António Lacerda Sales quer «tolerância zero» à vacinação indevida

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Secretário de Estado Adjunto e da Saúde visitou hoje unidades de Faro e Portimão para agradecer aos profissionais do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) e criticou a vacinação à margem do que está planeado.

Acompanhado por Jorge Botelho, secretário de Estado da Descentralização e Administração Local e coordenador regional para a COVID-19, António Lacerda Sales veio hoje ao Algarve «para agradecer aos profissionais de saúde que estão na linha da frente todo o combate que têm feito, de forma inexcedível. Também viemos apresentar ao conselho de administração do CHUA o nosso agradecimento pelo facto de o Algarve ser um dos maiores recetores de doentes de outros lados. Tem sido muito importante o trabalho dos hospitais de Faro, Portimão e do Portimão Arena. Tem sido extraordinário na solidariedade para com outras regiões e que será reciproca caso venha a haver necessidade disso», garantiu.

O governante, contudo, foi confrontado pelos jornalistas sobre a polémica dos casos de vacinação indevida. «Os planos são feitos com base na melhor base científica e têm sido adaptados ao evoluir da situação. É inaceitável desvios ou situações de vacinas que são dadas em grupos que não são prioritários. E com certeza a tolerância é zero».

António Lacerda Sales não soube justificar qual o critério para a aplicação de supostos excedentes à margem do plano nacional de vacinação. «Eram as instituições que davam as listas. É um critério também de ética e de moral para serem dadas aqueles que mais necessitam, sobretudo aos mais vulneráveis. Esse é também um problema que agora se está a colocar com maior preeminência», respondeu.

E também se recusou a comentar «casos em concreto». «Pode haver especificidades que posso desconhecer e portanto nunca comentarei casos em concreto. Posso dizer que todos os desvios aos critérios de priorização do plano de vacinação serão com certeza inadmissíveis, sejam eles de quem forem e onde forem, garantidamente».

Em relação a consequências para os prevaricadores, «estamos a promover auditorias durante esta semana através da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) que irá promover auditorias de âmbito nacional. Além disso, há também procedimentos que terão sanções quer ao nível disciplinar quer ao nível criminal, se durante a sede de inquérito tal se provar. Isso será uma grande ajuda para a credibilização e para a confiança que o processo de vacinação tem de dar aos portugueses», garantiu.

Ainda assim, não há que temer. «Estes processos que têm de seguir uma certa consciência, um certo bom senso, uma certa harmonia e mesmo aqueles que tiveram a primeira dose num uso indevido, certamente terão direito à segunda dose», disse ainda.

Em Faro, Sales mostrou-se também otimista. «Embora estejamos ainda sob grande pressão notamos que há alguma desaceleração nesse crescimento. Se olharem para o índice de transmissibilidade (r) está de facto a diminuir e temos um r de 0,3 a nível nacional. Vamos esperar que a fórmula seja confinar, proteger os mais vulneráveis e vacinar».

«Atrasos, avanços e recuos têm muito a ver com a disponibilidade de vacinas que nos vão chegando, estamos a seguir o plano conforme foi inicialmente proposto e é natural que não tenha sempre o mesmo ritmo. Temos hoje mais de 338 mil doses administradas, 68 mil das quais já com segunda dose», estimou. «Penso que é um número razoável», afirmou.

Questionado sobre se o governo português vai aceitar a oferta de ajuda de países como a Áustria ou Alemanha, o secretário de Estado respondeu que estão várias possibilidades em cima da mesa.

«Sempre houve mecanismos de cooperação internacional que demonstram que existe solidariedade na Europa. Se vier a ser necessária outra capacidade que não a nossa, será aceite» em cenários para o pior. «Estes mecanismos estão ativos e estamos a ponderar».

Sales lembrou que em relação a março de 2020, «duplicamos a nossa capacidade de ventilação mecânica, temos mais de 2000 ventiladores e 1100 camas afetas à COVID-19» em Portugal.

Por fim, questionado sobre se há médicos e enfermeiros ainda por vacinar no Portimão Arena, o governante admitiu «é um processo progressivo. Garantidamente serão vacinados. Foi extraordinário o upgrade que o Portimão Arena fez. Começamos com pouco mais de uma estrutura de apoio de retaguarda para doentes COVID positivo e para doentes com baixos fluxos de oxigénio, depois evoluimos para situações de alto fluxo e hoje estamos a tratar doentes de nível dois. Caso fosse necessário, hoje, estariam ventiladores à disposição para implementar um unidade de cuidados intensivos, se assim for necessário», confirmou.

Isilda Gomes desdramatiza polémica

Ouvida pelo barlavento, Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão admitiu que já foi vacinada, e remeteu explicações para o comunicado que fez publicar nas redes sociais do município. Na qualidade de cidadã e voluntária, a autarca portimonense esclarece que «dedica diariamente uma parte do seu dia a promover visitas virtuais de familiares aos doentes COVID-19 que estão internados no Hospital de Campanha do Portimão Arena e que é operacionalizado pelo Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA). Esses doentes são provenientes de diversas partes do país e muitos estão isolados de familiares e amigos pelo que estes contactos virtuais são a única janela por onde têm acesso ao afecto dos seus entes mais queridos. Na data da abertura do CHUA ARENA todos os que exerciam funções foram vacinados, o mesmo tendo sido solicitado a Isilda Gomes na qualidade de voluntária do projeto Visitas Virtuais, tendo sido esta condição necessária para que pudesse exercer esta função. Esse trabalho de acompanhamento aos internados é considerado imprescindível e valorizado pelos familiares dos doentes».