Cineteatro António Pinheiro em Tavira pronto «até ao final do ano»

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Com capacidade para 590 pessoas, o renovado Cineteatro António Pinheiro pretende tornar-se a referência cultural no Sotavento.

As obras de reabilitação do Cineteatro António Pinheiro remontam a 2018, depois de vários projetos que acabaram por não vigorar, mas a reabertura do equipamento cultural está para breve, segundo previu Ana Paula Martins, presidente da Câmara Municipal de Tavira, durante as comemorações do Dia da Cidade, na sexta-feira, dia 24 de junho.

«Acredito que até ao final de 2022 as obras ficam concluídas, até porque o prazo de execução era de dois anos e pouco», estimou. O prazo dilatou-se, contudo, devido aos trabalhos de acompanhamento e minimização de impactos arqueológicos, durante seis meses.

Alexandre Miguel Costa.

Ainda de acordo com edil de Tavira, trata-se de uma infraestrutura que muita falta faz ao município. «O Cineteatro tem uma importância enorme para a nossa cidade. Damos prioridade à cultura e temos uma programação constante ao longo de todo o ano, mas estávamos muito condicionados no inverno, devido à disponibilidade dos espaços. Com alguma criatividade, utilizamos as igrejas e o auditório da Biblioteca Municipal Álvaro de Campos, que é muito polivalente, mas não conseguimos acolher grandes espetáculos».
Neste sentido, nas palavras da autarca, o reabilitado auditório «vai possibilitar dar esse passo em frente para nos posicionarmos no Sotavento com uma oferta que pode abranger todas as formas de arte pela polivalência que vai ter».

Outra peculiaridade da infraestrutura, de acordo com a presidente do município, está relacionada com os equipamentos audiovisuais, que deverão ser os mais modernos da região. «Sim. A obra foi feita sem os considerar porque o projeto já tinha alguma antiguidade e também sabíamos que o prazo de execução seria alargado. Portanto, neste momento vamos fazer mais uma pequena empreitada para a adaptação» ao melhor que existe no mercado em termos de luz e som.

O investimento previsto rondava os cinco milhões de euros, financiados a 65 por cento pelo Programa Operacional Regional (PO) CRESC Algarve 2020, com mais 900 mil euros destinados a dotar o edifício de todos os requisitos. No entanto, «com as revisões de preços e a nova legislação, o valor já é superior», sendo que toda a mecânica de cena e plateia ascende, de momento, a um milhão e 700 mil euros (sem contar com o IVA), assegurou Ana Paula Martins.

Todas as artes num único palco

«Ser o mais abrangente possível a nível funcional» foi uma das premissas da reabilitação do Cineteatro António Pinheiro, segundo revelou aos jornalistas Alexandre Miguel Costa, um dos arquitetos responsável pelo projeto.

A nova plateia será retrátil. «Ou seja, pode ser usada completa ou como espaço vazio» se tal for requerido por encenadores e produtores. «Continuamos a ter o balcão, com 200 lugares, ao qual se junta uma plateia modelar, capaz de recolher-se debaixo de um segundo balcão que funcionará como régie, tornando a zona toda plana para eventos em que o elenco fica de pé, como passagem de modelos, atuação de ranchos folclóricos ou convívios de escolas. Poderemos acolher artes performativas, orquestras, peças de teatro, bailado clássico, ópera, sessões de jazz e concertos de rock. E também conferências e colóquios. Seguimos a premissa fundamental de permitir que haja uma black box», especificou ainda.

Alexandre Miguel Costa, Ruben Silva Martins e Ana Paula Martins.

A plateia será tão versátil que permitirá que o público varie entre as 348 pessoas sentadas, com o proscénio (frente de palco) levantado, e as 590 com a bancada recolhida. Ainda assim, segundo explicou Alexandre Miguel Costa, a dinâmica standard serão 370 pessoas sentadas, incluindo um máximo de oito pessoas em cadeiras de rodas, mas tudo pode ser «visto conforme o tipo de espetáculo».

Para ajudar a personalizar o ambiente da sala a cada evento, as laterais terão iluminação que poderá ser programada. As cores poderão ser escolhidas e variar consoante o que estiver em cena no momento.

Também o foyer terá a mesma versatilidade. De acordo com o arquiteto, «a ideia, desde início, foi tornar esta zona num espaço autónomo que poderá ser usado, por exemplo, como pequeno bar, para acolher um concerto informal ou algo mais acolhedor», onde será possível até servir refeições.

Ana Paula Martins: «orçamento é bastante complicado»

Ainda durante as comemorações do Dia de Tavira, na sexta-feira, dia 24 de junho, Ana Paula Martins, presidente da autarquia, disse aos jornalistas que o município enfrenta «muitos desafios», desde a subida generalizada de preços, à descentralização de competências.

«A conjuntura económica e esta escalada de custos das matérias-primas tem levado inclusivamente a uma alteração legislativa. Temos um orçamento bastante complicado. Na última passada tivemos revisões na ordem de 350 mil euros, o que poderá pôr em causa novas empreitadas. O Centro de Meios Aéreos de Cachopo, orçamentado em 900 mil euros, foi adjudicado por 2,3 milhões. Os preços mais do que duplicaram. Temos de priorizar muito bem os investimentos a fazer», afirmou.

Questionada sobre as novas delegações de competências, a autarca lamentou que fossem acompanhadas por um envelope financeiro muito pequeno. «É um desafio sermos mais eficientes e eficazes que o Estado Central. Acho que esse é o grande objetivo da descentralização, sermos mais rápidos a responder aos problemas».

Uma preocupação que está no topo da lista é «a habitação, principal problema do Algarve e do país. Estamos a dar-lhe enfoque sem perder de vista as questões sociais, culturais e desportivas. Também toda a parte social é um desafio porque queremos ajudar quem mais precisa. Queremos que Tavira seja uma cidade inclusiva e com igualdade de oportunidades».

História remonta a 1908

No imaginário da opinião pública, o Cineteatro António Pinheiro, em Tavira, nasceu apenas nos anos 1960. Na verdade, as bases do edifício remontam ao Teatro Popular, construído em 1908, segundo revelaram os arquitetos responsáveis pelo projeto de reabilitação, Alexandre Miguel Costa e Ruben Silva Martins, na sexta-feira, dia 24 de junho.

«As pessoas pensam que foi demolido, mas ainda resta alguma coisa», afirmou Costa. «Quando nos pediram para fazer este projeto, visitámos vários congéneres e começámos a investigar e a perceber quais seriam as dificuldades urbanísticas, conceptuais e funcionais. A zona de palco e camarins era muito rudimentar e passados 50 anos, surgiu a nova tendência de espetáculos, os cineteatros», explicou. Então, deu-se início a um projeto modernista, entre 1964 e 1968, que aproveitou as bases do antigo espaço e assim nasceu o Cineteatro António Pinheiro, tal como era conhecido até ao início das atuais obras de remodelação.

Após as primeiras análises ao edifício, «descobrimos que não havia pilares de betão», mas «estruturas sobre as paredes antigas. Era um perigo! A plateia era côncava e criaram o balcão. Toda a estrutura estava assente sobre paredes, sem pilares. A nível funcional, eram muitas as limitações e os artistas que queriam ir à plateia tinham de sair do edifício para lá chegarem. O mamarracho foi feito sobre as paredes do teatro original, uma estrutura que não é compatível com espetáculos que se pretendiam acolher aqui», acrescentou.

Apesar de todas as dificuldades, tratava-se de um edifício que não poderia ser demolido, pelo que 75 por cento do mesmo foi mantido nesta empreitada de recuperação.

União de Freguesias de Tavira ganha nova sede

Durante o Dia de Tavira, celebrado na sexta-feira, 24 de junho, houve ainda tempo para visitar as obras de reabilitação do edifício do Compromisso Marítimo, situado em frente ao Cineteatro António Pinheiro em obras.

Até à data, não tinha sido revelado o destino a dar áquele espaço, mas Ana Paula Martins, presidente da Câmara Municipal de Tavira, quis acabar com as dúvidas.

Ana Paula Martins e Macedo Lopes.

«Inicialmente, estava previsto ser um edifício para acolher os serviços administrativos municipais. Entretanto, o então e atual presidente da Junta de Freguesia, em conjunto com o então presidente da Câmara [Jorge Botelho], decidiram que seria a sede da União de Freguesias de Tavira».

De acordo com Joaquim Macedo Lopes, empreiteiro e gerente da Lovimec, empresa responsável pela empreitada, «a obra está em fase de acabamento e, em princípio, mais um mês e está pronta».