Doentes oncológicos vão poder continuar a fazer radioterapia no Algarve

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Os doentes oncológicos vão poder continuar a fazer os tratamentos de radioterapia no Algarve. Deliberação foi tomada esta manhã pelo conselho de administração do CHUA.

A presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA), confirmou esta tarde aos jornalistas que a decisão «já foi tomada» e que «os doentes vão continuar a fazer radioterapia no Algarve».

Ana Gomes recebeu esta tarde, em visita de trabalho, António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, na unidade hospitalar de Faro.

A responsável negou, contudo, ter recebido pressões por parte do Ministério da Saúde para este desfecho.

Mostrou-se desagradada com o trabalho da comunicação social, que noticiou a possibilidade de os doentes oncológicos poderem vir a ter de se deslocarem a Sevilha, para realizar um tratamento que, em média, demora apenas 15 minutos diários, ao longo de um período de quatro a oito semanas e que a acontecer, representaria um retrocesso de 16 anos para o Algarve.

«É um concurso e os concursos levam tempo. E os senhores deram uma notícia da qual nem nós sabíamos do resultado. Quando se começa a anunciar coisas que vão ser um problema sem ainda o ser, deveremos ter alguma cautela com isso. Os concursos públicos têm documentação que é confidencial e que só nos chega» no final do processo.

«Só nos chegou hoje o processo, enquanto vocês já noticiavam isso há uma série de dias. Neste momento, o processo foi despachado esta manhã em reunião do conselho de administração. Os doentes vão ser tratados no Algarve. Seriam sempre tratados no sítio onde tivessem maior segurança, melhor conforto, e o melhor tratamento possível. E é por isso que nós nos debatemos pelo Centro Oncológico do Sul onde possamos internalizar todos estes exames, todos estes tratamentos, para que os doentes do sul do país, do Algarve e não só, possam ser tratados na sua proximidade», criticou.

A médica entende que houve um aproveitamento político deste processo, denunciado pelo PSD Algarve que hoje, em nota enviada à redações, afirma ter havido «renúncia por parte do operador espanhol» interessado em prestar este serviço.

«Com certeza. Se há um concurso a decorrer, se ainda não terminou e há notícias sem nexo para dar, se só ao conselho de administração cabe adjudicar a A, B ou C e se apenas terminámos hoje, não havia nenhum problema antes. Houve um concurso público. Faz parte da lei», reforçou.

A verba de 4,5 milhões de euros em questão neste processo, segundo Ana Gomes, obriga a que seja realizado um concurso internacional, «e foi isso que fizemos. Claro, foi e é um procedimento necessário que acautela os interesses da tutela. Nós estamos aqui para ter em conta os doentes e os dinheiros públicos. Nunca dissociamos uma coisa da outra nem nunca dissociámos a questão da segurança e o conforto dos nossos doentes, sejam eles oncológicos ou outros».

Questionada pelos jornalistas, a presidente do conselho administrativo do CHUA escusou-se a confirmar se houve, ou não, desistência por parte do grupo espanhol concorrente. «Não sei. É interessante isso? É uma notícia? Já disse que foi adjudicado e ficará no Algarve», insistiu.

Por sua vez, António Lacerda Sales confirmou que «de facto, os doentes oncológicos são uma faixa muito sensível e muito vulnerável. Nós confiamos nos nossos dirigentes, nos nossos conselhos de administração. Sobre essa matéria, definitivamente que os nossos doentes têm e deverão ter de ficar no Algarve. O que queria dizer é que não fazemos, nem nunca faremos política com esta matéria que é demasiado séria, muito menos, política de redes sociais. O que queremos é resolver o problema dos doentes que devem fazer a sua radioterapia no Algarve, dando proximidade àquilo que são as nossas políticas de saúde».

Os doentes oncológicos vão poder continuar a fazer os tratamentos de radioterapia no Algarve. Deliberação foi tomada esta manhã pelo conselho de administração do CHUA.
António Lacerda Sales e Ana Gomes.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde veio a Faro presidir à inauguração do novo angiógrafo biplanar, um equipamento de alta tecnologia, financiado pelo Plano Operacional do Algarve – CRESC Algarve 2020, e que está operacional desde abril, dotando a região algarvia com uma nova valência no tratamento de doenças neurovasculares. Permite também uma resposta mais eficaz em caso de Acidente Vascular Cerebral (AVC), evitando assim a transferência urgente de doentes para Lisboa.

O governante visitou ainda a o local da futura Unidade de Procriação Medicamente Assistida (PMA) que servirá o sul do país.