Bake My Dog Happy: marca pioneira algarvia vem ensinar a cãozinhar

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Bake My Dog Happy une culinária e ciência à paixão pelos animais. Marca oferece preparados de biscoitos biológicos para cães que podem ser cozinhados em casa por qualquer dono que goste de mimar os seus amigos de estimação.

«A ideia surgiu porque sempre fiz biscoitos e bolos caseiros para as minhas três cadelas. Adaptava as receitas com base nos conhecimentos que tinha e percebi que despertava muito a curiosidade das pessoas. Tinham interesse em saber como o fazia, para também poderem cozinhar para os seus animais, e quais os benefícios de cada ingrediente. Surgiu a quarentena e resolvi apostar na marca», começa por contar ao barlavento, Tiago Braga, 31 anos, mestre em Biologia Marinha pela Universidade do Algarve (UAlg).

Uma aposta que acabou por ser merecedora do primeiro lugar do concurso «Ideias em Caixa», promovido pelo CRIA – Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da UAlg, com o apoio do CRESC Algarve 2020, na categoria Agroalimentar, em julho passado.

Nasceu assim a Bake My Dog Happy, onde «pela primeira vez se está a oferecer uma experiência culinária às pessoas para fazerem em família e incluírem também o cão. É mais do que um produto, é uma marca pioneira em Portugal», diz Tiago Braga.

Trata-se de um pré-preparado de farinha, constituído apenas por ingredientes naturais, onde se junta um ovo, água, e após 25 minutos no forno, o resultado são cerca de 200 biscoitos para o melhor amigo do homem.

O lançamento oficial ocorreu no dia 12 de novembro no Loulé Interfood Fest e, de acordo com o CEO da marca, «decidimos apostar forte porque em Portugal não existe marca nenhuma assim. Apenas se conhece uma estrangeira, e vende saquetas para bolos de aniversário ou cupcakes. A nossa oferta é inteligente porque estamos a seduzir pela quantidade. Além disso, muitas pessoas diziam-nos que não cãozinhavam por não saberem que ingredientes utilizar, ou por não terem tempo. Com a Bake MY Dog Happy, colmatamos essas duas lacunas».

Além de ser pioneira na questão de confecionar biscoitos caseiros, a Bake My Dog Happy vai ainda mais longe. Isto porque, a Tiago Braga junta-se Luísa Custódio, 47 anos, a acabar o doutoramento em Biotecnologia Vegetal e investigadora do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da UAlg, com o objetivo de validar e comprovar em laboratório todas as atividades benéficas que os alimentos existentes na farinha têm no animal.

Por exemplo, a primeira receita lançada pela marca, trata-se do biscoito MARAF-8, um preparado que une alfarroba, cenoura, espelta e quinoa. Ou seja, sem qualquer corante, conservante ou açúcar. A alfarroba é rica em proteína, tem vitaminas essenciais para o pêlo, é antioxidante, antiviral e antibacteriana. Além disso, substitui o chocolate, que é um ingrediente tóxico para os cães. Já a cenoura é pouco calórica e reforça o pêlo, e a espelta e o grão facilitam a digestão.

«Todas as receitas são nossas, inspiradas naquilo que sabemos que resulta, que os cães gostam e com o conhecimento de base daquilo que sabemos que eles podem ou não comer. E aliamos os benefícios que cada ingrediente tem», afirma Braga.

A colega acrescenta: «tanto o perfil nutricional, como as atividades biológicas, o facto de serem ingredientes antioxidantes, entre outros, confirmamos em laboratório que se verifica, analisando aqueles parâmetros importantes para o cão (humidade, proteína, minerais, aminoácidos, gorduras). Tudo é avaliado em laboratório com ensaios».
E não só, a veterinária Marta Botelho completa a equipa, «de forma a validar todas as receitas. Nós juntamos o conhecimento académico, mas todos os ingredientes e as formulações têm validação veterinária», esclarece a investigadora.

A próxima receita está prestes a sair do forno, ainda durante o mês de dezembro, foi inspirada nas cores natalícias e será um bom reforço imunitário para o período de inverno. Trata-se do biscoito HEMP-I, de cor verde, que tem espinafre, «rico em betacaroteno, reforça o sistema imunitário e mantém o corpo alerta a corpos estranhos», a ervilha, «rica em vitaminas, pouco calórica e muito proteica» e o cânhamo, um «antialérgico, que aumenta a vitalidade e a energia», refere Braga.

Cãoneca de São Valentim

A próxima data a ser também celebrada pela Bake My Dog Happy será o Dia dos Namorados, a 14 de fevereiro, onde será lançada a cãoneca.

«A embalagem passa a ser uma caneca totalmente personalizada pelo cliente, seja com uma frase ou um nome, e lá dentro estará o produto equivalente para se fazer um bolo de caneca. Basta adicionar um ovo, água, mexer e colocar no forno micro-ondas. O cão come e o dono fica com a caneca. Vai ser ótimo também para oferta», revela o CEO.

A ideia, explica, vai ser sempre «cada preparado atuar numa vertente biológica diferente, consoante a época do ano, e ir lançando novos sabores ao longo do tempo. O primeiro tinha que ser o de alfarroba porque queríamos um produto regional, mas queremos continuar nessa linha e estamos a estudar um biscoito de gengibre e batata-doce de Aljezur».

Serviço personalizado e também para gatos

E apesar da marca ter apenas 15 dias, as primeiras unidades do MARAF-8 estão quase a esgotar. «Temos apenas 20 unidades disponíveis. Está a correr muito bem e temos tido encomendas todos os dias e mais do que uma unidade. Estamos a receber imensos vídeos e fotografias de pessoas que estão a pôr a mão na massa e já enviámos para todo o país, inclusive para os Açores», explicita o biólogo marinho.

Os próximos passos também já estão pensados. Vai haver a possibilidade, mais tarde, de ser o próprio cliente a escolher os ingredientes, de forma a criar uma preparado personalizado para o seu cão, com base nas suas características, como por exemplo: alergias, idade mais avançada ou problemas nas articulações. E também está em cima da mesa a possibilidade de alargar o público-alvo, neste caso, os gatos. «São mais difíceis de agradar a nível de paladar, mas estamos a tentar perceber aquilo que gostam e estão previstas receitas para eles», diz Luísa Custódio.

A juntar a isto, a equipa conta também poder fazer workshops e showcookings em escolas, abordando a temática da sustentabilidade, produtos biológicos e a reciclagem.

Centro de investigação na calha

O maior passo previsto por este trio será mesmo a criação de um centro de investigação. «Gostávamos de evoluir e criar mesmo um polo. Gostávamos que a Bake My Dog Happy fosse responsável por fazer testes, seja para rações, como para suplementos. Podemos vender a receita para uma marca pedigree e eles fazerem uma ração com alfarroba, por exemplo. Além de darmos oportunidade às pessoas para cozinharem para os seus cães e de vendermos preparados com qualidade biológica, queríamos ser responsáveis por, mais tarde, sermos um centro de investigação com uma equipa pequena, para termos a vertente de testar novos ingredientes, combinações e misturas», conclui Braga.

Até porque, de acordo com a colega investigadora: «tudo o que são alimentos para animais não têm muito essa vertente de investigação científica pura e dura, só focada nos seus ingredientes e produtos».

Encomendar é simples

Quem quiser adquirir produtos da marca algarvia, pode fazê-lo através das redes sociais (@bakemydoghappy) ou diretamente na página da Internet.

Cada encomenda vem com um preparado de 300 gramas, um cortador de massa em forma de osso e a receita de como confecionar os biscoitos.