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Festival Out-(In)Verno vai juntar o universo das artes com a observação dos objetos celestiais em São Marcos da Serra, no coração do concelho de Silves.

São três dias para observar o céu, aprender sobre orientação, assistir a concertos e visitar exposições. Está ainda previsto um percurso pedestre noturno de sete horas, segundo explica ao «barlavento» David Santos, um programador informático alemão, radicado em Lagos e fundador do projeto «Céus do Sul», responsável pelas ações ligadas à astronomia naquela que é uma das novidades da programação da quarta edição do 365 Algarve.

«Vou começar por fazer uma introdução à orientação pelas estrelas, e explicar as constelações. Quero proporcionar uma viagem, que começa na Terra, e que se vai afastando até à Lua, aos planetas, estrelas e objetos de céu profundo em oficinas que terão a duração de duas horas», de 1 a 3 de novembro.

David Santos, programador informático e astrónomo amador.

Uma experiência que este astrónomo amador tem vindo a proporcionar aos turistas e aos residentes de Lagos e Aljezur desde 2018, ano em que nasceu o projeto «Céus do Sul».

A ideia surgiu após uma viagem de Mértola a Faro. «Apercebi-me que o céu do sul de Portugal é fabuloso. É absolutamente preto e, devido ao clima, é possível, em média, fazer observações 200 noites por ano. Como já tinha algum equipamento comecei por fazer anúncios nas redes sociais e por distribuir folhetos em alguns Alojamentos Locais» para ver se havia interesse.

Apesar de ser um projeto que ainda está a iniciar, David já conseguiu concluir que os mais entusiastas são os britânicos, porque «têm uma grande tradição ligada à astronomia».

No entanto, não têm faltado curiosos de todas as nacionalidades. «Até agora só conheci duas pessoas que até trouxeram os próprios telescópios. Esta é uma atividade que desperta muita curiosidade por não ser comum, mas a maior parte das pessoas que me procuram não têm qualquer tipo de experiência ou conhecimento. Tanto é que já mostrei, pela primeira vez, a Via Láctea a muitos», afirma.

Em relação ao Festival Out-(In)Verno, David explica que é uma parceria do projeto «Céus do Sul» com a Associação Questão Repetida. «Tiveram a ideia de juntar arte com a astronomia. Eu aceitei, eles candidataram-se ao 365 Algarve e agora vai mesmo acontecer. Acho que será uma iniciativa muito interessante e espero que sirva para divulgar esta ciência». Apesar da divulgação deste novo evento ainda ser preliminar, já gerou grande interesse nas redes sociais, garante David Santos.

«Espero que o céu esteja limpo nessas noites, pois acho que teremos aceitação», prevê. Em relação ao futuro da «Céus do Sul», o mentor diz que está tudo em aberto. «Neste momento ainda é uma coisa pequena, mas quero estender o projeto a todo o Algarve e talvez ao Alentejo. Para 2020 tenho alguns planos, que ainda estão em preparação, para fazer oficinas em Vila do Bispo e em Lagoa. Tenciono criar um observatório fixo com a possibilidade de alojamento, onde possa organizar workshops mais extensos. Também gostaria de criar parcerias com as escolas. A ideia é fazer alguns projetos com telescópios e computadores, em colaboração com docentes de Física e de Matemática», conclui.

Astronomia, paixão de infância

David Santos nasceu na Alemanha mas, ao conhecer a sua esposa portuguesa, escolheu o Algarve para viver. É programador informático, músico e criador do projeto «Céus do Sul», que desafia turistas e residentes de Lagos a Aljezur a observar o céu com telescópios e binóculos astronómicos.

Uma paixão que nasceu na infância. «Foi através de um livro que fazia uma descrição sucinta dos objetos celestiais, quando tinha 10 anos. Comecei a estudar e a ler muito sobre astronomia. Sempre vivi em cidades grandes onde não havia muitas oportunidades para observar o céu noturno. Mais tarde comprei o meu primeiro telescópio e comecei a ir com ele para o campo». Desde então, David já percorreu vários locais de telescópio às costas, dos Alpes austríacos aos Açores.

Mas, mesmo tendo já observado o céu a dois mil metros de altitude, assegura que o céu mais bonito que já teve oportunidade de ver foi «perto de Serpa. Foi fantástico porque estava absolutamente preto e até se distinguia a sombra da própria Via Láctea». O sonho agora passa pelo «deserto do Sahara», conclui.