Happening/Manifesto «APNEIA» celebrou Dia Mundial do Teatro em Faro

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João de Brito, ator, encenador e mentor do LAMA Teatro, convidou hoje um grupo de 30 performers para o happening/manifesto «APNEIA».

A ideia foi ter o grupo separado, com as devidas distâncias de segurança, a ler, ao ar livre, na baixa de Faro, a mensagem internacional do Dia Mundial do Teatro, este ano, assinada por Helen Mirren.

Sem ensaio, nem palco, a leitura começou na doca, e vamos invadiu as ruas de Faro com a mensagem em loop e em voz alta.

Os performers são na maioria profissionais da área de teatro e pessoas ligadas à cultura.

Tânia Silva.

Segundo João de Brito, «este happening/manifesto chama-se APNEIA, devido ao momento que o teatro vive, mas também pela nossa capacidade de resistência e por ainda conseguirmos respirar e ter a cabeça ligeiramente à tona da água».

«Esta é uma altura muito conturbada para o mundo das artes. Há muitas pessoas a passar dificuldades, sem conseguirem trabalhar, embora com vontade. Acho que mesmo assim, acho que há tanta resiliência, tanta energia e tanta coisa boa dentro das pessoas que em Portugal trabalham nas artes que sinto que ainda têm alguma coisa para dar», explicou ao barlavento.

João de Brito.

Além da mensagem do Dia Mundial do Teatro, de Helen Mirren, os participantes foram desafiados a ler entre mensagens pessoais a frases de livros considerados relevantes tendo em conta o atual contexto, num misto de desabafo e esperança. «Uma invasão de palavras. Tudo livre», considerou.

Habituado a trabalhar em espetáculos de rua, João de Brito lamenta que nem isso hoje é possível e muitos dos projetos de formação que o LAMA Teatro tinha previsto para este ano estão «suspensos e adiados. Em breve vamos começar os ensaios para o nova criação, mas a maioria da agenda foi cancelada».

O Instituto Internacional do Teatro (ligado à UNESCO) definiu a data de 27 de março como o Dia Mundial desta arte em 1961 e desde então convida um profissional da área a redigir uma mensagem difundida em todo o mundo.

Em 2021 a escolhida é a atriz britânica Helen Mirren que começou a sua carreira no teatro em 1965. Destacou-se pelos seus papeis em textos de autores clássicos como Strindberg ou Racine, que lhe valeram várias distinções no Reino Unido.

Hoje, muitas companhias por todo o planeta procederão à sua leitura, a grande maioria em formato online, já que não é possível fazê-lo no palco, tal como acontecia antes da pandemia de COVID-19.

Eis a mensagem:

«Estes têm sido tempos muito difíceis para as atuações ao vivo e muitos artistas, técnicos e artesãos têm lutado por esta profissão já de si carregada de insegurança.

Possivelmente essa insegurança de sempre tornou-os mais capazes de sobreviver a esta pandemia com coragem e determinação.

A sua imaginação já se traduziu a si mesma, nestas novas circunstâncias, em muitas formas inventivas, divertidas e comoventes de comunicar, graças, claro, em grande parte, à Internet.

Os seres humanos têm contado histórias uns aos outros desde que habitam o planeta. A bela cultura do teatro viverá enquanto por cá continuarmos.

O impulso criativo de dramaturgos, cenógrafos, bailarinos, cantores, atores, músicos e encenadores jamais será sufocada e num futuro muito próximo irá florescer de novo, com uma nova energia e um novo entendimento sobre o mundo que todos nós partilhamos.

Mal posso esperar!»