COVID-19: 14 casos positivos em equipas da Fórmula 1

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Informação foi avançada pela delegada de saúde regional Ana Cristina Guerreiro. Tratam-se de 14 estrangeiros, membros das equipas em competição no Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1, que decorreu entre os dias 23 e 25 de outubro no Autódromo Internacional do Algarve (AIA), em Portimão.

Na conferência de imprensa regional para ponto da situação da pandemia da COVID-19, na manhã de hoje, sexta-feira, dia 30 de outubro, Ana Cristina Guerreiro deu nota de dois novos surtos no Algarve, ambos com foco em Portimão.

O primeiro está relacionado com o evento de Fórmula 1, que decorreu no AIA. «Temos identificados 14 casos positivos, todos de estrangeiros, relacionados com as equipas que vieram trabalhar para a competição. Os resultados foram confirmados entre o dia 20 e o dia 29. Alguns foram identificados inicialmente pelas próprias equipas de testagem que faziam parte do plano de contingência da organização. Outros, por sintomatologia, que recorreram a serviços de saúde na região», começou por revelar.

Questionada sobre que medidas não correram como esperado no evento que trouxe 27500 pessoas ao Autódromo, a delegada de saúde enumerou.

«Uma questão que verificámos que não correu muito bem foi a permissão do público em alterar o seu lugar. O plano foi feito com venda de bilhetes numerados e as cadeiras tinham um número. As pessoas têm a tendência de subirem nas bancadas para verem melhor e fizeram-no. Depois, o facto de ter sido também necessário recolocar as outras pessoas a encaixaram-se nas que já estavam sentadas».

«Isso fez alguma concentração em duas bancadas. Outra coisa que constatámos foi que os vigilantes solicitavam às pessoas que cumprissem as medidas, mas eram pouco firmes e pouco exigentes. Deveria ter havido um maior rigor na manutenção dos lugares e não haver tanta mobilidade. Até verificámos mobilidade entre um sector e outro e no parecer isso não existia», disse.

Estas situações, ainda de acordo com Ana Cristina Guerreiro, devem ser tidas em conta para a próxima prova do AIA, a de Moto GP, com data marcada para os dias 20 e 23 de novembro.

«Eu deixaria estas sugestões. Eventualmente até reduzir o número de público autorizado. O número de capacidade máxima do AIA é grande, mas temos de contar com uma percentagem de lugares sentados um pouco menor. Poderemos reconsiderar por aí. Ou então, se a situação no país piorar bastante, pode fazer sentido não haver público de todo».

Apesar do parecer técnico ser dado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), a delegada afirmou que se trata de «uma decisão que não é fácil. Colaboro no que é necessário e muitas vezes sou os olhos da DGS para reportar e responder a algumas questões necessárias. No entanto, não sei o que vai acontecer, não sei como vai evoluir a situação epidemiológica do país nem como irá ser interpretado por parte de quem decide».

Nas palavras de António Miguel Pina, presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil, «nas filas de espera e nos período de entrada para o Aeródromo nem sempre se verificaram as medidas de segurança. Temos de corrigir para o Moto GP. Este é um momento que vamos vivendo por experiências e erros».

Ainda assim, segundo o também presidente da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, tanto a prova de Fórmula como a de Moto GP, «são importantes para este equilíbrio que é a economia e o controlo da epidemia».

António Miguel Pina e Jorge Botelho.

«Os números do desemprego crescem de uma forma muito elevada e claro que estes eventos são entendidos também como âncoras para travá-lo. Vamos fazendo as coisas por tentativa, erro e correção. Ainda não está no tempo de se poder avaliar qual o efeito de transmissão que teve a Fórmula 1, só na próxima semana, mas é desejável que continue a acontecer», disse.

«Este é o equilíbrio que todos temos de fazer. É preciso que estes eventos existam, que a economia funcione e que todos sejam responsáveis. Houve alguns erros, mas certamente essas aprendizagens serão feitas e corrigidas no próximo. Da nossa parte, e como algarvio, é desejável que o Moto GP exista e tenha público».