Debate público do movimento cívico «Tavira Sempre» juntou dezenas

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Foram muitos os tavirenses que responderam à chamada do movimento cívico «Tavira Sempre» e compareceram ontem, sábado 23 de novembro, no Clube de Tavira para debater o projeto da nova ponte sobre o Rio Gilão. Lamentam a recusa da autarquia em escutar os munícipes para, em diálogo, encontrar uma proposta consensual. Da reunião resultou também uma resposta ao Partido Socialista (PS) de Tavira.

O salão do Clube de Tavira encheu-se pouco depois das 16 horas, na sequência do convite público que o «Tavira Sempre» Movimento Cívico formulou através das redes sociais e de flyers distribuídos na cidade.

O debate aberto tinha um ponto único na ordem de trabalhos, a construção de uma nova ponte sobre o Gilão. Ainda assim, a reunião estendeu-se por mais de duas horas.

A sessão foi aberta pelos membros do «Tavira Sempre». Fez-se um detalhado ponto de situação sobre o que se conhece do projeto, a sua integração na rede viária da baixa da cidade, o corte do Jardim do Coreto e as dificuldades de diálogo com a presidente da Câmara Municipal de Tavira, Ana Paula Martins, e com o atual Executivo Municipal.

Muitos dos presentes tomaram a palavra e foi praticamente unânime a reprovação relativamente ao projeto em fase inicial de construção, ao corte do Jardim do Coreto para se criar uma nova via de circulação rodoviária e, sobretudo, à recusa da autarquia em escutar os seus munícipes para, em diálogo, encontrar uma proposta adequada e consensual.

As hipóteses de ser apresentada uma providência cautelar para tentar travar, ainda que de forma temporária, a obra já em curso foram igualmente debatidas, embora quer os membros do «Tavira Sempre», quer muitos dos presentes tenham a expectativa de que a Câmara Municipal possa mudar de atitude e repensar o projeto.

O «Tavira Sempre» distribuiu entre os presentes um pequeno «boletim de voto» para um referendo informal.

No «boletim» foram colocadas quatro hipóteses à escolha, abrangendo desde a construção de uma ponte pedonal no local da ponte provisória, a construção de uma ponte pedonal noutra localização, a não construção de qualquer nova ponte ou a concretização do projeto em curso, com uma faixa para trânsito automóvel.

Nos próximos dias, segundo os membros do «Tavira Sempre», serão divulgados os resultados da sondagem informal, a par das novas iniciativas que serão adotadas para manter viva a esperança relativamente ao repensar da toda a obra e das suas repercussões na cidade.

O movimento, que espera também ver o seu grupo de trabalho fortalecido, na sequência do apelo lançado e das «promessas» de colaboração que alguns dos presentes fizeram, voltou a recordar a existência de uma petição online e destacou a necessidade do mesmo ser subscrito pelo maior número possível de cidadãos.

PS de Tavira: «convém não dizer mentiras»

Este assunto já mereceu, na semana passada, uma tomada de posição por parte do Partido Socialista (PS) de Tavira, que acusa este movimento de «lançar uma campanha contra a Câmara Municipal de Tavira».

Por isso, os responsáveis do «Tavira Sempre» divulgaram ontem uma resposta, enviada às redações.

«Com o devido respeito, o PS de Tavira julga estar a ser perseguido por um grupo de cidadãos, que corajosamente se organizou em torno de um projeto que, e aí estamos de acordo, tem uma enorme importância para Tavira», lê-se na nota.

O movimento considera que o PS «tem andado distraído quanto ao que se passa na cidade. Pretende passar uma borracha na história, tentando apagar da memória todos os que, desde há anos, bem antes do «Tavira Sempre» ter nascido, se mostraram preocupados com este projeto. Perplexos com o facto do executivo camarário não ter sido capaz de, junto da população, suscitar a discussão de alternativas a esta ponte».

«Não deve ainda o PS de Tavira, cujo presidente [João Pedro Rodrigues] coincide ser o vice-presidente e vereador com o pelouro do Urbanismo, Planeamento e Ambiente, apoucar o movimento. Fica mal, soa a argumento de última hora de quem nada tem para dizer e representa um ataque a tavirenses que se juntaram, na realidade, para fazer o trabalho dele e o dos seus companheiros de executivo camarário. Ou seja, reunir informação, partilhar essa informação, contribuir para a formação de uma opinião».

«Em apoio a um executivo camarário, que tarda em dar as respostas justas, o PS Tavira vem lembrar que a construção de uma nova ponte constava do respetivo programa eleitoral».

No entanto, «não foi capaz de explicar por que razão esse mesmo programa não revelava mais do que a construção de uma nova ponte do Rio Gilão na localização da atual ponte provisória. Não explicava em que medida a requalificação do Jardim do Coreto e frentes ribeirinhas se deverá articular com este projeto. Quais as futuras valências da ponte, que plano de mobilidade defendia para as ruas e jardins adjacentes, ou que cortes pretendia executar no espaço pedonal».

O movimento refuta ainda explicação avançada pelo PS de Tavira de que «o projeto foi conhecido, após seleção entre várias propostas apresentadas e divulgado para quem tivesse interesse em manifestar opinião».

«De que fala o PS de Tavira? Das feiras em que o projeto foi, alegadamente, apresentado ou está a falar daquela reunião para autarcas? Não é assim que se envolve a comunicação nas decisões estruturantes do município. Se quisessem, de facto, colocar o projeto à consideração dos tavirenses, se o quisessem explicar à população, teriam feito uma consulta pública no âmbito de um processo de avaliação de impacto ambiental. Mas isso não fizeram».

«Este movimento começou a existir agora, perante um aparente facto consumado que é a construção da ponte. Percebemos o incómodo mas se não nos dessem motivos para partilharmos com a comunicação social este processo completamente feito à margem das populações, não haveria qualquer polémica. Concluímos dizendo o seguinte: não vale a pena fazer teorias da conspiração em torno deste movimento que nada mais é do que um movimento contra ESTA ponte; não tem pretensões políticas, embora faça política ao promover o debate e o pensamento, algo que este executivo nunca fez».