Designer de Olhão ofereceu peças para completar «caminho das lendas»

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Reza a lenda que certo dia, um pescador rapazola chamado Manuel Caleça chamou à brincadeira com os amigos, um rapaz misterioso.  Ao ver que este não tinha muito jeito, Manuel fez-lhe um reparo. Qual não foi a sua surpresa quando foram brincar para outro sítio, e este abriu um alçapão mágico no chão, onde se escondia um palácio cheio de riquezas. Manuel continuou a ver o mouro encantado, até a mãe o levar à missa para comungar e confessar. Hoje, estão juntos de novo, e à vista de todos (confessados ou não), a jogar à bola, no Largo do Gaibéu.

Mas antes de continuarmos a revisitar o imaginário coletivo de Olhão, é preciso dizer que a manhã da passada quinta-feira começou com o ribombar da fanfarra dos bombeiros e das forças vivas da cidade, a celebrarem o mesmo dia 16 de junho, mas de 1808. Data em que «expulsámos as tropas napoleónicas do nosso território e fomos num barco, o caíque Bom Sucesso, ao Brasil dar a boa nova ao Rei», lembrou António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão.

Para celebrar a efeméride, a cidade ganhou novas instalações escultóricas, integradas no projeto «caminho das lendas».

Assim, no Largo do Gaibéu, quatro «meninos»  – o menor com 1,10 e o maior com 1,38 metros – recebem agora quem entrar por qualquer uma das entradas deste espaço, no coração histórico do bairro da Barreta.

Isa Fernandes, 41 anos, designer e autora do projeto explicou ao «barlavento» que «este é um largo pequeno numa zona residencial. Precisa de ter a passagem aberta» e por isso desenhou peças de pequeno volume, mas «visualmente apelativas». Além disso, incentivam a interatividade através de cortes no perfil, ideais para uma fotografia diferente no centro histórico de Olhão.

Comparativamente ao «menino dos olhos grandes» e à «Floripes» da autoria de Leonel Moura, ali próximas, Fernandes explicou que «são abordagens diferentes», ditadas pelas narrativas que as inspiraram. «As minhas peças são baseadas em lendas que envolvem várias personagens e portanto, precisam de uma cenografia maior».

Uma segunda escultura de grandes dimensões, colocada no Largo da Fábrica Velha. evoca outra lenda local: a paixão do trovador Abdalá e da jovem Alina. A discórdia familiar condenou este amor impossível à imortalidade.

Segundo Isa Fernandes, mede 6,30 por 4,05 metros, fundindo as faces dos amantes «respeitando o espaço envolvente. É uma peça que permite ver o edificado como pano de fundo. Não é intrusiva e está perfeitamente integrada no espaço. Representa o final feliz» do romance negado. O seu desenho não foi difícil, «mas foi demorado». Envolveu «muito trabalho de campo, muito estudo dos ângulos e do posicionamento da peça, de forma a poder ser lida de diferentes pontos». Por estar exposta numa artéria movimentada, Fernandes utilizou uma «abordagem plástica mais arrojada e original».

O conjunto das novas instalações escultóricas ganhou forma no estaleiro de uma empresa algarvia, em aço e em ferro. A pensar na durabilidade, têm «acabamentos da cor da oxidação dos próprios materiais, o que lhes dará um aspeto cuidado durante mais tempo», explicou.
A autarquia apenas custeou a produção das peças, já que toda a conceção artística e desenho foi uma oferta de Isa Fernandes ao município. Apesar de não ter nascido na cidade, «sou olhanense de vontade e de coração, com muito orgulho», sublinhou.

O trabalho, contudo, não termina aqui. Está em fase de produção a última peça, que vai permitir terminar o «caminho das lendas», a revelar no mês agosto. Aliás, foi a vontade de ver esta rota concluído que motivou a oferta das peças. A próxima tem como tema a lenda do Arraul. Segundo a mitologia local, é um dos filhos do guarda-mor das colunas de Hércules, único sobrevivente da Atlântida e criador do cordão dunar da Ria Formosa. «Como se trata de um atlante, será maior que um homem normal», avançou.

Medalhas de mérito

Durante o dia da cidade, na zona do Bairro dos Pescadores, decorreu a inauguração do Centro Comunitário e Refeitório Social Ana Dias, uma valência da Associação Verdades Escondidas, que reforça o apoio àquela comunidade. A ocasião serviu ainda para atribuir a Medalha Municipal de Mérito Grau Ouro a dois olhanenses: o advogado António Cabrita e o jornalista Augusto Madureia. Foram igualmente homenageadas Isabel Rocha e Maria de Fátima Peleira por 25 anos de serviço na autarquia. Mariana Lopes, Igor Gago, Miguel Rodrigues e Priscila Viegas, estudantes do ensino secundário, receberam Diplomas de Mérito Escolar.

Novidades para o concelho

António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão garantiu que até até final do mandato, quer reabilitar e ampliar vários equipamentos escolares do concelho, alargar o «Projeto Cuidar» às populações mais novas, através de um rastreio visual a todas as crianças com 5 anos, intervir em todos os parques infantis do concelho, requalificar os polidesportivos da Cavalinha e do Bairro 28 de setembro, construir a nova ecovia Faro-Olhão, e investir de cerca de 4 milhões de euros na requalificação dos 800 fogos de habitação social.