Coach algarvia quer ajudar a criar «rockstars» no mundo empresarial

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Ana Martins dedicou os seus últimos cinco anos a criar marcas corporativas. Agora, vai pessoalizar a tarefa e ajudar artistas, empreendedores e profissionais especializados a construir a sua marca pessoal, de forma a transformarem-se em «rockstars» da sua área de negócio.

Nas redes sociais, onde todos os dias interage por diversas vezes com os mais de 4500 seguidores, a jovem farense de 27 anos é conhecida por Annie. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade NOVA de Lisboa e até acalentava o sonho de ser jornalista, mas o tempo trouxe um gosto especial pelo mundo digital e pelo marketing.

Em casa, e como diz aos visitantes do seu website, cresceu a ouvir a sua mãe dizer «que para os melhores há sempre espaço, não importa a área e o contexto». Queria «ser bem-sucedida, ser uma autoridade na minha área.

No entanto, ninguém me deu um manual de instruções. Por isso, criei o meu e decidi partilhá-lo», conta ao «barlavento».

E esse manual, vai agora ser posto ao serviço de todos os interessados num laboratório para empresários e empreendedores 100 por cento online – o novo «b.lab» – onde o «b» se refere a branding e business.

Esta academia terá cursos direcionados «para quem se quer lançar no mundo digital, como marca própria ou com um negócio associado».

A tutoria será ministrada totalmente online, com vídeos, manuais de apoio e também no formato podcast.

«Os formandos poderão assistir às aulas quando e onde quiserem. Os conteúdos incluem «um mês destinado à identificação do estado-atual e definição de objetivos e, posteriormente, a uma metodologia 100 por cento desenvolvida por mim para a construção de uma marca pessoal forte e, ainda, conteúdos extra, que incluem Instagram marketing, Facebook, Linkedin e WordPress. No fundo, tudo o que é necessário para começar a bombar enquanto autoridade numa área profissional», detalha.

O curso será apresentado em exclusivo através de uma aula online promovida no website da academia. Os interessados terão de se inscrever para ter acesso ao conteúdo exclusivo dessa aula e a toda a informação relacionada com o curso.

Também haverá um programa de membros com conteúdos mensais exclusivos, disponível para participantes do curso de personal branding e aberto a toda a comunidade interessada em assuntos relacionados com marca pessoal, carreira, criação de projetos e marketing digital.

O conceito «rockstar» surgiu na última edição do Web Summit, em que Ana assistiu ao discurso do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e onde ouviu uma amiga comentar: «ele é mesmo uma rockstar».

Nesse momento pensou: «ninguém procura ser uma marca, até porque essa ideia está muito ligada ao universo corporativo. As pessoas trabalham para serem uma autoridade, para brilharem no que fazem e ser reconhecidas por isso». Foi assim que nasceu o conceito de «rockstar».

É que, como nos explica Ana, uma «rockstar» é uma pessoa capacitada «a ser uma autoridade em determinados assuntos, respeitada, seguida. É alguém que é percebido como credível».

Ao chegar a este conceito o bicho ficou a maturar e, com o estudo na área de personal branding que já estava a fazer, foi levada a outro – star quality, «algo que todos os rockstars têm».

No fundo, é «um pacote de qualidades e dos talentos de cada um, passando pela mensagem e linguagem corporal, que têm de ser postos ao serviço do próprio para transmissão da sua história e mensagem».

Sempre com um pormenor muito importante: «fidelidade aos princípios e não imitar ninguém».

No caso desta algarvia, «as pessoas sempre me ligavam muito à Disney, porque sabem que adoro, juntamente com as roupas escuras e informais. Assim, usei isto a meu favor para a criação da minha própria marca. Isto é, as minhas próprias paixões, características e interesses pessoais fazem parte da minha imagem profissional. Afinal, somos uma só pessoa, está tudo relacionado e só tem de estar».

Com tudo isto começava a ganhar forma o bolo que Ana queria cozinhar. Quando, até aí, a jovem se virava exclusivamente para empresas, fazendo a consultoria e promoção digital e social das mesmas, os horizontes expandiram e a empresária tomou uma decisão: avisou as empresas que, em dezembro, «iriam terminar esses contratos e acompanhamentos».

A estas medidas, juntou um investimento superior a 10 mil euros em formação, onde se inclui uma certificação internacional em coaching «que me ajuda a orientar de forma mais estratégica os meus clientes em assuntos relacionados com carreira e objetivos profissionais» e uma formação profissional em Consultoria de Imagem e Personal Shopper, porque «o vestuário, a imagem e o estilo também comunicam e fazem parte de quem somos e de como somos percebidos».

Mas as novidades não se ficam pelo «b.lab». A coach tem também uma nova loja online com material personalizado para «trabalhar em casa. São canecas, tapetes de rato, cadernos e tshirts, que podem ser customizados com frases, nomes e fotografias. O meu objetivo é promover produtos que permitam a construção de um home office personalizado com a marca de cada um».

Questionada sobre possíveis críticas que possam surgir ao seu negócio ou à sua atuação nas redes sociais, a mentora não se mostra assustada.

«As críticas construtivas são boas. Mostram que alguém nos acompanhou e se interessou por nos contactar. A crítica faz parte da vida. Dou valor a que percam tempo para me somar alguma coisa. Contudo, acho saudável sabermos que nem toda a gente vai gostar de nós ou do nosso trabalho, temos de estar em paz com isso e trabalhar diariamente para sermos cada vez melhores naquilo que fazemos e oferecemos a quem nos acompanha e torce por nós», considera. Os serviços estão todos disponíveis online.

Percurso teve altos, baixos e muita aprendizagem

A jovem farense Ana, conhecida por Annie nas redes sociais, terminou a licenciatura com um estágio curricular em Lisboa, numa grande empresa com várias lojas em Portugal.

A experiência, apesar de «incrível e enriquecedora», terminou com «uma palmadinha nas costas e uma troca de contactos» que nunca teve qualquer resultado prático. As únicas oportunidades a surgir eram estágios não remunerados, algo que Ana recusou «sempre».

Depois, com a escaladas das rendas e a ausência de rendimento para sustentar a permanência na capital do país, voltou ao Algarve com duas propostas de emprego, na área informática.

A empresa escolhida pela recém-licenciada permitia-lhe «trabalhar o marketing a 360º e gerir a sua presença digital». Com o tempo outras empresas que acompanhavam o seu trabalho começaram e pedir-lhe «trabalhos a título individual».

Lançou-se no empreendedorismo com a formação de uma empresa, montou um escritório, criou empregos na sua nova agência digital e escalou a sua atuação para uma nova área de negócio: organização e gestão de eventos e produção de artigos de merchandise. Este novo projeto, abriu a possibilidade a uma nova aventura: merchandising personalizado comercializado numa loja online e física.

Nasceu assim a Dizforme, o primeiro projeto de Ana destinado ao consumidor final. Sem qualquer formação em gestão ou contabilidade e com apenas 22 anos, cometeu erros «que foram uma grande aprendizagem, muitos por basear as minhas escolhas em feelings». O trabalho começou a invadir todos os momentos do seu dia, inclusive «a minha vida privada e isso saturou-me, porque também não eram projetos pensados ao meu estilo, estavam completamente adaptados ao mercado convencional. Comecei a não gostar do que estava a fazer, comecei a avaliar tudo, e percebi que estava na hora de mudar».

Estudar como forma de ocupar os tempos livres

Ana Martins, hoje com 27 anos, é licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade NOVA de Lisboa. A este título, junta uma pós-graduação em Marketing Digital, mas a formação da empresária algarvia não se esgota nas instituições de ensino.

A jovem admite ser «uma curiosa pelo estudo e pela aprendizagem», ocupando grande parte dos seus tempos livres «a ler e a aprender mais sobre diversas áreas». E que áreas são essas? «A gestão, contabilidade, tudo conteúdos que são importantes e indispensáveis para conduzir o meu próprio negócio. Neste momento não tenho tempo para entrar numa nova licenciatura, mas tenho de aprender e de me atualizar para estar apta a enfrentar os desafios que surgem».