SOUTH MUSIC soma 294 artistas algarvios inscritos

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Primeira edição do SOUTH MUSIC, grande mostra de de música, a realizar-se em Faro, nos dias 15 e 16 de junho, soma já com 294 artistas inscritos, a representarem 13 concelhos algarvios e cerca de 30 estilos musicais distintos.

A verdade é que o interesse no evento ultrapassou todas as mais otimistas expetativas da organização.

«Não esperávamos tantas bandas, nem fazíamos ideia que pudessem existir tantas no Algarve. Foi uma surpresa muito agradável e não sabem o gosto que é estar aqui a apresentar este projeto de índole musical depois de tudo o que passámos durante este ano, fruto da pandemia que nos assolou», disse Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, durante a apresentação do programa do SOUTH MUSIC, na tarde de quarta-feira, dia 5 de maio, no espaço Quintalão, dentro da Cidade Velha.

Como já tinha sido anunciado, o evento a decorrer em Faro, nos dias 15 e 16 de junho, além de ter como missão estimular o diálogo entre os músicos locais e os profissionais do sector musical, assenta em quatro vertentes: ações de formação e capacitação dos projetos selecionados, showcases; networking e conferências temáticas.

Outro dos pilares do SOUTH MUSIC é o facto de estar aberto a toda a região algarvia de forma «a dar a conhecer as bandas, os músicos e os projetos que existem, que estão a trabalhar no Algarve e que precisam de todo o nosso apoio para desenvolverem a sua carreira. É isso que estamos a fazer», assegurou o autarca.

Paulo Santos, vice-presidente da edilidade farense e um dos mentores do evento, começou por detalhar que 15 após o lançamento da plataforma e da abertura das inscrições, os números surpreenderam a organização.

«Esperávamos que corresse bem, mas nunca esperaríamos ter 121 projetos musicais admitidos para seleção. Essas candidaturas vão agora passar por análise do júri. São 121 projetos onde existem 294 músicos inscritos, que representam 13 concelhos do Algarve e dos mais diversos géneros musicais e idades distintas».

A ideia de existir a plataforma online, «com uma base de dados onde se promove a música regional foi um dos objetivos primordiais, pensado inicialmente e que queremos afirmar e deixar para o Algarve no futuro. Se depois do evento existirem projetos musicais novos, que se queiram inscrever na plataforma, a mesma vai estar permanentemente aberta e recetiva para receber mais projetos para os podermos lançar e promover nacionalmente e internacionalmente», disse ainda o vice-presidente.

Nesse sentido, após o evento, a plataforma continuará disponível para alojar vídeos, áudios, informações e contactos das bandas participantes, de forma a funcionar como um agregador de conteúdos e veículo de comunicação com a indústria musical.

Os músicos selecionados pelos júris terão ainda um acesso obrigatório a um conjunto de formações, a decorrerem entre o final do mês de maio e início do mês de junho, com três vertentes principais: comunicação, onde se irá abordar as redes sociais e as plataformas digitais; técnica, para se falar acerca da produção musical e da escrita de letras; e direitos de autor.

Quem estiver presente nos dois dias vai poder assistir aos showcases das bandas escolhidas, mas também a um ciclo de conferências, com convidados e moderadores do sector musical nacional, sobre temas que passam pelos embaixadores regionais, editoras e direitos de autos.

A juntar a isto, vai ainda existir um momento para conversas rápidas em que os músicos estarão disponíveis para falar com quem estiver presente nessas mesmas conferências.

Segundo Rogério Bacalhau, essa é uma das questões mais relevantes do SOUTH MUSIC.

«É um projeto que nos diz muito porque permite além da divulgação dos músicos e das bandas, tem aqui uma componente muito cara que é a formação e a capacitação. Esse aspeto está na génese deste projeto. Era uma componente que queríamos ter presente porque as formações permitem chamar a atenção, capacitar e fazer com que os músicos saiam mais ricos enquanto pessoas e enquanto agentes culturais», referiu.

Paulo Santos, Rogério Bacalhau, Viviane e Gil Silva.

Paulo Santos deu também a novidade de que no caso de existirem inscrições de projetos musicais que não tenham conteúdos de áudio ou vídeo nas condições ideais para serem apresentados ao mercado profissional, a ETIC_Algarve ajudará as bandas a criarem esses mesmos conteúdos.

Um pormenor que também foi equacionado pela organização trata-se da transmissão do evento online.

«Há pessoas do sector profissional que não se podem deslocar a Faro e não podemos deixar de fora quem quer ver as bandas ao vivo. Para essas situações existe a opção de acompanharem todo o evento em streaming, através dos canais habituais», afirmou o vice-presidente, que adiantou ainda uma novidade: «uma outra inovação, porque o SOUTH MUSIC vai decorrer simultaneamente numa plataforma de gaming».

Sobre a motivação para realizar esta mostra musical na cidade de Faro, Paulo Santos explicou que «fomos tentado inovar e perceber o que se podia fazer mais pelo sector cultural que foi o primeiro a ser afetado por esta terrível pandemia. Foram os primeiros a ficar sem trabalho, sem palco e sem sustento, e numa área que já tinha deficiências e problemas estruturais».

«Todas estas observações levaram-nos a fazer um evento não só para o público, mas mais para o sector profissional da música. É nesse sentido que o SOUTH MUSIC permite que reunamos em Faro o sector profissional da música em Portugal: agentes, produtores, programadores e média especializada na área. Todos estão a ser convidados para vir até Faro», disse.

Para o futuro, além do evento se incluir na candidatura de Faro à capital europeia da cultura 2027, o vice-presidente da edilidade farense, ainda acrescentou que também existe «uma ambição muito grande: que esta plataforma possa representar e promover os músicos da região. Não é por falta de modéstia, é porque sentimos que este projeto é de todos. Não há nenhuma plataforma com estas características de promoção regional e de tentativa de lançamento de projetos musicais no pais. É, do que sabemos, o único projeto com esta natureza em Portugal, sendo que noutros países da Europa há já várias redes internacionais».

Viviane e Gil Silva.

Já o edil garantiu que o projeto «não se vai esgotar este ano. Se tudo correr bem, e a nossa ideia, é que possamos fazer novas edições e isso é importante para termos cada vez melhores agentes culturais no concelho» e na região.

Um evento que junta profissionais da música de todo o país

O SOUTH MUSIC, uma iniciativa da Câmara Municipal de Faro, Teatro Municipal de Faro e Faro2027, vai trazer à capital algarvia uma série de convidados e profissionais de renome no sector da música, que se irão juntar para moderar palestras ou dar formações.

Tudo começa no grupo de jurados, que de acordo com Gil Silva, diretor do Teatro das Figuras, tratam-se «em grande maioria de profissionais fora da região. Teriam de ser eles a analisar as bandas de forma a que existisse um distanciamento e um olhar mais isento». Juntam-se assim Inês Meneses, Rui Miguel Abreu, Fernando Alvim, Gil Silva, Sandra Faria, Renato Júnior, Paulo Silva e Nuno Saraiva, que se encontram agora no processo de seleção dos projetos.

Para embaixadores, a escolha recaiu em músicos algarvios ou com ligações à região e são eles: Júlio Ferreira e Ricardo Coelho, Dino D´Santiago, Júlio Resende, Viviane, Nuno Guerreiro e Zé Eduardo. Estes são os nomes que compõem o Painel de Embaixadores, no ciclo de conferências, que irão falar sobre a dificuldade em ser música e em viver da música fora dos grandes centros urbanos.

O Painel das Editoras, que irá traçar cenários sobre o futuro da edição, vai permitir um diálogo entre editoras multinacionais e independentes com Paula Homem, Francisco Vasconcelos, José Gomes e Nuno Saraiva.

Por sua vez, o Painel Direitos de Autor e Conexos será moderado por Tozé Brito, representantes da SPA, GDA, Audiogest e o músico Nuno Rodrigues dos Glockenwise, onde se irá debater sobre a substituição das formas tradicionais de receitas.

Já o Painel O Papel da Imprensa Musical, apesar de ainda não estar completo, terá como convidados Inês Meneses, Vitor Belanciano e Júlio Ferreira, que irão partilhar reflexões sobre a forma como a imprensa musical pode ter maior visibilidade no país.

A encerrar o ciclo, o Painel Programar em Português vai-se tratar de uma conversa entre Luís Ferreira, Vasco Sacramento, João Carvalho, Sandra Faria, Ricardo Bramão e Michal Zolman, que irão avaliar a criação de música em Portugal.