COVID-19: «Nunca tivemos tantos doentes internados» no Algarve

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Ana Cristina Guerreiro, delegada de Saúde Regional do Algarve disse esta tarde aos jornalistas que «estamos num momento complicado e de exigência, tal e qual como todas as regiões do país».

«Não estamos diferentes. Temos uma média à volta dos 350/400 casos diários nos últimos 10 dias. À meia noite tivemos 424 casos. Temos um total de casos confirmados de 13910, 5074 casos ativos, dos quais no domicílio estão 4841, em internamento 233 e destes estão 33 em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), sendo que 17estão  ventilados. Nunca tivemos tantos doentes internados. Hoje tivemos sete óbitos e em vigilância ativa, casos e contactos estão 5637 pessoas, que são estas que as forças policiais fazem vigilância da sua permanência no domicílio» começou por explicar Ana Cristina Guerreiro, delegada de saúde regional, esta tarde aos jornalistas.

Na conferência de imprensa para dar conta da atual situação epidemiológica no Algarve, que teve lugar nas instalações do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve, em Loulé, a responsável não escondeu que as «nossas principais preocupações relacionam-se com os lares de idosos e os cuidados continuados».

Por outro lado, nas escolas, ao longo das últimas semanas, desde o início da época escolar, foram surgindo muitos casos de infeção por COVID-19.

«Casos que vinham de transmissão familiar. Temos um número elevado de casos neste grupo etário que até aqui não se tinha apercebido e que não tinha existido na realidade um número tão grande de crianças em idade escolar com teste positivo», afirmou a delegada de saúde regional, apesar de não ter revelado números exatos, mesmo com a insistência dos jornalistas.

No que diz respeito aos profissionais de saúde infetados, Paulo Morgado, presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, informou que «temos 47 na região, a maior parte» no Centro Universitário e Hospitalar do Algarve (CHUA), «mas nenhum deles internado. Não temos referências a casos graves. 127 já recuperaram da infeção».

Do ponto de vista da capacidade hospitalar, e ainda segundo Paulo Morgado, «temos dados referentes às 24h00 de ontem de 200 doentes internados na região, com total de camas abertas de 242».

Em UCI há «33 doentes internados, para uma capacidade total de camas COVID, que neste momento estão abertas, de 42. Temos 17 doentes ventilados».

Morgado sublinhou que «esta capacidade, que neste momento está aberta, ainda poderá ser expandida, caso exista a necessidade e esperemos que não seja necessário».

O presidente da ARS confirmou a «contratação de duas unidades privadas que estavam desativadas, o Hospital de Santa Maria em Faro e o Hospital de São Gonçalo em Lagos, que os seus proprietários decidiram desativar por diferentes motivos e que foram contratadas no sentido de poder expandir a capacidade de internamento não COVID», tal como o barlavento hoje informou.

A unidade de Lagos tem 26 camas de internamento mais duas salas de blocos operatórios e em Faro «estimamos à volta de 24 camas de internamento».

Caso não seja suficiente, «temos um meio-acordo, uma pré-adesão com os privados, no sentido de serem disponibilizadas ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) um total de cerca de 57 camas para doentes não COVID. Todas as entidades da região demonstraram disponibilidade. Essa capacidade existe e está disponível e poderá ser utilizada caso seja necessário. Também temos essa margem de manobra que nos permite ter aqui algum conforto, se é que podemos ter algum conforto numa fase tão difícil como a que estamos a passar», sublinhou Paulo Morgado.

Outra mensagem que o responsável pela ARS Algarve quis deixar foi «a capacidade laboratorial do Algarve, que acho que este aspeto é importante de sublinhar, uma vez que estamos numa fase de confinamento total, onde o importante também é testar, testar, testar e depois isolar e fazer o rastreio de contactos para conseguirmos controlar esta doença com mais facilidade».

«Temos estado a fazer um esforço, que acho que é gigantesco, do ponto de vista da nossa capacidade laboratorial. No país, o dia em que se fizeram mais testes, o recorde, foi no dia 19, com cerca de 70 mil testes pelas entidades privadas, SNS e academia. O SNS foi responsável por cerca de 20 mil testes, os privados cerca de 45 mil e a academia à volta de cinco mil. O nosso laboratório da região está a fazer, neste momento, um número que ronda os dois mil testes por dia. É uma capacidade que multiplicou por sete vezes a capacidade de testagem que tínhamos na primeira vaga em março, onde fazíamos cerca de 300 testes por dia», estimou.

«Houve um incremento que acho que é notável. Do ponto de vista daquilo que é a capacidade dos operadores privados de realização de testes na região, na última semana, foram feitos cerca de 2600 testes, o que também foi um recorde».

«Estamos de facto a testar, a testar muito e diria até que em termos percentuais acima daquilo que é a média nacional em termos de testagem por 100 mil habitantes. Estamos de facto a testar muito na nossa região e isso era um aspeto que queria também tranquilizar aquilo que são os algarvios e passar esta mensagem», acrescentou.

Os dados podem ser consultados aqui.