ERA Arqueologia instala núcleo permanente no Algarve

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ERA Arqueologia é uma empresa de referência que soma já 23 anos de trabalho em todo o país. Tem vindo a investigar, por exemplo, o Complexo Arqueológico dos Perdigões, um sítio sagrado com mais de 5000 anos, classificado como Monumento Nacional, em novembro. No Algarve, está atualmente a acompanhar um obra importante na Meia Praia, em Lagos.

Responder a projetos complexos que precisem de recursos humanos altamente especializados na hora é o trunfo que a ERA Arqueologia, empresa com sede em Cruz Quebrada, na Grande Lisboa, traz à região, até porque emprega uma equipa multidisciplinar de 53 pessoas.

Três das quais, as arqueólogas Eliana Correia (mestre), Patrícia Monteiro e Rita Dias (ambas doutoradas) vão dinamizar a filial algarvia, que, para já, fica alojada na Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia (CRIA) da Universidade do Algarve.

«A ERA é uma empresa que trabalha há 23 anos nas áreas do património, arqueologia, conservação e restauro, antropologia biológica e cada vez mais nas áreas de educação e comunicação patrimonial», explica Miguel Lago, administrador delegado ao «barlavento».

Apesar de ter ação em todo o país e um longo historial de intervenção na região, abrir uma delegação permanente no Algarve era «um desejo antigo». «Faltam estruturas muito profissionais na região, com capacidade de resposta para projetos com algum fôlego. Pensámos que podemos ter mais trabalhos e dar um contributo ainda melhor relativamente aquilo que é o tratar do património do Algarve, com uma equipa próxima, com melhor capacidade de atuação e sobretudo, com uma clara redução de custos e maiores níveis de eficácia nas nossas intervenções», diz o responsável.

Entre os trabalhos mais recentes, destaca-se um acompanhamento arqueológico de uma obra em curso no centro histórico de Alcoutim, outra numa área sensível de Portimão e até na baixa de Faro, onde os imprevistos provaram a mais-valia da empresa em situações de pressão.

Segundo Rita Dias, «apareceram vestígios importantes, artefatos dos finais de século XIX, uma pederneira feita em silex, que tem a ver com as armas de pólvora e um tanque romano, de grandes dimensões, cuja funcionalidade não é clara. Apareceu um contexto que parecia ser do terramoto de 1755, que foi escavado na totalidade e registado» sem atrapalhar o cronograma da obra.

«A grande vantagem da ERA é que nestes casos, conseguimos mobilizar os nossos recursos humanos», exemplifica .

«No Algarve impera uma coisa que não é simpática para os promotores, que é o trabalhar ao dia. Não se sabe muito bem quanto tempo duram as coisas, o promotor vai pagando, nunca há grandes compromissos e penso que isso não cria boa imagem para a arqueologia», acrescenta Miguel Lago.

Outro grande projeto que a ERA tem em mãos está na zona da Meia Praia, em Lagos.

«Está relacionado com um projeto imobiliário de uma empresa britânica. Fica numa encosta, relativamente próxima de Monte Molião e, portanto, ali o que temos são contextos que vão desde o calcolítico (idade do bronze), a vestígios romanos e islâmicos. É um trabalho que está a ser feito por lotes», informa o responsável.

Os arqueólogos consideram que o Algarve «é um sítio interessante para trabalhar. Infelizmente, nem todas as câmaras têm condicionantes arqueológicas ou patrimoniais, o que faz com que se percam imensas coisas», diz Rita Dias. Uma lacuna algo «preocupante» numa altura em que a pressão urbanística está a aumentar.

Miguel Lago, Patrícia Monteiro, Rita Dias e Eliana Correia.

No entanto, se for «implementada uma boa arqueologia, na maior parte dos casos, as obras podem avançar. Quando surge alguma alteração de projeto, porque aparece algo extraordinariamente importante» é preciso «capacidade de análise, conhecimento e informação para tomar as mais adequadas decisões», acrescenta Miguel Lago.

«Há muita margem de progressão. Os municípios deviam ser mais exigentes na divulgação do trabalho arqueológico que é feito nos seus territórios. As equipas de arqueologia deveriam ser mais abertas à passagem de informação à comunidade», um trabalho, aliás, que a ERA tem vindo a fazer, não apenas no meio científico, mas também junto do cidadão.

«Ainda hoje o Algarve é uma zona agradável para se viver. Temos aqui vestígios desde os períodos mais remotos. Não é um território isolado. É fácil de chegar por sul ou por este. É um espaço muito permeável à chegada de pessoas, à troca de ideias, de tradições. Foi muito importante no período romano e no período islâmico. Portanto, se calhar, foi já em determinados momentos da história portuguesa que o Algarve foi um pouco marginalizado», conclui Miguel Lago.