Carlos Pacheco e trupe «com a Corona aos Saltos» para estrear

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Muda o formato mas mantêm-se o essencial do humor e da sátira na nova revista à portuguesa do Boa Esperança Atlético Clube Portimonense «com a Corona aos Saltos».

Quando o primeiro confinamento começou, há dois anos, coincidiu exatamente com o dia em que subia à cena a nova revista à portuguesa do Boa Esperança Atlético Clube Portimonense. O dinheiro estava gasto, o trabalho estava feito e, de repente, ficou tudo suspenso, sem ninguém saber por quanto tempo. E portanto, «Com a Greta Pelo Ar» acabou por ficar… em terra.

«Ainda me arrepio cada vez que falo nisso», confidencia Carlos Pacheco, empresário, autor, ator e relações públicas de um dos espetáculos mais acarinhados pelo público a sul do Tejo.
Agora, ao fim de dois anos de jejum de palco, o elenco do Boa Esperança volta à cena com a «Corona aos Saltos», novo trabalho que estreia na noite de sábado, dia 9 de abril, na sede da coletividade, em Portimão.

Como novidade, o espetáculo passa de três horas, com intervalo, para duas horas, sem intervalo. Esta mudança irá acrescentar mais dinâmica às cenas e um foco maior nos quadros importantes.

«Eliminei tudo o que era para encher chouriços e ficou só a nata da nata», diz Carlos Pacheco. «Vai dar-nos mais trabalho, porque teremos menos tempo para mudança de trajes, tanto os atores como as bailarinas. Vamos ficar mais cansados, como já vimos nos ensaios gerais, mas o público ficará a ganhar».

E como tem sido tradição, trata-se de um espetáculo todo criado de raiz. Segundo Carlos Pacheco, o teatro de revista tem uma particularidade: «o que hoje faz sentido, amanhã já não faz».

O confinamento também foi aproveitado para melhorar as instalações da sede, sobretudo a sala de espetáculos, que está mais atrativa. Foram retirados 40 lugares e criadas três coxias, uma central e duas laterais, o que melhora as condições de mobilidade.

Foi efetuada a reconversão das casas de banho, existentes nos camarotes e desativadas há cerca de década e meia.

O sistema de som, que já estava obsoleto, e toda a parte de robótica foi substituída por outra mais moderna e com muito menor consumo energético.

«Esse equipamento não é do Boa Esperança, é meu, mas estou a cedê-lo à coletividade», disse Carlos Pacheco, acrescentando que «ninguém sabe se não irei fazer uma cartinha com esta doação, como fiz pelo Natal, com a oferta de uma viatura e outro material. Sou um empresário, mas também sou presidente do clube e, mais tarde, gostaria de ser lembrado pela obra que ajudei a deixar».

Questionado sobre as críticas de gerir uma organização privada em simbiose com a coletividade, Carlos Pacheco responde às más-línguas.

«Se não fosse dessa forma, não conseguíamos ser aquilo que somos hoje. Seríamos mais uma coletividade sem condições, que apresentava um bailarico de quando em vez, ou qualquer coisa mixuruca, e o Boa Esperança merece mais do que isso. E não é só mérito meu. Há muita gente que passou por aqui e fez bom trabalho. Acabou de deixar-nos uma pessoa que é grandemente responsável pela pujança do Boa Esperança. Ilídio Poucochinho foi quem me empurrou para presidente, quem me deu a oportunidade de pisar um palco, quem me ensinou a escrita da revista. Esteve comigo quatro anos na parte diretiva e, um dia, disse-me: tens pernas para andar e vais ser o melhor presidente que já passou por esta casa».

«Com a Corona aos Saltos» terá, como é hábito, textos e letras de Carlos Pacheco, músicas de Luís Vieira, e os cuidados de Lina Cardoso no guarda-roupa. O elenco será encabeçado por Carlos Pacheco, coadjuvado por Flávio Vicente, João Martins, Sandra Rodrigues, Soraia Correia e Telma Brazona. As bailarinas são Catarina Duarte, Lara Guerreiro, Mariana Jobling, Rita Ferreira e Vânia Lourenço.

Estão programados 31 espetáculos até 29 de maio, com sessões às sextas e sábados às 21h30 e duas matinés aos domingos às 15h00 e às 17h30. As sessões da tarde estão praticamente esgotadas, pois já há 50 excursões de todo o Algarve e do Baixo Alentejo para ver a peça. As outras sessões também começam a estar bem preenchidas. As reservas podem ser feitas entre as 15h00 e as 21h00, através de telemóvel (967 188 290).

A comédia compensa

Tempos difíceis são também tempos férteis para qualquer arte, e o teatro e a comédia não são excepção. Em julho de 2020, nos dias mais incertos da pandemia de COVID-19, anunciou a estreia da comédia teatral «Marafada Quarentena» no palco do TEMPO – Teatro Municipal de Portimão.

O sucesso foi tal que acabou por correr a região ao longo de um ano e meio. Carlos Pacheco, autor da peça, recorda que «o nosso primeiro objetivo foi conseguir dar a volta, psicologicamente, à situação, para não ficarmos parados, sabíamos lá nós por quanto tempo.

A presidente da Câmara Municipal de Portimão, Isilda Gomes lançou-nos o desafio para apresentarmos a revista no TEMPO, assim que houvesse uma pequena abertura no contexto pandémico, porque a sala é maior do que a nossa e poderíamos ter mais público de forma segura. Aceitei, mas com uma proposta diferente. Escrevi uma comédia, porque era mais fácil manter uma estrutura, em termos de custos. E deu frutos, não só porque pudemos apresentar um espetáculo durante o mês de agosto, mas também porque tivemos sempre lotação esgotada, apesar de limitada. Conseguimos atrair centenas de pessoas que nunca tinham ido ao TEMPO, mas que eram público fiel da nossa revista.