Animal Rescue Algarve inaugura loja solidária topo de gama em Almancil

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Abrigo de Loulé tem agora um espaço em Almancil, onde é possível comprar roupas, livros e até mobília de alta qualidade em segunda mão. Todos os lucros da «WOOFF» revertem para o bem-estar animal.

Quem entra no mais recente espaço de Almancil, na rua Cristóvão Pires Norte, nem se apercebe que está numa loja com artigos em segunda mão. A «WOOFF» inaugurou no sábado, dia 11 de janeiro e contou com casa cheia.

A ideia remonta já ao ano passado e, tal como o abrigo Animal Rescue Algarve (ARA) tem na sua base uma equipa de voluntários.

«A loja era já uma prioridade da associação. Tínhamos de encontrar o local perfeito e esse processo levou algum tempo. Conseguimos por isto em funcionamento devido ao nosso sistema de 12 voluntários semanais no abrigo. Este é um espaço de caridade e é incrível que todo o nosso grupo voluntário esteja tão entusiasta quanto eu», começou por contar ao barlavento Sid Richardson, o britânico visionário proprietário do ARA, em Loulé.

Na «WOOF» podem ser encontrados artigos de merchandising do abrigo, roupas para todas as idades e tamanhos, livros e inúmeras peças de mobiliário. Há camas, mesas, quadros, cadeiras e até sofás. Em comum têm todos a «excelente qualidade», segundo explicou Sid.

«É material em segunda mão, que nos foi doado, mas que está todo como novo. O que queremos é isso mesmo, artigos em excelente estado, porque não queremos ser um beneficiário de coisas velhas ou lixo. Já somos reconhecidos pela qualidade com que gerimos o abrigo e como tratamos os animais. Com este espaço queremos também ser reconhecidos pela qualidade. É essa a imagem que queremos passar».

Nesse sentido, Sid Richardson chama a atenção para o processo de doações. Qualquer pessoa pode doar diretamente na loja, ou mandar mensagem através do Facebook e a equipa de voluntários facilita a recolha de peças de maior dimensão.

Além disso, na «WOOFF» existe ainda a possibilidade de escolher ficar com 40 por cento do lucro do seu artigo, como referiu Louisa Holland, a voluntária responsável pelo espaço.

«As pessoas podem obter algum dinheiro de volta de artigos que já não usam ou que nunca usaram. Quantas mulheres não têm peças de roupa no armário que ainda têm etiquetas? Queremos também dar oportunidade às pessoas de ganharem espaço nos seu guarda-roupas e não só. Inicialmente a loja estava pensada para ter apenas vestuário, mas percebemos que seria ideal incorporar também mobília e livros. Há muitas pessoas interessadas em comprar e também em doar e assim juntamos o útil ao agradável».

Uma loja que abriu, sobretudo, para colmatar algumas necessidades a nível financeiro.

«Este espaço, os nossos eventos solidários e os de angariação de fundos são necessários. Precisamos deles para nos sustentarmos no abrigo», acrescentou Sid.

E como os animais e o abrigo são o mote de todos os projetos, na loja toda a decoração é também pensada e voltada para os amigos de quatro patas. Nas paredes, além de quadros com fotografias de animais disponíveis para adoção, há ainda uma tela onde são projetadas imagens dos cães e gatos que procuram uma casa.

Para o britânico que sempre teve o sonho de deixar legado na questão do bem estar animal, este é mais um projeto que o enche de orgulho.

«O ARA é um abrigo de animais bem sucedido em Portugal. Acredito que este espaço será também uma loja de caridade bem sucedida. Orgulho-me da qualidade dos artigos que temos. Somos uma loja que poderia estar em qualquer rua comercial ou em qualquer centro. Acredito na qualidade e o ARA e esta loja são um reflexo disso mesmo. É essa a imagem que queremos passar e é por isso mesmo que estou orgulhoso», finalizou.

A «WOOFF» abre de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 15h00 e aos sábados das 10h00 às 13h00. Para o futuro, Louisa espera conseguir angariar mais voluntários, de maneira a ser possível alargar o horário.

Ordem de despejo do abrigo pode seguir para Tribunal

Como o barlavento noticiou, a Associação Animal Rescue Algarve (ARA), que investiu 1,5 milhões de euros na criação de um abrigo para animais, no concelho de Loulé, foi notificada em novembro do ano passado, pela autarquia, para fechar portas e demolir as infraestruturas.

Sid Richardson, fundador da Associação, explicou ao barlavento em que ponto se encontra o processo.

«Já submetemos a nossa resposta à Câmara. Estamos a seguir um processo que em último caso irá para Tribunal, a não ser que a autarquia encontre uma solução. A maneira mais simples de resolver as coisas seria incluir o projeto no Plano Diretor Municipal (PDM). Vamos lutar até às últimas circunstâncias e neste momento estamos em várias frentes. Temos uma petição com quase sete mil assinaturas que se chegar às 10 mil vamos levá-la a Parlamento. Estamos a contactar associações, veterinários e a comunicação social. Estamos a planear as coisas a grande escala, mas sempre de maneira pacífica. Já temos o apoio do Bloco de Esquerda (BE) e do Partido das Pessoas, dos Animais e da Natureza (PAN). Há várias coisas a serem feitas e estamos a trabalhar nessa questão».

Por parte da Câmara, Sid é da opinião que não há reconhecimento do verdadeiro problema. «Dizem que estão a tentar ajudar, mas não vemos grandes sinais disso. Acreditamos que se houvesse vontade, poderiam encontrar uma solução. Temos uma situação em que estamos a realojar cerca de 25 animais por mês. Não há um agradecimento, parece que não precisam de nós, mas a verdade é que precisam desesperadamente de nós. Deviam estar a colocar todo o seu esforço em encontrar soluções para esta questão. Acho que não estão a trabalhar diligentemente como deviam. Este é um problema à escala mundial e não estão a ver todo o panorama».