Desidério Silva quer dar pujança a «Albufeira que quase parou no tempo»

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Com experiência de 10 anos ao leme da autarquia, findados com a saída para a Região de Turismo do Algarve (RTA), Desidério Silva tenta o seu regresso à liderança dos destinos da cidade com um movimento independente, «sem pressões dos poderes políticos».

«Albufeira é a minha vida, o meu coração, o meu sonho de paz e futuro para todos. Anuncio que serei candidato à presidência da Câmara Municipal de Albufeira nas próximas eleições autárquicas, tendo criado o movimento Desidério por Albufeira, com candidaturas a todos os órgãos autárquicos do município». Foi assim que Desidério Silva, de 69 anos, deu o tiro de partida na sua corrida à disputa eleitoral marcada para outubro deste ano, numa cerimónia realizada no coração da cidade, no Jardim Dr. Frutuoso da Silva, nesta quarta-feira, 10 de março.

Esta é, de resto, uma função que o antigo presidente da RTA, entre 2012 e 2018, conhece bem. Desidério Silva ocupou a cadeira do poder, em Albufeira, durante 10 anos, entre 2002 e 2012, na altura ligado ao Partido Social Democrata (PSD) e com o atual presidente, José Carlos Rolo, como seu braço direito.

Agora, o experiente político encabeça um movimento independente, composto por «gente da terra e sem filiações partidárias, pronta a intervir de forma mais consciente e sem pressões. O rumo da cidade não pode estar na mão de poderes políticos». A ideia maturou desde junho de 2020, quando oficializou a sua saída do PSD.

Garantindo que não é uma candidatura «contra ninguém na Câmara», Desidério Silva promete fazer «uma campanha positiva» mas discorda «da estratégia e da importância que Albufeira tem atualmente no panorama nacional e internacional. Somos uma marca muito forte, temos de passar outra imagem. Sempre tivemos uma perceção positiva e temos de a recuperar. Não estamos à altura do que já estivemos».

Para isso, garante, «há formas de fazer diferente, e os meus seis anos na RTA deram-me formação e conhecimento suficiente para reforçar a marca Albufeira. E também me sinto muito mais competente, conhecedor e disponível para certas matérias, do que quando saí, em 2012».

E que autarquia espera Desidério Silva encontrar agora, nove anos depois da sua saída? «Espero encontrar uma Câmara que não estará tão bem como a deixei», responde taxativamente, deixando ainda a fórmula para «recuperar a marca»: «Há departamentos que precisam de uma intervenção mais musculada e de reajustamentos. Temos de valorizar as pessoas que existem com competência, para começar a resolver os projetos e os problemas em tempo útil e não em três ou quatro anos, como sucede atualmente».

Lembrando várias vezes a independência deste projeto, o candidato à presidência do município afirmou, com alguma mágoa, que «Albufeira quase parou no tempo», garantindo sentir-se «mentalmente jovem para dar outra pujança e dinâmica a esta terra. Não por mim. Eu já fiz carreira política, não a vou fazer agora. Mas não posso ficar na expectativa, deixar os partidos decidir, entre eles, o que querem. Antes, tinha de engolir alguns sapos, agora vou levar as coisas como eu quero».

Caso seja eleito, o líder deste movimento assume a necessidade de «rever os instrumentos de planeamento do território, nomeadamente o Plano Diretor Municipal, os planos de urbanização e planos de pormenor, «de forma a criar condições para implementar industrias não poluentes e investimentos com mais empregos».

Desidério Silva

Desidério Silva quer também «priorizar a habitação e a fixação de residentes», sem esquecer o desejo de ter «uma Albufeira cuidada e verde, formada, com cultura, e a aproveitar as novas tecnologias. Quero dar um grande contributo na luta contra as alterações climáticas e apostar na gastronomia, no artesanato, agricultura e pescas. Temos de potenciar o que é nosso e criar condições para o futuro dos nossos jovens, garantindo que nada falta aos nossos idosos».

Manifestando a sua «total tranquilidade» para enfrentar os meses até às eleições, Desidério Silva admite que, nos 10 anos em que liderou a autarquia, «não foi tudo bem feito, mas estamos sempre a tempo de limar arestas. São 25 anos ligados à causa pública, de honestidade e competência, que não podem ir para a prateleira. Os partidos são importantes, mas não são tudo nas nossas vidas. Comigo todos terão voz, sem truques na manga, apenas por Albufeira, de todos e para todos», garantiu.

Candidatos às juntas de freguesia estão quase fechados

O candidato à Câmara Municipal de Albufeira, Desidério Silva, anunciou ter já praticamente fechados os nomes dos concorrentes às juntas de freguesia do concelho. Segundo o antigo autarca, foi uma lufada de ar fresco «ninguém apontar ou julgar os nomes, de nenhum partido. Tive liberdade total para convidar os membros que entendi, muitos deles que recusavam ligar-se a partidos, e com muitas mulheres no processo».

Assim, para a Junta de Freguesia de Albufeira e Olhos de Água, a candidata será Filipa Sousa; na Junta de Freguesia de Ferreiras, será Filipe Rossa a tentar chegar à presidência; em Paderne, concorrerá Maria Emília Bexiga, anteriormente ligada ao Partido Socialista e agora integrante deste movimento independente e por fim, para a Junta de Freguesia da Guia, ainda não foi anunciado o candidato mas o processo está a ser conduzido por Rui Marrachinho.

O candidato à presidência da Assembleia Municipal, por sua vez, será Raúl Ferreira.

Movimento Desidério por Albufeira

Turismo é importante, mas cidade precisa de mais dinâmica

Com seis anos de experiência acumulada na presidência da Região de Turismo do Algarve, Desidério Silva diz ter tomado «maior consciência de diversas realidades nacionais e internacionais. Cerca de 40 por cento das camas turísticas no Algarve, estão em Albufeira».

Por isso, e num tempo dominado pela pandemia, que marcará certamente o arranque do próximo mandato autárquico, o candidato assume sem rodeios que «vivemos num concelho onde dependemos muito de quem nos visita, e estamos a sofrer os efeitos dessa situação». Por isso, «temos de nos adaptar a esta realidade e ser resilientes. Melhorar a oferta turística e oferecer novas atrações a quem nos visita, combater a  tão falada sazonalidade. Não podemos oferecer apenas sol e praia. É tempo de apostar em novos atrativos turísticos no lazer, desporto e cultura».

Ao mesmo tempo, Albufeira precisa, nas palavras de Desidério Silva, «de uma dinâmica nova, de uma intervenção mais humana e solidária, de se reinventar. Precisa de mais identidade, mais cultura e mais e melhores espaços públicos. Dar uma nova vida a quem cá vive. Temos de ser uma Albufeira mais atenta ao futuro, onde todos tenham uma resposta rápida aos seus problemas, e tem de existir uma interligação total entre as juntas de freguesia».