Algarve tem novo criador de ovelhas de raça Suffolk

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Veterinários algarvios concretizam sonho antigo e importam exemplares da Grã-Bretanha. Sonho é competir em Portugal, divulgar bons exemplares da raça Suffolk no país e exportar para todo o mundo.

Na gíria comum e no universo infantil são mais conhecidas por ovelhas «choné». A raça Suffolk é originária do Reino Unido e foi precisamente onde, Clarisse Breda e José Leitão, 28 anos, médicos veterinários na clínica veterinária GuiaVet, em Albufeira, foram buscar ao longo do mês de outubro, seis exemplares da raça para começarem a sua própria criação na região do Algarve.

A dupla tem dedicado toda a vida profissional a prestar cuidados saúde a animais de companhia convencionais como cães e gatos, mas sempre se destacou na região pela sua grande experiência e conhecimento por trabalharem com animais de pecuária e de grande porte como vacas, cavalos, porcos, ovelhas e cabras.

«Sempre achei esta raça muito engraçada e interessante», diz José Leitão, enquanto abordamos o rebanho que gentilmente nos vem cumprimentar. O carácter amistoso e curioso das ovelhas é notório assim que nos aproximamos.

«Dado o nosso trabalho, temos contacto direto e próximo com os animais. Devido ao carácter e conformação anatómica, sempre tivemos especial empatia pela ovelha da raça Suffolk», revela.

«São animais bastante dóceis e de fácil maneio. São muito robustas e de grande desenvolvimento corporal. A postura da cabeça e as orelhas são, sem dúvida, uma particularidade muito especial desta raça», aponta Clarisse.

A ideia de apostar num rebanho de ovelhas Suffolk surgiu «há vários anos», porém, «uma vez que não tínhamos condições para as ter, sempre foi uma ideia que ficou de certa maneira adormecida».

Agora, reunidas as condições «de segurança, higiene, e bem estar» na Quinta das Poupas, em Algoz, onde residem, e após muitos contactos e visitas a diversos criadores, encontraram na Irlanda do Norte os seis exemplares que importaram e que rapidamente se adaptaram ao clima ameno e pastagens do Algarve.

«No ínicio, ponderámos adquirir animais em Portugal, mas a maior parte dos criadores possuem genética francesa, e nós preferimos apostar nas linhas inglesas. No nosso país, são poucos os criadores que possuem esta linhagem, então, optámos pela importação».

A pesquisa começou em abril de 2019. Até chegar à seleção dos animais passaram-se cinco meses. Mas em outubro, os veterinários viajaram até a Irlanda do Norte para visitaram in loco os produtores, e onde escolheram as ovelhas com base na genética e fenotipo.

«São animais que possuem uma conformação muito boa, por isso, adquirimos seis ovelhas e um macho. As cinco ovelhas encontram-se já prenhas, sendo que quatro delas esperam crias de um dos carneiros mais caros vendidos em leilão. Para ter uma ideia, foi licitado na cidade de Stirling por 43000 gns, isto é, aproximadamente 43 mil euros», explica José Leitão.

O carneiro chama-se Mountford Maguire.

Contudo, a nível nacional, animais desta raça são vendidos «no mínimo, a partir de 600 euros», revela.

O objetivo agora é, a partir de 2020, começar a «participar nos concursos de Suffolk que se realizam em Portugal, com os borregos que irão nascer em janeiro», porque «apenas os animais nascidos em território nacional podem competir».

O campeonato nacional conta com cerca de cinco provas a realizarem-se em diferentes pontos do país, e onde se avaliam os animais em três diferentes classes: a de «borregos» para exemplares até aos 12 meses de idade, a de «malatas» para os animais entre os 12 e os 24 meses e a de «ovelhas» com 24 ou mais meses.

«Esta é uma boa forma de divulgação das nossas ovelhas. Também achamos importante a avaliação dos nossos animais por parte de um júri para que possamos sempre procurar melhorar as características nas gerações vindouras», explica José.

A cereja no topo do bolo seria serem reconhecidos e distinguidos enquanto «os melhores criadores de Portugal» e depois, exportar ovelhas para outros países.

Questionados sobre o perfil de cliente que procura este animal, Clarisse refere que são sobretudo «pessoas que já possuam rebanhos e que querem melhorar ou variar a sua genética, pessoas que queiram começar um rebanho, ou ainda produtores que possuam um rebanho de outra raça mas que queiram introduzir um macho para melhorar o rendimento das suas carcaças», já que estas ovelhas são conhecidas por «aumentar o tamanho dos exemplares».

No entanto, a médica veterinária ressalva que «apesar destas ovelhas, tal como todas as outras, existirem para consumo humano, e até possuírem uma carcaça com muita massa muscular e baixo teor em gordura, o nosso objetivo é procurar um animal excecional a nível morfológico e vender a sua genética, não a sua carne». Para mais informações visite «Suffolk Quinta das Poupas» no facebook.