CODU regressa ao Algarve e integra nova sede do INEM em Loulé

  • Print Icon

Novo edifício do INEM é um investimento do município de Loulé mas vai servir toda a região. Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) regressa ao Algarve.

Num investimento de perto de 1,8 milhões de euros, a construção das novas instalações do INEM arrancaram hoje na cidade de Loulé com uma boa notícia para o Algarve: passados alguns anos de ausência, a região vai voltar a ter uma delegação do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Algarve, uma componente fundamental nos serviços de emergência médica e socorro, que ficará integrada neste edifício.

Entre 2000 e 2012, este serviço esteve ativo mas, desde então, funciona como uma extensão do CODU Lisboa (que cobre toda a área entre Fátima e o sul do país).

«Ficámos com a valência do acionamento e, de algum tempo a esta parte, tem havido um progressivo retomar de valências que esperemos que, com a publicação dos estatutos e a criação formal da delegação regional, se passe a ter um CODU no Algarve em pleno», adiantou Carlos Raposo, responsável regional da instituição, ontem, quinta-feira, dia 27 de maio.

Atualmente o INEM opera num espaço exíguo e sem muitas condições, localizado no Mercado Abastecedor de Faro, «que não consegue responder à quantidade de atividade que existe neste momento e que se prevê venha ainda a aumentar», como explicou Carlos Raposo.

Como tal, as instalações que irão nascer em Loulé, integradas na «cidadela de segurança e proteção civil», serão determinantes para apoiar a missão desta entidade na assistência médica, do barlavento ao sotavento algarvio.

O futuro edifício é um investimento financeiro realizado exclusivamente pelo município, mas criado a pensar em todo o território regional e nas suas populações.

Para além de um espaço para o CODU, com um Centro de Atendimento a Chamadas de Emergência e Gabinete de Apoio, esta delegação irá integrar ainda um Gabinete de Coordenação de Enfermagem, estruturas de formação, assim como as instalações para a área de logística e de operações.

No exterior, prevê-se um estacionamento coberto com pontos de carregamento para viaturas elétricas, assim como lugares para parqueamento de bicicletas e motociclos.

O autarca de Loulé foi um dos impulsionadores deste projeto, concretizado no prazo de cerca de dois anos, e neste lançamento da primeira pedra da obra referiu ser este um «edifício que foi pensado, desde o princípio, para acolher toda a estrutura de emergência médica no Algarve».

Vítor Aleixo referiu algumas lacunas que ainda persistem no campo da saúde na região e, como tal, disse ser este investimento «um contributo valioso do Município de Loulé para construir um dispositivo para a saúde pública».

Para o concelho, este será também um polo de atração de «quadros diferenciados». «Loulé ganha com isso, são mais médicos, enfermeiros, serviços, e isso vem consolidar o nosso projeto para esta área que é uma ‘cidadela para a segurança e proteção civil’, com vocação regional», considerou, sublinhando a «excelente relação entre a autarquia e os diversos ministérios» que permitiu localizar em Loulé «serviços modernos, com todas as condições para poderem operar e em que os grandes beneficiários são as populações do Algarve e também os turistas que nos visitam».

A par da recente criação do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil (CREPC) e das futuras instalações do INEM, cujos trabalhos arrancaram neste dia, o autarca falou de outros projetos para esta zona ligados à segurança e proteção civil integrados neste cluster que se prevê esteja concluído dentro de «4 ou 5 anos».

Neste momento está em fase de concurso a ampliação da base permanente de helicópteros no Heliporto Municipal, no valor de 2,5 milhões de euros, com apoio de fundos comunitários, ao abrigo do programa INTERREG.

Quanto ao Comando Regional da GNR, está neste momento em fase de projeto, existindo desde já um acordo estabelecido com o Ministério de Administração Interna para trazer para Loulé este equipamento.

Localizado numa área privilegiada em termos de acessos, o autarca disse que a ideia é potenciar e tirar vantagem desse posicionamento central no contexto do Algarve, nomeadamente com a criação de projetos estruturantes na área da saúde.

Vítor Aleixo no uso da palavra.

É o caso da parceria com o ABC – Algarve Biomedical Center, que prevê a construção de dois edifícios, um em Loulé, direcionado para a investigação e inovação na área das ciências biomédicas, e outro, em Vilamoura, na área do bem-estar e das políticas de envelhecimento ativo e saudável.

Presente na cerimónia esteve o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, José Apolinário, entidade parceira da autarquia, que realçou o facto de o investimento na saúde ser um «investimento estruturante, reforçado face à pandemia global em que vivemos».

Mas disse também ser «muito reprodutivo», explicando que «1 euro investido em saúde tem um efeito multiplicador de 5,7, considerado a 20 anos». No caso deste edifício do INEM referiu que, «além de responder a uma necessidade regional, o seu efeito multiplicador é também assinalável».

O responsável da CCDR falou ainda dos apoios dos fundos europeus na região que poderão «alavancar investimentos estruturantes na área da saúde».

Neste momento estão já aprovados investimentos que representam 28 milhões de euros neste setor no PO regional, dos quais 17 milhões com fundos comunitários.

Um deles é o projeto do ABC no concelho de Loulé.