Cidadãos estão contra a utilização de glifosato na Ribeira de Aljezur

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Um grupo de cidadãos põe em causa o projeto para a requalificação da Ribeira de Aljezur. Alegam desconhecer uma Avaliação de Impacto Ambiental.

Recentemente foi aprovado o projeto para a requalificação da ribeira de Aljezur. Uma das medidas descritas no projeto, passa pela aplicação de um herbicida de nome «Piton Verde» nas canas (Arundo donax).

Este herbicida é composto por um químico associado a casos de cancro e a sua aplicação será repetida três vezes, ao longo de cinco quilómetros e até 10 metros de largura das margens da ribeira. O glifosato é proibido em muitos países europeus.

A legislação portuguesa exige permissão especial para o uso deste químico perto de cursos de água. O uso é proibido onde o glifosato pode contaminar os recursos hídricos subterrâneos.

Aliás, a ficha de dados de segurança para o herbicida proposto, afirma claramente «não permitir a contaminação do sistema de drenagem público ou de águas superficiais ou subterrâneas».

Os cidadãos de Aljezur «não foram informados atempadamente que a Câmara local pretendia utilizar este herbicida para eliminar a Cana de ribeira (Arundo donax), recentemente cortada com maquinaria pesada, e por isso, a pedido de dezenas de moradores preocupados, foi realizada uma reunião com carácter de urgência, no dia 11 de novembro, com o intuito de serem esclarecidos sobre a obra já em curso na ribeira de Aljezur.

A audiência foi composta por vários profissionais, como biólogos, profissionais locais, ONGs e associações. Não ficou provado que tenha sido efetuado um estudo de impacto ambiental com o intuito de se perceber eventuais danos nestes ecossistemas fluviais únicos».

Desta forma, a população de Aljezur «sente que as suas ribeiras estão a ser usadas como um laboratório experimental. Durante este processo foram enviados várias cartas à Câmara Municipal de Aljezur, inclusivamente por parte de advogados, a pedir esclarecimentos sobre os documentos de decisão de implementação do projeto e sobre a existência de uma Avaliação de Impacto Ambiental que clarificasse a população, sobretudo aqueles que têm propriedades contíguas às zonas onde vai ser aplicado o tratamento».

Entretanto, no dia 2 de dezembro, «foram convidados apenas os proprietários com terreno adjacente à Ribeira a participar numa reunião com a Câmara de Aljezur onde, mais uma vez, não se conseguiu atingir os objetivos pretendidos. Os cidadãos sentem-se traídos e frustrados por constatarem que as suas opiniões e sugestões não são respeitadas nem valorizadas e por sentirem que as suas perguntas são ignoradas».

Vários biólogos afirmam «que os potenciais danos do uso de herbicida perto de um ecossistema único que abriga lontras, aves guarda-rios e espécies de peixes em perigo crítico, são em grande parte desconhecidos. Esta aplicação pode causar danos substanciais, aliada também ao uso de máquinas desproporcionalmente grandes nas margens das ribeiras».

Desta forma, a Arriba – Associação de Defesa do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, «junta-se à população na luta contra a utilização deste químico potencialmente cancerígeno, iniciando uma onda de contestação que passa pelo envio de informação à população e aos media, bem como o pedido de mais esclarecimentos junto das entidades competentes».

Estando «já este projeto em fase de implementação torna-se urgente envolver a comunidade numa tomada de consciência sobre a importância de proteger os valores ambientais, especialmente, quando está em causa a utilização de veneno numa ribeira inserida no Parque Natural e meio urbano. Ao mesmo tempo convidamos a Câmara Municipal de Aljezur a aderir à Campanha Autarquias sem Glifosato», laçada pela Quercus, para que seja o primeiro município do Barlavento algarvio a subscrever».

A RWSW Rewilding Sudoeste – Associação de desenvolvimento da natureza de ambiente tomou uma posição pública sobre o projeto de requalificação e valorização da Ribeira de Aljezur que pode ser lido aqui.

Leia também o parecer da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o parecer do ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.