Reportagens do barlavento ganham Prémio «Analisar a Pobreza na Imprensa»

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Primeiro e terceiro lugares do «Analisar a Pobreza na Imprensa» regional foram atribuídos a peças do barlavento.

Dois trabalhos editoriais publicados pelo barlavento, no ano passado, ganharam o primeiro e terceiro lugar da quarta edição dos prémios de jornalismo «Analisar a Pobreza na Imprensa», na categoria de imprensa regional.

Estes prémios distinguem reportagens e peças jornalísticas que tratem o tema da pobreza e da exclusão social «de forma digna, livre de preconceito e de outras representações negativas sobre estas matérias» e são promovidos pela Organização Não Governamental (ONG) EAPN Portugal/Rede Europeia Antipobreza.

De um total de 48 trabalhos jornalísticos (25 nacionais e 23 regionais), foi distinguido em primeiro lugar na categoria de imprensa regional, a entrevista intitulada «Pauliana Valente Pimentel mostra comunidades ciganas em Faro-oeste» da autoria do jornalista Bruno Filipe Pires.

Na edição de 4 de novembro de 2021 (em suporte papel e online), a artista visual, considerada uma referência na fotografia portuguesa contemporânea, fala sobre as condições de vida das comunidades ciganas nos acampamentos que retratou em Faro, Loulé e Boliqueime.

Na altura, foi uma encomenda de criação e também uma aposta arrojada da programação da 10ª edição do Festival Verão Azul, evento em que o barlavento é parceiro. Pauliana Valente Pimentel criou uma exposição de fotografia que segue a sua linha política e interventiva, que foi exibida no Museu Municipal de Faro e no Centro Cultura de Lagos.

O segundo prémio foi atribuído à reportagem «Vive há meses numa paragem de autocarro, quase invisível a quem passa», de Sandra Simões, do Diário de Aveiro.

Por fim, o terceiro prémio foi para a peça «Fátima Messias: estamos a criar pobres tolerando a desigualdade», também escrita pelo diretor do barlavento.

Publicada a 11 de março de 2021, a notícia dava conta da presença da coordenadora nacional da Comissão para a Igualdade Mulheres e Homens (CIMH)/ CGTP-IN, num protesto que uniu vários sindicatos junto ao Hospital de Faro, sob o lema «Defender a Saúde, Dignificar o Trabalho, Avançar na Igualdade». Ouvida pelo barlavento, a dirigente da CGTP manifestou-se «muito preocupada» com o aumento do desemprego, numa região onde a precariedade e a sazonalidade já eram (e são) flagelos sociais muitos antes da pandemia.

Na categoria de imprensa nacional, em primeiro lugar ficou o trabalho do jornal Público «Os 25 anos do Rendimento Social de Inserção: O RSI não é o sítio onde queira voltar», da autoria da jornalista Natália Faria e do fotojornalista Paulo Pimenta. O segundo lugar foi atribuído à jornalista Filipa Almeida Mendes e ao fotojornalista Nélson Garrido, também do Público, pelo trabalho «Ali há pessoas geniais: Jovens com deficiência ou doença mental transformam roupas usadas e criam uma marca».

Já o jornalista Hugo Franco e o fotojornalista Tiago Miranda, do jornal Expresso, ficaram em terceiro lugar, com o artigo «O lado oculto das estufas de Torres Vedras».

Todos os trabalhos propostos a concurso foram escolhidos por pessoas que já viveram situações de pobreza ou de exclusão social e que integram os Conselhos Locais de Cidadãos (ao todo existem 19 no país, um por cada distrito, assim como na Região Autónoma da Madeira), neste caso Cidália Barriga (Évora), Francisco Rico (Aveiro), Jaime Filipe (Setúbal) e Jaime Janeiro (Portalegre). Tiveram o apoio não vinculativo de um júri académico formado por Paulo Alves, da Universidade do Algarve e Fernando Zamith, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Para Bruno Filipe Pires, «foi com surpresa que recebemos esta notícia. O mais importante é que os trabalhos foram escolhidos por pessoas reais, com coração e alma, com experiências de vida complicadas e difíceis, que viveram na pele estas problemáticas e que se identificaram com a informação veiculada e com a forma como foi por nós tratada e publicada: com toda a dignidade».

Por outro lado, «é muito gratificante ver a nossa linha editorial e o trabalho da nossa pequena equipa reconhecido ao lado dos melhores do país. É também motivo de orgulho para o jornalismo algarvio e para o Algarve ver um órgão de comunicação regional, o barlavento, continuar a renovar o já longo e reconhecido historial de prestígio e qualidade, sendo plural, imparcial e independente, como sempre foi e continuará a ser».

O prémio de jornalismo «Analisar a Pobreza na Imprensa» é promovido pela EAPN -European Anti-Poverty Network (Rede Europeia Antipobreza), a maior rede europeia que junta organizações não governamentais nacionais, regionais e locais empenhadas na luta contra a pobreza. A EAPN Portugal tem sede no Porto. Os prémios serão entregues a 17 de outubro na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, em Braga, data em que se celebra o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

Esta é a segunda vez em que o barlavento fica no pódio deste concurso. Em 2019 ganhámos o primeiro prémio na categoria regional com a reportagem «Teatro das Figuras abre o «caminho certo» nos bairros sociais de Faro».