Livro «Deficientes das Forças Armadas – A Geração da Rutura» apresentado em Lagoa

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A Delegação de Faro da Associação de Deficientes das Forças Armadas (ADFA) apresenta na sexta-feira, dia 24 de maio às 18h30, a Biblioteca Municipal de Lagoa, o livro «Deficientes das Forças Armadas – A Geração da Rutura». A obra, de 1058 páginas, será apresentada por José Vilhena Mesquita, professor da Universidade do Algarve.

«A história da Associação dos Deficientes das Forças Armadas confunde-se com a própria luta dos deficientes da guerra colonial pelo reconhecimento dos seus direitos e está ligada à explosão coletiva decorrente da queda do regime ditatorial do Estado Novo».

Este livro «procura fixar esse complexo e fecundo movimento iniciado ainda antes do 25 de Abril de 1974, em ligação com o Movimento dos Capitães, trazendo ao conhecimento público o percurso de vida dos deficientes das Forças Armadas e a sua luta tenaz e intransigente pelo direito a uma vida digna numa sociedade democrática».

«Revela os esforços de reintegração social realizados pelos deficientes das Forças Armadas e o seu contributo, no domínio da reabilitação, para a criação de uma sociedade mais inclusiva. Dá conta da persistência na preservação da memória da guerra colonial por parte das suas maiores vítimas».

O livro, segundo explica ao «barlavento» José Manuel Furtado, presidente da Assembleia Geral da Delegação de Faro da ADFA, é «um exercício da memória coletiva, para que essa memória não se perca. E é o resultado de um trabalho coletivo, para que essa memória seja fiel».

A obra «nasceu, cresceu e concluiu-se dentro do genuíno espírito associativo que levou à criação e afirmação da ADFA e que fez dela um exemplo de abrangência, solidez e perenidade na sociedade democrática do 25 de Abril», tal como é descrito na introdução.

Constitui também, nas palavras do filósofo Eduardo Lourenço, autor do Prefácio, «uma memorialização do que não podia ser esquecido sem injustiça e grave pecado, ética e humanamente insuportáveis, para aqueles que o sofreram por cumprirem o que o que desde sempre foi exigido em nome de valores ou ideais dignos, na óptica do tempo em que combateram, de consideração e respeito».

Para José Manuel Furtado, «a importância sociológica que este registo para a história comporta e o contributo que os acontecimentos aí descritos tiveram na transformação para uma sociedade mais justa e inclusiva justificam, a divulgação deste evento».