Boa Esperança realiza «O Sonho do Ernesto» e já pensa em digressão

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«O Sonho do Ernesto» é um trabalho muito diferente do registo de revista à portuguesa a que o coletivo de Portimão habituou o público, concebido a pensar nos mais pequenos. Para já, o espetáculo pode ser visto na sede até 5 de janeiro, e quem sabe se não fará uma digressão pelo Algarve, muito em breve.

Há uma bruxa boa e outra má, elfos e duendes e todos os ingredientes que colam a atenção das crianças ao que se passa em palco. Foi assim na estreia, no sábado, 30 de novembro, que encantou o público de palmo e meio.

Segundo o encenador e ator Carlos Pacheco, «O Sonho do Ernesto» surge a propósito do evento «A Magia de Natal», em Portimão, que este ano não ficará apenas confinado ao espaço da Alameda, mas ocupará cinco pontos distintos da cidade. O sexto ponto será a sede do Boa Esperança.

«Ou seja, este espetáculo completa a programação natalícia da cidade, que queremos que seja o maior evento a sul de Lisboa e um dos maiores a nível nacional. Portimão merece e fará com que os algarvios venham visitar-nos durante a quadra», garante ao «barlavento».

«Dura cerca de uma hora, mais ou menos, e é apetecível para crianças entre os três e os oito anos», já que respeita o limite da capacidade de concentração dos mais pequenos.

«É apresentado ao fim de semana, mas também aos dias úteis, para as escolas, com marcação prévia. Por outro lado, estamos a ter tantas solicitações, que estamos a equacionar a possibilidade de o apresentar noutros concelhos», diz o encenador.

Segundo Flávio Vicente, responsável pela cenografia, esta peça «não tem o tradicional cenário pintado, por assim dizer, mas tem uns elementos muito engraçados. Fizemos um decor muito específico, que é a casa do Pai Natal. É algo muito diferente do que costumamos apresentar e muito rico a nível de imagens. Há algumas peças pintadas, mas não o tradicional da revista à portuguesa. Claro que também tem o necessário para as cenas brilharem, de acordo com a nossa imagem e com aquilo que costumamos apresentar ao público».

Também não faltam as canções, segundo conta a atriz e cantora Soraia Correia. «No total, com as músicas cantadas e os bailados, diria que são cerca de 16 temas originais e bastante orelhudos. Aliás, damos por nós a deitarmo-nos com as músicas na cabeça», brinca.

Carlos Pacheco será também o protagonista da história. «Serei eu a fazer de Ernesto. Ainda recebi algumas propostas de atores, inclusive de Lisboa, para virem interpretar a personagem. Estava tudo acertado, mas no decorrer dos ensaios percebi que teria de ser eu a fazer este papel. O Ernesto é o duende do Pai Natal, mas não é um qualquer, é o chefe. As crianças vão todas gostar dele. É uma figura contagiante. Faz birras por tudo e por nada. É muito bom miúdo, mas às vezes diz umas mentiras, daquelas aldrabices que não têm pés nem cabeça e que todos vão perceber. O Ernesto descobriu agora a tecnologia do telemóvel e não o larga. Claro que, no final, haverá a moral da história».

«Tive que entrar num espírito mesmo de criança. Durante mais de 30 anos fiz a personagem Pevide e isso também me deu algum traquejo do contacto com as crianças e de aprender como reagem, que neste momento permite entrar no universo infantil. Eu próprio estou a descobrir coisas em mim. Como atores, às vezes, precisamos destas coisas. É um desafio muito grande», diz.

O elenco conta com Soraia Correia, Flávio Vicente, Carlos Pacheco, Sandra Rodrigues e um corpo de baile. «Somos poucos, mas suficientes pois enchemos o palco», diz o encenador.

Para já, o espetáculo pode ser visto na sede do Boa Esperança até 5 de janeiro. Há sessões aos sábados às 21h00 e domingos às 11h00. As escolas podem reservar sessões especiais de segunda a sexta-feira, às 15h30. A bilheteira pode ser contactada por telemóvel (967 188 290).