COVID-19: nova variante do Coronavírus poderá estar a afetar Tavira

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A rápida ascensão do número de casos de COVID-19 no concelho de Tavira leva as autoridades de saúde a suspeitar que poderá tratar-se da nova variante do Coronavírus.

A revelação foi feita esta manhã em Loulé, durante a primeira conferência de imprensa de 2021 para dar conta da situação epidemiológica na região, no dia em que há a registar mais 419 casos ativos de COVID-19 no Algarve.

Para já, «começámos o 2021 com uma situação epidemiológica preocupante porque na sequência de alguma flexibilidade na altura do Natal, um pouco mal aproveitada por parte de alguns cidadãos, temos nessa consequência, uma situação agora um bocadinho pesada», começou por dizer Ana Cristina Guerreiro, delegada regional de saúde do Algarve.

Ou seja, «para contextualizar, nós que andávamos, durante bastante tempo, com números à volta dos cento e tal casos. No dia 4 de janeiro, segunda-feira, ainda reportámos 192 casos, mas no dia seguinte, dia 5, passámos para 394, no dia 6 tivemos 373 e no dia 7, ontem até à meia noite, tivemos 419 casos. Estes nossos números são um pouco diferentes dos números da Direção-Geral de Saúde [que reportou 400], mas são os números que estão na nossa base de dados e são os doentes e as pessoas que seguimos», garantiu aos jornalistas.

Assim, fazendo um ponto de situação, a delegada regional de saúde do Algarve informou que «neste momento, temos um número acumulado de casos de 9515, com 6550 recuperados, 85 óbitos e 2880 casos ativos».

Na região algarvia, «o número de casos em vigilância ativa, ou seja casos e contactos que são vigiados também pelas forças policiais relativamente ao seu confinamento, são 3381. Às 24 horas de ontem, temos 92 doentes internados, 17 dos quais em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) e destes, nove ventilados», contabilizou.

Ana Cristina Guerreiro não escondeu a grande preocupação com o concelho de Tavira, que «pela taxa de incidência mais elevada e pelo aumento brusco do número de casos. Já é público que o foco inicial desta subida terá sido num ginásio. No entanto, a seguir a esse grupo inicial, as pessoas comemoraram os natais com as suas famílias e isso gerou esta subida grande de casos», explicou.

«Pomos a hipótese de estar eventualmente a ser responsável a nova variante do vírus» da COVID-19 em Tavira.

«Já enviámos amostras ao Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) para incluir o estudo que estão a fazer nesse sentido de investigação para todo o país e foram também amostras de casos de Tavira. Houve necessidade de uma ou outra medida diferente para este município», acrescentou.

A responsável, no entanto, quis deixar claro, que ainda não há «conclusão nenhuma. Nós suspeitamos que possa estar a acontecer porque tivemos um aumento rápido e grande. Como sabemos que a nova variante tem uma transmissibilidade superior, pomos esta hipótese. Pode até nem ter acontecido. Só realmente a investigação agora iniciada o dirá».

Em relação aos outros municípios, e aqui também incluindo Tavira, «não temos propriamente uma transmissão por surtos localizados, mas sim de uma forma generalizada pela região».

Questionada sobre a possibilidade de se encerrarem as escolas em Tavira, Guerreiro confirmou que «já recebemos o pedido. Pedi no meu departamento que fizessem uma análise dos últimos 14 dias, mas em particular da última semana, e por grupo etário, para poder tomar a decisão».

«Sei que tem de ser hoje porque as escolas precisam de comunicar aos pais e até ao final do dia tomaremos essa decisão. Não está tomada ainda. É uma decisão que tem de ser sempre articulada com o nível local e com o nível nacional e até ao final do dia terá que ser tomada», garantiu.Além de Tavira, até ao dia de hoje, «não houve mais municípios a pedirem o mesmo, mas existe sempre, pontualmente, em determinados locais, a tendência para se pedir para se encerrarem as escolas. Aproveito para dizer que a escola não é um local propiciador da transmissão do vírus. Temos provado, ao longo do tempo em que as escolas funcionaram, que não é dentro da infraestrutura que essa transmissão existe», referiu.

«Existem muitos casos, e neste momento temos vários alunos infetados, porque os alunos são uma parte da população, mas também são uma parte da família. Começou o ano letivo e chegaram alunos que vinham em período de incubação e que entretanto ficaram doentes. Dentro das turmas, o que se tem provado, é que a forma como as escolas estão a funcionar não proporciona essa transmissão. Será eventualmente no contacto social entre alunos, cá fora. Ou seja, mesmo o próprio governo está a ponderar tomar mais medidas deixando as escolas a funcionar e é com base, precisamente, no incidente que temos desta situação».

Sem querer fazer um prognóstico das próximas semanas, a responsável explicou que «a multiplicação de casos tem a ver com as próprias caraterísticas do vírus e tem a ver como nós nos comportamos. Pensamos que este aumento foi devido à reunião de famílias oriundas de vários locais. Tinha sido recomendado que não o fizessem, mas sabemos pelos critérios epidemiológicos que isso aconteceu, que houve reuniões familiares com número elevado de pessoas e com origens diferentes e foi isso que provocou este aumento tão rápido».

Neste momento, «o que temos é este número de casos grande na nossa região, em princípio totalmente isolados porque desde o momento em que os serviços de saúde pública têm conhecimento da positividade de uma pessoa determinam o seu isolamento. Contamos com esta medida que não haja uma transmissão idêntica e que não haja uma subida progressiva do número de casos. Julgamos que desde esta última semana, onde tem havido um grande trabalho na identificação de casos e determinação do isolamento, que consigamos não aumentar tanto o número de casos», disse ainda.

«Esperemos que este ano seja melhor que o anterior e que nos vá devolvendo progressivamente a liberdade que perdemos de fazer coisas simples, que gostamos e que são importantes para todos», concluiu Ana Cristina Guerreiro.

Estrangeiros não são a fonte do problema

Questionada sobre se a comunidade estrangeira residente possa ter alguma coisa a ver com a atual situação epidemológica que se vive no Algarve, a delegada regional de saúde refutou tal hipótese.

«Recebemos um pedido por parte do INSA para analisar, na documentação disponível, os nossos casos em relação às pessoas que vieram do Reino Unido, portugueses e estrangeiros. Não há aqui qualquer segregação porque provavelmente a maior parte das pessoas que vieram até são portuguesas que estavam lá a trabalhar e vieram cá passar o Natal. É nesse conjunto que irá ser feita também essa análise. Não reconheço nenhuma maior transmissibilidade em cidadãos estrangeiros», sublinhou.