Faro2027 pode «ser o caminho de metamorfose do Algarve»

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A candidatura (bidbook) de Faro2027, Capital Europeia da Cultura foi apresentada, em formato de talkshow e com vários convidados.

«Este novo caminho está traçado. Creio que este processo já deu os passos fundamentais para vir a tornar-se uma realidade. A cultura é a essência de qualquer território. Tudo pode ter a ver com cultura, desde a água, às alterações climáticas. E é isso que esta candidatura é. Acredito firmemente que temos condições para que Faro possa ser o caminho de metamorfose do nosso Algarve», disse Alexandra Rodrigues Gonçalves, diretora da Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo da Universidade do Algarve (UAlg), na cerimónia que decorreu na segunda-feira, dia 28 de fevereiro, no palco do Teatro das Figuras.

Luís Vicente.

«Esta capitalidade cultural que Faro pode gerar» será feita «com os 16 municípios, com as euroregiões Alentejo e Andaluzia, com um público visitante que ultrapassa anualmente os cinco milhões [de pessoas] e também através da dimensão digital que o projeto também tem», acrescentou.

«Cada um de nós tem de dar o seu melhor para que isto aconteça». Por sua vez, Luís Vicente, responsável pela ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve, sublinhou que «esta é uma conversa extraordinariamente importante» porque vai muito além dos eventos culturais, pondo em questão temas como a mobilidade, o urbanismo e os acessos à cidade. «Tudo tem de ser muito bem visto, pois «estamos no tempo de corrigir [as coisas erradas] e de tornarmos esta nossa cidade e esta nossa região numa entidade cosmopolita que faça a diferença em Portugal e na Europa».

Além disso, é também uma oportunidade para mudar mentalidades. «Venho de um tempo em que nos chamavam subsídiodependentes, até que apareceu um diretor geral das Artes [Jorge Barreto Xavier, mais tarde secretário de estado da Cultura e hoje responsável pela candidatura rival de Oeiras] que acabou com essa conversa com números concretos no contexto da Europa. A cultura não é subsidiodependente de área de atividade nenhuma. É uma área de atividade económica absolutamente fundamental», frisou.

Bruno Inácio, coordenador da equipa Faro2027, explicou que a relação da região e da cidade com a água é a temática principal da candidatura, em torno da qual derivam outras problemáticas como a multiculturalidade e a massificação turística.

Bruno Inácio.

«Faro colocou a cultura e a criatividade no centro da sua ação política. A reflexão sobre o nosso território e sobre o papel que a cultura deve ter no seu desenvolvimento leva-nos mais longe. Vai ao âmago da nossa sociedade. Fala-nos do passado e das suas feridas escondidas pelo glamour do turismo, sector fundamental para a nossa região ao longo das últimas décadas, mas cuja concentração massiva, em determinadas zonas, tem deixado marcas indeléveis no nosso tecido social e económico. Enquanto região, precisamos de estabelecer uma nova relação com o turismo e com os turistas, privilegiando cada vez mais o respeito pelo território, pela natureza e pelas pessoas. Isto não nos exclui da nossa condição de europeus, sentimento que por estes dias, infelizmente, nos congrega pensamentos de forma dolorosa», sintetizou o autarca Rogério Bacalhau.

Paulo Águas, António Miguel Pina, João Fernandes e José Apolinário.

Houve ainda uma performance de Petr Gdsoon e dos alunos do 1º ano do Curso Profissional de Intérprete de Dança Contemporânea da Escola Secundária Tomás Cabreira. Estiveram ainda presentes responsáveis de várias entidades como Rogério Bacalhau e Paulo Santos (executivo da Câmara Municipal de Faro), António Miguel Pina (AMAL), João Fernandes (Turismo do Algarve), José Apolinário (CDDR Algarve), Paulo Águas (UAlg) e Adriana Nogueira (Diretora Regional de Cultura do Algarve).