«Candidatura é um ato de coragem» diz Desidério Silva

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Desidério Silva, antigo presidente da Câmara Municipal de Albufeira como militante do PSD, volta agora, aos 69 anos, a concorrer à liderança dos destinos da cidade.

Desta vez, Desidério Silva encabeça um movimento independente. Numa ampla entrevista ao barlavento, explica as ideias para o concelho e para a região, abordando também as críticas de que é alvo pela saída para a Região de Turismo do Algarve (RTA), em 2012.

barlavento: Tenta um regresso à liderança da Câmara Municipal de Albufeira (CMA) quase 10 anos depois da saída do cargo. Desta vez, encabeçando um movimento independente. Qual o motivo para sair do Partido Social Democrata (PSD) e lançar-se a solo?
Desidério Silva:
A resposta é muito simples. Estive muitos anos no PSD e fui presidente da Câmara durante vários anos. Dei tanto ao partido, como o partido a mim. Estamos quites. Mas há momentos das nossas vidas em que queremos colaborar e ajudar, sentimos essa necessidade. Com a experiência que tenho de vida autárquica, e com a experiência que acumulei em Faro, à frente da Região de Turismo do Algarve (RTA), durante seis anos, senti-me preparado para colaborar com o partido e com a gestão da câmara. Procurei dar esse sinal, dizer estou aqui para o que precisarem. Não tive resposta. Quando me aproximava, sentia desconforto pela minha presença. Não quero estar perto para fazer sombra, mas sim para ajudar. Face ao meu estado de espírito e à minha inquietude perante as coisas, entendi que existiam outros caminhos para intervir e ter uma atuação cívica, que possa dar resposta a coisas que eu acho não estarem a correr bem. Olhei para o quadro todo e não vi ninguém que possa fazer a intervenção necessária na cidade. Perante as candidaturas em cima da mesa, não há ninguém com o perfil de pensar e executar, recuperar muito do que Albufeira perdeu nos últimos anos. Não vou contra ninguém, vou essencialmente por Albufeira e por sentir que não há capacidade nos restantes candidatos. Se ela existisse, as coisas tinham acontecido nestes anos. Mas defronta, nas urnas, um velho conhecido seu, o atual presidente José Carlos Rolo… Isto não é nada pessoal. Eu cumprimento o presidente e falo com ele quando é necessário. Mas, nas nossas famílias, quando não nos sentimos acolhidos, não estamos bem. Não houve abertura para nenhuma aproximação, para que fosse aproveitada a minha capacidade de intervir, pensar e ajudar Albufeira num contexto diferente. Por isso cá estou eu. Avançar com uma candidatura nesta fase é um ato de coragem.

Há ainda uma franja da população de Albufeira que não perdoa a sua saída para a RTA e o acusa de ter delapidado os cofres do município. Que resposta dá a estas críticas?
Os críticos farão sempre críticas, mas quem está na política tem de se sujeitar a isso. Nós não conseguimos fazer tudo bem, mas conseguimos corrigir várias coisas. A minha consciência está tranquila sobre a minha vida autárquica, em todos os momentos que estive no município. Enquanto estive na RTA, beneficiei sempre Albufeira com as minhas intervenções. Tentei sempre ao máximo melhorar a imagem e a marca do destino. Em setembro de 2012 fui contactado pelo então presidente da RTA, Nuno Aires, explicando o interesse de várias pessoas em mim para assumir o cargo. Eu recebi o convite e coloquei as questões ao vice-presidente da altura, José Carlos Rolo, e ao presidente da Assembleia. No ano seguinte, já não me poderia candidatar nem fazer nada na cidade. Eu não abandonei a Câmara. Pedi a suspensão do mandato para assumir um cargo regional, com uma grande capacidade de intervenção sobre Albufeira. A qualquer momento podia ter voltado para a CMA. Nessa altura, marcada pela Troika, todas as câmaras entraram numa fase de grandes quebras de receita e de investimento. A dívida da câmara, na altura, era de 63 milhões de euros. No dia 18 de janeiro de 2012, ainda eu estava aos comandos, o atual presidente disse, numa entrevista ao Correio da Manhã, que só em 2009 e 2010 a Câmara tinha perdido 40 milhões de receita. A dívida só existia na tesouraria, os investimentos compensavam-na claramente, portanto isso é tudo uma falácia. Não abandonei a Câmara, fui para um cargo regional que me permitia também defender Albufeira. E de resto, o investimento era superior à despesa. Estou tranquilo quanto a isso. Quem não tem nada que apontar, arranja esses subterfúgios. Mas uma mentira dita 10 vezes nunca passa a ser verdade. Eu tenho os documentos, as provas, tudo. Gastou-se dinheiro, mas fez-se obra. Agora há dinheiro em cofre e não se faz obra. O município não serve para fazer poupanças nem para ter dinheiro em caixa. Tudo o que tem deve ser para investir na qualidade de vida dos munícipes. O meu projeto não tem grandes obras. Existem questões a analisar em relação a escolas, jardins de infância e centros de dia. Mas a maioria das obras já existem, foram feitas nos meus mandatos. Podem não gostar de quem as fez, mas elas estão lá.

As consequências do Polis no centro da cidade também estão longe de reunir consenso nos albufeirenses. Admite que existiram alguns erros de conceção em certas obras?
Antes de tudo, é necessário clarificar bem uma questão. O Polis veio para Albufeira em 2000, e eu tomei posse em 2002. Não é verdade que tenha chegado cá pela minha mão. Eu já apanhei tudo em andamento e, agarrado a si, trouxe um conjunto de técnicos e ideias vindas de Lisboa. Existiram algumas coisas muito positivas no programa, como a requalificação da Avenida da Liberdade, a construção de vários parques de estacionamento, as escadas rolantes, o elevador… mas também tem erros, que eu assumo. O Jardim da Meia Laranja é talvez o maior deles todos. O objetivo era criar um espaço para albergar mais gente, mas, olhando agora, é óbvio que o conceito está completamente errado. Estou a ver com a minha equipa uma solução que me permita arrasar com aquilo e criar um espaço de utilização para os residentes, com zonas verdes, zonas de circulação e um coreto. Também quero recuperar o Passeio dos Tristes. No fundo, recuperar um pouco da história da cidade e dar uma imagem diferente à baixa. Este ano parece difícil conceber um vencedor com maioria absoluta, tal a dispersão de candidaturas.

A possível necessidade de diálogo com outras forças para governar não o incomoda?
Há várias candidaturas e os resultados serão o que os cidadãos quiserem. Eu não tenho problemas em fazer equilíbrios e consensos, independentemente de ter tido sempre maiorias absolutas. Sempre tive capacidade de ouvir os vereadores da oposição. A questão aqui é muito simples: quem se mete na política tem de ter sempre um objetivo, que é servir os outros e não se servir. Entre 1997 e 2001, como vereador, tive sempre disponível para ouvir tudo e para aceitar e fazer propostas que visassem a evolução positiva de Albufeira. Tive sempre um equilíbrio com o presidente da altura (Arsénio Catuna), socialistas, e aceitei e recusei várias propostas. Nós saberemos ver quem melhor pode servir os interesses de Albufeira e quem terá a humildade de perceber a sua importância num contexto destes. Quem não aceitar fazer parte da solução para melhorar a qualidade de vida dos munícipes, não tem lugar. Terei sempre disponibilidade total para servir a população, com prioridade absoluta para os interesses de Albufeira. O cenário para o futuro também não é animador.

Quem entrar terá uma crise social e financeira para gerir, e o turismo já teve tempos mais áureos…
Os grandes desafios são assim. Seria cobardia da minha parte encostar-me às boxes e não fazer pela cidade o que ela necessita neste momento. Se outros pensam que isto é só para brilhar e me promover, não. Eu já brilhei, não preciso de fazer carreira política. Tenho o objetivo de assumir áreas fundamentais que conheço bem. Tenho a experiência e conhecimento dos mercados internacionais para ajudar Albufeira a recuperar no pós-pandemia. Na RTA adquiri vários contactos que permitem colocar Albufeira de novo no mapa e nos mercados. Não há outro candidato com a capacidade para este processo. É necessário perceber se o modelo de negócio existente é suficiente ou se precisa de ser requalificado. Se calhar, temos de criar restrições ao all inclusive. Se calhar, os pacotes vendidos no Reino Unido são demasiado baratos, trazendo turistas de baixa qualidade que não qualificam o destino. A atual liderança da Câmara de Albufeira está a promover a marca muito tarde, completamente fora de tempo, depois de deixar cair a questão durante tantos anos. O nível baixou de tal forma, que agora estão a fazer modelos à pressa para recuperar. Quando saí da autarquia, a marca Albufeira tinha um registo muito positivo nos mercados nacionais e internacionais. Na RTA, percebi que destinos como Faro, Lagos, Tavira, Olhão, subiam na escala da valorização, inovação e diversidade, enquanto Albufeira estagnou por completo e ficou para trás de forma arrasadora. Há muito trabalho a fazer e eu estou à vontade nestas matérias. Outros não estão.

Mas, além dos projetos para o turismo, tem já preparado algum pacote de apoio para famílias e empresas?
A nossa estratégia em relação a isso é muito simples. Tudo o que o atual executivo estiver a fazer bem, é para manter. Uma mudança de liderança não tem de obrigar a mudar o que funciona bem. Temos sim, de ver, se é necessário haver um reforço das medidas. A prioridade absoluta são as pessoas. Se for eleito, quero um levantamento total, porta a porta, para aferir as necessidades da população. O concelho não é assim tão grande, e queremos identificar todas as situações complicadas a necessitar de apoio, intervir na pobreza envergonhada, com equipas multidisciplinares. Se for necessário, também colocaremos a funcionar uma cantina social onde toda a gente possa ter acesso a refeições. Não queremos deixar ninguém para trás.

Nas suas palavras, crítica o atual posicionamento turístico da cidade. Qual é, para si, o caminho da mudança?
Além das questões do modelo de negócio que referi, existe a famosa necessidade de quebrar a sazonalidade. Ainda no Turismo do Algarve, implementei algumas ações neste âmbito, desde a questão das bicicletas, as caminhadas, a gastronomia… várias saídas que permitem captar outro tipo de visitante. Mas depois vamos ao terreno e, por exemplo, as únicas ciclovias em Albufeira foram feitas por mim e estão vetadas ao abandono, não têm qualquer tipo de manutenção. E tudo o que está a ser feito agora ao nível rodoviário, à pressa, não contempla ciclovias. Também é preciso fazer os passadiços da Falésia até aos Salgados, para que as pessoas possam caminhar e as falésias sejam protegidas. E os passadiços que já existem carecem de várias manutenções. Temos ainda potencial para explorar passeios pedestres, roteiros da gastronomia do interior, roteiros do Castelo de Paderne. E é preciso ter uma ação muito forte com a Agência Portuguesa do Ambiente e as instituições que têm algum domínio nesses territórios. Assim, podemos criar um concelho cada vez mais homogéneo e equilibrado. Albufeira tem 83 por cento ocupado por Zona Agrícola e da Reserva Agrícola Nacional. Nesses locais, é necessário fazer uma intervenção musculada junto do governo naquilo que são as alterações dos instrumentos de planeamento e ordenamento do território. São dos grandes fatores inibidores à ida das pessoas e também das indústrias pouco poluentes para o interior. Este é um processo urgentíssimo, que posteriormente permitirá criar uma grande rede de passeios e visitação pelo concelho todo. Temos de lutar contra os fatores de bloqueio.

E a zona da Oura, precisa realmente da famosa «chicotada»?
A Oura precisa de uma requalificação total. E precisa de uma variante para norte nos semáforos da Avenida dos Descobrimentos, se necessário através de uma rotunda, sob pena daquela zona ficar ainda mais esquecida. Também necessita de estacionamento. A zona sul, carece de uma requalificação total a todos os níveis. É necessário criar uma zona de circulação para famílias, dar maior atratividade à zona. O caminho para requalificar o turismo também passa por aqui.

Como pensa tornar mais apelativo um concelho com carências evidentes na habitação a custos controlados e com fraco poder de fixação para os mais jovens?
Essa debandada dos mais novos é suportada por vários fatores. Albufeira é, atualmente, uma cidade pouco dinâmica, com poucas ofertas culturais. Mas também, como disse, com pouca oferta de habitação. Esse é, para mim, um ponto absolutamente fundamental – criar habitação a preços controlados para várias camadas etárias, incluindo os jovens. Mas isto vai esbarrar novamente na questão dos instrumentos de planeamento. Os terrenos são muito caros e, quando se quer fazer algo a custos mais baixos, os terrenos são em zonas condicionadas. Temos de fazer um estudo e encontrar bolsas onde possamos implementar projetos com habitações de diversas tipologias, para abranger vários tipos de agregados familiares. Os jovens de Albufeira devem ter condições para ficar cá.

Falou das poucas ofertas culturais. É possível dinamizar mais a cultura em Albufeira, ou a cidade sofre pela falta de espaços que tornem isso executável?
Mas qual cultura? Desde que saí da Câmara Municipal, falo com agentes da cultura instalados em Albufeira e todos me dizem o mesmo: não acontece nem existe nada nesta cidade. Nesta vertente, há questões que têm de ser arrancadas do nada. A sobrevivência de uma terra sem cultura é nula. Alimentamos a ideia de fazer surgir uma Escola Superior de Artes Criativas, algo diferente, que dinamize e ponha a mexer tudo isto no contexto do ensino superior. Albufeira não tem, atualmente, estratégia para a cultura, e isto já era assim antes da pandemia. As dinâmicas não existem, tudo o que acontece é pontual.

Albufeira tem capacidade para acolher grandes eventos

Para Desidério Silva, candidato à presidência da Câmara Municipal de Albufeira, a cidade tem condições para receber grandes eventos. Mas «é preciso que os intervenientes políticos percebam uma coisa: isto tem de ser visto como um investimento com retorno, e não como uma fonte de despesa». O antigo autarca lembra que, «em 2002, trouxe o fim de ano para Albufeira e sempre vi isso como um investimento para valorização da marca. Tudo aquilo ultrapassava as fronteiras do país. Não são coisas baratas, mas marcam a diferença. Será impensável que em Albufeira não se faça o fim de ano». Mas, para Desidério Silva, «a abordagem com os comerciantes tem de ser diferente. Eles também têm responsabilidades perante a autarquia. Uma forma de garantir a sua disponibilidade para colaborar nesses eventos é dar compensações, por exemplo, no âmbito da ocupação do espaço público. Temos de os chamar à causa, todos têm de dar um pouco de si para dar a volta a isto».

Chama-se LEAF – Linha para o Equilíbrio do Aluno e da Família, e é uma iniciativa da Câmara Municipal de Albufeira com o objetivo de apoiar aqueles que se encontram a passar por situações de maior dificuldade educativa, derivada da alteração da rotina familiar.

Espaços verdes e mobilidade são prioridades

O candidato independente à liderança dos destinos de Albufeira afirma que «as zonas verdes que existem atualmente na cidade, foram idealizadas por mim, mas foram quase vetadas ao abandono». Para o futuro, existe «uma ideia para colocar em prática, que passa por ligar a zona do Estádio Municipal ao Inatel. É possível criar um corredor, com uma ligação pedonal por cima do eixo viário [Avenida dos Descobrimentos]. Depois, já estamos a fazer um levantamento de todos os espaços disponíveis para ser intervencionados. Tenho muita vontade de criar espaços verdes de complemento, é um dos objetivos do meu programa». Quanto à mobilidade, é imperativo «levar finalmente o Giro a todo o concelho. Fala-se muito disso, mas nunca saiu do papel. Quero ainda criar algumas rotas mais curtas para melhor servir a população e tornar gratuito o transporte de residentes. No fundo, o Giro seria pago pelos turistas». Quanto à circulação automóvel, «tem de ser pensado todo o modelo de estacionamento em Albufeira. É necessário criar condições para os residentes e para quem utiliza os parques para ir ao comércio. E alterar os preços que, atualmente, são exorbitantes». Outra obra que está estagnada há anos, é a ligação entre a A22 e o Parque do Campismo. «Se o Estado não cumprir com a sua obrigação, a câmara tem de assumir a obra», sentencia Desidério Silva.

Segurança e saúde essenciais para um destino turístico de excelência

Desidério Silva avançou ao barlavento que, no caso de ser eleito, «o projeto da videovigilância é para manter». Se chegar à liderança da autarquia, de novo, pretende «pegar na questão da saúde. Quando saí da autarquia deixei em negociações a cedência de um terreno ao lado do atual Centro de Saúde, para a sua ampliação, mas até hoje isso nunca avançou. Também me irei debater pelo Hospital Central do Algarve, obra absolutamente fundamental para a região». Outro dos pontos presentes no «caderno de encargos» do candidato passa por «fazer um levantamento do estado de degradação do atual quartel da GNR. Ninguém pode prestar um bom serviço se não tiver condições mínimas de trabalho e de alojamento».

Vacinação COVID-19 no Algarve preocupa

«Estamos a ser comidos como os tolos». Esta é a reação do candidato independente à autarquia de Albufeira, Desidério Silva, ao processo de vacinação contra a COVID-19 na região algarvia. «O Algarve está no topo da importância em Portugal, é a região que mais pode ajudar a recuperar a economia. Era de bom tom que fosse das primeiras regiões a ter um grande forcing na vacinação. Permitia passar uma mensagem de confiança para os mercados emergentes. As outras regiões também são importantes, mas nada se compara ao Algarve em termos de dormidas», considera Desidério Silva. Para o candidato, «como sempre, o Algarve não tem voz, não faz exigências. Ninguém luta por isto. Os responsáveis da região dizem o que Lisboa manda. A AMAL devia ter uma intervenção diferente. Um ou outro presidente defende alguns pontos essenciais, mas a maioria está inoperante, e isto não traz nada de bom para a região. Ficam contentes com qualquer doce. A defesa do Algarve tem de passar por um todo».

Albufeira
Imagem de arquivo

Prémios do Turismo são pagos? «Nunca passei nenhum cheque»…

Desafiado a abordar a recente polémica com as declarações de Elidérico Viegas, presidente demissionário da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Desidério Silva afirma que «não me lembro de eu, pelo menos, ter pago algum prémio, nos seis anos que lá estive. Fui sim levantar prémios a vários locais. Se o Turismo de Portugal, no contexto da sua ação de promoção internacional, faz algo do género, não sei. Eu, enquanto estive na RTA, nunca passei nenhum cheque para pagar prémios. Mas quem manda na AHETA são os grandes hoteleiros de Lisboa, não os da região». O candidato à Câmara de Albufeira considera que «é Lisboa que manda em tudo, nas associações, nos hoteleiros, no governo, em tudo. Enquanto estive na RTA fartei-me de dar porrada em Lisboa. Mas Lisboa é tão grande e os parceiros cá em baixo são tão fracos… só vi o Algarve unido, em sua defesa, uma vez, na questão do petróleo. De resto… nem na questão das portagens, nem na questão da TAP, entre outras. Eu tentei, mas era uma voz praticamente só. Todos os que têm interesses na região, tinham medo de levantar a voz. Tinham medo de deixar de receber apoios, eram apertados. Nada é discutido no âmbito associativo, é tudo discutido nos gabinetes dos ministros. O Algarve está amorfo, não há uma voz, nada».

Falta de convite para o aniversário dos Bombeiros «é lamentável»

A polémica estalou no início de abril, por ocasião do aniversário dos Bombeiros Voluntários de Albufeira. Enquanto candidato à liderança dos destinos de Albufeira, Desidério Silva não foi convidado para a cerimónia, ao contrário de outros candidatos. Em declarações ao barlavento, o antigo autarca lembra que «enquanto presidente de Albufeira fui dos que mais apoiei a Associação Humanitária dos Bombeiros. Não recebi qualquer convite para o aniversário e isso é lamentável. Como cidadão também já cumpri com donativos pessoais. Criei uma taxa de proteção civil para essa receita ir para os Bombeiros. Mas aquela casa, agora, está a ser politizada. O presidente da direção da associação é candidato. O comandante também é candidato. Todos podem ser candidatos, é certo. Mas eu fiz um desafio, para que abdicassem dos cargos enquanto decorre o processo eleitoral. Nada disso aconteceu». Em relação às instalações, Desidério Silva explica ser sua intenção «promover uma deslocalização do quartel. Mas não concordo com a ideia de o afastar do centro da cidade. Os Bombeiros não podem perder o lado humanitário e social».