COVID-19: Saúde acredita na imunidade de grupo no Algarve até agosto

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Faltam vacinar cerca de 300 mil pessoas na região, momento em que a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve acredita que será possível chegar ao mês de agosto com 70 por cento da população vacinada.

No momento em que o índice de transmissibilidade (rt) da doença COVID-19, no Algarve, se encontra a 1,05, superior ao nacional, que é de 1,02, Paulo Morgado, presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do do Algarve, durante a conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica, no dia 12 de abril, deu nota de que até à data [números de dia 10/04] foram administradas 82209 vacinas, sendo que 23423 pessoas já receberam as duas doses.

Questionado sobre se haveria hipótese da região atingir a imunidade até à época alta, de forma a não prejudicar tanto o mercado do turismo, o presidente afirmou que o plano de vacinação está feito à escala nacional e não à regional, mesmo quando no Algarve a prevalência da variante inglesa tem uma percentagem superior à nacional [94 por cento para 82,09].

«A estirpe do Reino Unido, quando entra num país, ou numa comunidade, torna-se facilmente predominante porque o vírus replica-se mais facilmente e gera mais casos. A situação no Algarve não é assim tão diferente daquela que é a situação nacional. Ou seja, também no país, a variante inglesa já se tornou dominante. Não podemos dizer que vamos vacinar mais na região só por termos mais casos de variante inglesa», começou por dizer.

No uso da palavra, Morgado justificou ainda aos jornalistas que com o plano de vacinação que Portugal está a desenvolver, «muito provavelmente vamos ter a chamada terceira fase de vacinas, a iniciar no final do mês de abril ou no início de maio, onde vamos começar a vacinar dos mais velhos aos mais mais novos».

«Partindo do princípio que a idade é um fator de risco para as complicações da doença, vamos ter, nos próximos meses, na sequência deste plano, uma vacinação que vai abranger a população adulta em geral, começando nos mais velhos. Este é um plano para seguir a nível nacional, não há planos regionais de vacinação. O Algarve vai seguir o ritmo das outras regiões. Recebemos as vacinas e administramos consoante aquilo que é a nossa população residente», disse.

Foi nesse sentido que o responsável da ARS proferiu que «vamos chegar a valores idênticos de cobertura vacinal, muito provavelmente antes de agosto. Faltam vacinar 300 mil pessoas. Se vacinarmos essas 300 mil pessoas ao ritmo de três mil por dia, que nem é elevado, em 100 dias vacinamos estas 300 mil pessoas. Aí temos uma taxa de cobertura que ultrapassa os 70 por cento da população em risco. Vamos chegar ao verão com a população coberta, dentro deste valor».

Ainda sobre a percentagem dos 70 por cento, Morgado referiu que se trata de um valor «discutível, que não é consensual, mas que é aceite em termos de imunidade de grupo, chamado de barreira psicológica».

Já sobre o atual rt da região, Ana Cristina Guerreiro, delegada de saúde regional, disse que o desconfinamento estava a decorrer tal como nas outras regiões, de forma «correta e ponderada».

No entanto, o «Algarve é muito convidativo a andar na rua e poderemos eventualmente ter usufruído mais e melhor das esplanadas nesta fase do que as outras regiões, com chuva. O que nos é respondido nos inquéritos epidemiológicos é que os locais de transmissão, a maior parte das vezes, são dentro de casa».

Ou seja, «famílias inteirinhas que estão positivas. Penso que, nesta fase, à medida que vamos avançando da pandemia, perdeu-se, de certa forma, o medo à doença. As pessoas agora estão positivas e lidam umas com as outras dentro de casa como se não estivessem e ao fim de dois dias estão todos positivos. Depois, o facto de termos muitas crianças pequenas positivas, também favorece a transmissão familiar».

Por outro lado, Paulo Morgado explicou que «o número muito grande de pessoas em isolamento profilático tem ajudado a controlar a situação. Além disso, a vacinação e a testagem, que estamos a fazer de forma maciça, sobretudo nos concelhos mais preocupantes, são as armas que temos para controlar esta situação».

«O fundamental é agir rapidamente. A saúde está a dar conta do recado, assim como outras entidades e ministérios. Desde o dia 15 de março que fizemos mais de 26 mil testes com 866 casos positivos. Estamos a testar em massa e a isolar com grande rapidez quer os casos primários, quer os contactos de alto e de baixo risco», concluiu.