EVA e Frota Azul põem quase metade do pessoal em layoff

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As cadeias de autocarros EVA e Frota Azul vão colocar em layoff, no mês de abril, quase 50 por cento da força laboral.

Ricardo Afonso, administrador da Eva Transportes SA, justificou hoje ao barlavento que «a redução brutal da atividade, ao nível de tudo o que é turismo no Algarve é muito significativo» devido às medidas de contingência para travar a pandemia do novo Coronavírus (COVID-19).

«A atividade afundou-se a zero. A rede Expresso teve uma queda acentuada, acima dos 80 por cento, tal como as carreiras regulares, fruto de as pessoas ficarem confinadas em casa».

Por isso, «leva-nos a crer que em abril, mês em que faremos o layoff, a nossa atividade será inferior a 20 por cento», calcula.

O gestor das empresas de transporte coletivo reforça que «como queremos salvaguardar todos os postos de trabalho e retomar a atividade o mais rápido possível, obviamente que a única solução é recorrer a este mecanismo, que nos salvaguarda um pouco a tesouraria».

Mais difícil, no entanto, precisar é o número de trabalhadores a dispensar nos próximos tempos.

«Estamos ainda a efetuar os últimos cálculos, mas estamos a falar de um universo de 500 pessoas, em que quase 50 por cento» irá para layoff.

«As empresas vão contudo, assegurar serviços mínimos, com algumas ligações Expresso e pouco mais. Mas para isso tudo é preciso turistas, mecânicos e pessoal».

Já as redes dos municípios algarvios vão continuar a funcionar como até aqui, mesmo em época de pandemia.

«Sim. Por exemplo, a rede Próximo não está abrangida porque tem um contrato com a Câmara Municipal de Faro e mantêm-se as condições e os serviços. Tal como acontece com as outras autarquias, que continuam a suportar os custos do serviço» de transporte urbano.

Na perspetiva de Ricardo Afonso, os trabalhadores que já foram contactados pela administração veem a medida «até como um alívio, como uma definição do seu futuro. Ou seja, é preferível o layoff que o despedimento».

«Não queremos, nem vamos despedir ninguém, mas a única alternativa que temos é esta. As pessoas percebem que para preservar a empresa e o posto de trabalho futuro têm que aceitar esta situação porque é a única que se afigura possível», nota.

O gestor pede também compreensão e sobretudo responsabilidade aos passageiros.

«Há a recomendação para que os passageiros entrem pela porta de trás, mas isso não quer dizer que seja uma borla generalizada. O que verificámos é que as pessoas pura e simplesmente se começaram a aproveitar quer passageiros regulares, que acharam por bem não pagar, quer pessoas que nunca viajaram e que aproveitaram para andar aqui conhecer o Algarve gratuitamente, quando deviam estar confinadas em casa» ou no alojamento.

«Faço esse apelo para que as pessoas percebam que temos de ser uns pelos outros, que estamos a fazer o nosso trabalho, a assegurar o mínimo de mobilidade na região. Mas estamos a assegurá-la, às custas de uma empresa privada. Ninguém nos dá dinheiro para fazer o serviço. Apelamos às pessoas que sejam solidárias, responsáveis e que adquiram os títulos de transporte, não a bordo, mas nas bilheteiras, onde há mais segurança para realizar essa ação», conclui Ricardo Afonso.