por hora], e outras com cotas zero, de forma a que a mobilidade de carros seja lenta e possa permitir outro tipo de mobilidade em segurança. Vamos ter de compatibilizar as duas situações», frisou.

Para usar as bicicletas é necessário descarregar a aplicação mobismart, sendo depois necessário fazer um registo e depositar dinheiro na carteira virtual da aplicação, momento a partir do qual é possível usar as bicicletas.

O uso de uma bicicleta para uma única viagem custa aos residentes 30 cêntimos por 30 minutos, no caso de tratar-se de uma bicicleta convencional, e 1,30 euros pelo mesmo período de tempo, caso o utilizador opte por uma bicicleta elétrica.

Aos visitantes o custo cobrado é de 45 cêntimos por 30 minutos, no caso das bicicletas convencionais, e de dois euros pelo mesmo tempo, no caso dos veículos elétricos. Em ambos os casos, acresce uma taxa inicial de desbloqueio de 99 cêntimos.

Em alternativa, pode comprar-se o bilhete mensal mobismart, que permite usar a frota pública de forma ilimitada durante 30 dias por 14,99 euros.

Pode ainda reservar-se um bilhete de um dia por 6,99 euros.

O método de pagamento pode ser através de PayPal, débito direto ou cartão de crédito.

Ciclovia Faro – Olhão será feita em duas ou três fases

Bacalhau tem a certeza que os farenses têm mais vontade de pedalar. «Sente-se isso de algum tempo a esta parte. Penso que este investimento vai incentivar ainda mais» o uso da bicicleta partilhada. «O objetivo é fomentar isto e deixar o carro em casa. A cidade é plana, é muito fácil andar de bicicleta».

Em relação à ciclovia Faro – Olhão, que o concelho vizinho já terminou, o edil revelou que o «projeto está numa fase final. Provavelmente vamos dividir em dois ou três troços. Um dos quais, à saída de Faro é um troço de grande complexidade, tem terrenos privados e um conjunto de canais que requer várias pontes para os ultrapassar. Estamos a falar num projeto que vai custar dois milhões de euros, a preços, não sei se serão hoje os de mercado. Da análise que fizemos, a construção será feita em várias fases», revelou.

Nem tudo são dificuldades, «pois há um troço que passa por cima de terrenos da Águas do Algarve, não envolve expropriações e portanto, essa fase pode ser feita logo que o projeto de execução esteja concluído, falta apenas um parecer», disse.

Questionado sobre a construção de uma ciclovia que garanta um acesso seguro ao campus de Gambelas da Universidade do Algarve, Rogério Bacalhau explicou que «há um conjunto de vias que estão a ser estudadas, por exemplo, entre a Quinta do Eucalipto até à Universidade, que estão previstos em Plano Diretor Municipal (PDM). Já expliquei a questão da cidade. O troço da terceira circular que vamos concluir até agosto já contempla ciclovia. O novo troço que vamos lançar também», referiu.

«Vamos ter ponte, seguramente» para a Praia de Faro

Já em relação à construção da nova Ponte para a ilha de Faro, projeto que ainda não passou do papel, Rogério Bacalhau justificou os atrasos devido «aos materiais estarem mais caros».

«Saiu agora um decreto-lei que permite atualizar os preços e é isso que estamos a fazer junto da empresa» que fará a obra.

«Estamos a ver aquilo que estava na proposta e os preços que existem neste momento para, se for, possível», fazer uma atualização.

O arranque da empreitada será «este ano, certamente».