Bacalhau acusa Costa de «falta de respeito para» com Faro e os farenses

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Rogério Bacalhau considera «falta de respeito para com os farenses» a cerimónia de rebatismo do Aeroporto de Faro à margem do Dia do Município

O primeiro-ministro António Costa escolheu a data de hoje, Dia do Município de Faro para a cerimónia de atribuição do nome de Gago Coutinho como patrono do Aeroporto de Faro, sem qualquer relação, contudo, com a efeméride e o programa proposto pela autarquia.

A atribuição do nome à infraestrutura faz parte das comemorações dos 200 anos de independência do Brasil e contou com a presença do líder do governo.

Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, ouvido pelos jornalistas à margem da inauguração do memorial que recorda um episódio da Segunda Guerra Mundial, lamentou a escolha da data.

«Acho que é uma falta de respeito para com os farenses. Não é pelo Bacalhau que qualquer dia se vai embora, mas há relações institucionais que se devem manter. Acho que houve uma falta de respeito, não sei qualificar», disse aos jornalistas.

«Não acredito que as saídas do primeiro-ministro sejam tratadas com esta leviandade. Portanto fica registado que para nós hoje é um dia feliz. É pena o que se passou esta manhã no aeroporto por duas razões. Primeiro porque não concordamos com o facto de se alterar o nome, não percebemos muito bem o que é que o Gago Coutinho tem a ver com o concelho de Faro, com o Aeroporto de Faro. Evidente que é uma figura importante da nossa história, mas ninguém percebeu. Há um conjunto de amigos do senhor primeiro-ministro que propuseram isso, ele aceitou, está no seu direito. Agora não nos pode obrigar a concordar com essa decisão. Depois há este facto lamentável de não se coordenar. Sei que hoje é o Dia da Independência do Brasil, mas haveria outras formas de fazer isto», criticou o autarca.

O presidente da Câmara Municipal de Faro diz apenas ter recebido «um convite da ANA Aeroportos para uma cerimónia que não sabia o que era, que era apenas mudar o nome do Aeroporto de Faro, onde estaria presente o primeiro-ministro. Disse que não podia estar» em virtude da celebração do Dia do Município.

Na sexta-feira, «enviei uma carta ao primeiro-ministro» a informar sobre a efeméride local. «O chefe de gabinete telefonou-me de Moçambique a dizer que não sabiam» do evento farense.

«Quando recebi o ofício já não dava para mudar nada, os convites já tinham saído, tenho um programa que vai até às 20h00 da noite. Isto são coisas que se preparam com meses de antecedência e se tivesse sido feito atempadamente, faria um outro programa e conseguíamos coordenar» os eventos.

«Assim, fica registado. Para nós o dia corre bem, o concelho vai sobrevivendo, vai fazendo coisas, temos muitas inaugurações e isso é o que é preciso. O senhor primeiro-ministro fica com isto no seu CV, que não é agradável».

O barlavento não recebeu qualquer convite para a cerimónia desta manhã no Aeroporto de Faro nem foi formalmente informado sobre a mesma.