Faro celebra centenário do arquiteto Gomes da Costa

  • Print Icon

Exposição mgc100 – Moderno ao Sul celebra o centenário do arquiteto de Manuel Gomes da Costa na Sala de Atos do Cabido da Sé de Faro. Inauguração é hoje às 18h30.

Com a reposição do evento de 2009, a exposição mgc100 – Moderno ao Sul, criada com o intuito de, ainda em vida, celebrar a carreira do arquiteto Manuel Gomes da Costa e dar a conhecer, através de 40 obras, a progressão e abrangência da ação profissional do arquiteto no Algarve, Faro celebra o centenário do nascimento do arquiteto Manuel Gomes da Costa (1921-2016), 12 anos após a sua inauguração no Museu Municipal de Faro.

O objetivo continua claro: integrar a obra na memória coletiva dos algarvios de forma a que, através do seu conhecimento, a população atuasse como vigilante deste património «novo», agora reconhecido e em grande perigo de transformação e que, por desconhecimento, arriscaria (e arrisca) uma crescente degradação e desaparição gradual, como aconteceu muitas vezes até aqui.

Em simultâneo e em lenta, mas firme progressão, o nome de Gomes da Costa e alguns dos seus colegas contemporâneos, como Manuel Laginha e Vicente Castro, foram catapultados para a riquíssima esfera do Moderno Português, à medida que muitas teses, estudos, artigos e livros foram sendo desenvolvidos por estudantes, arquitetos e historiadores de arquitetura em muitas Universidades de Portugal e Espanha.

Muitas ações de divulgação e proteção deste património foram desenvolvidas entretanto, como são os recentes exemplos da recriação de casas modernistas de Faro para o ambiente do jogo Minecraft pelos alunos das escolas do concelho, através do projeto MI.MOMO.FARO – Minecraft e a Arquitetura Modernista em Faro, ou a classificação de interesse Municipal do Eixo de ligação entre o mercado e a Escola Secundária João de Deus, que define regras restritas de intervenção em edifícios Modernos, numa sucessão contínua de ruas e bairros da cidade, constituindo, até agora, algo de raro no país.

Repor a exposição mgc100 Moderno ao Sul é uma celebração da arquitetura, da vida e obra do arquiteto Manuel Gomes da Costa e tudo o que aconteceu ao longo destes últimos 12 anos. Graças aos esforços da Câmara Municipal de Faro e, então, em 2009, do Museu Municipal de Faro, foi e é possível, em simultâneo, fazer um ponto de situação e um pontapé de saída relativamente a uma série de ações que serão desenvolvidas num futuro próximo e que farão com que Faro se afirme como uma importante Capital do Moderno Português.

Foi no ano de 1953 que o Arquiteto Manuel Gomes da Costa chegou ao Algarve com uma bagagem fresca de novos valores linguísticos e uma nova arquitetura que rompia com os padrões do tempo do regime.

Ao longo de mais de cinco décadas de trabalho árduo, perseverante e solitário, Gomes da Costa projetou e construiu centenas de obras, que, para além do programa habitacional mais corrente, teve também muita expressão no âmbito do equipamento público, dentre os quais se destacam, entre outros, a Creche de Aljezur, a Colónia de Férias de Alcantarilha, o Colégio da Nossa Senhora do Alto em Faro, a Capela de Santa Luzia ou a Cooperativa Agrícola de Santa Catarina da Fonte do Bispo.

Fácil de reconhecer, o «estilo» Gomes da Costa evoluiu ao longo do tempo. De uma linguagem próxima da «Escola do Porto» e dos mestres brasileiros como Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy ou Vilanova Artigas (nos anos 1950 e 1960), para um estilo cada vez mais pessoal e livre no fim da sua carreira como arquiteto (2002).

Em qualquer dos casos, Gomes da Costa procurou uma arquitetura informada que refletisse com responsabilidade os valores do seu tempo; «leve, solta, democrática, humana, adaptada ao lugar e ao clima», ao serviço e ao alcance do maior número de pessoas.

Personagem singular, foi talvez o maior representante da Geração Moderna no Algarve pela excecional qualidade e quantidade de trabalho.

A persistência e coerência do trabalho de MGC desde o princípio da sua carreira, representam esse «espírito de missão», de equipar a sociedade para o futuro com os meios técnicos e linguísticos da sua época.

Grande parte destes edifícios do período moderno e da sua autoria, são importantes testemunhos formais da realidade do séc. XX em Faro e no Algarve.

Património único e irrepetível, é possível, através dele, estabelecer novas conjunturas, revendo-se a continuidade da História através da análise do acontecimento individual.

Fernando Silva Grade dedicou-lhe um artigo onde aborda a herança arquitetónica que deixou no Algarve.

A exposição que hoje inaugura ficará patente até 15 de novembro e poderá ser visitada de segunda a sexta-feira das 10h00 às 18h00 e sábados das 10h00 às 12h30. Encerra ao domingo. A entrada é livre.