Um terço mulheres portugueses tem ou virá a ter incontinência urinária

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A perda involuntária de urina vai ser um dos temas centrais do IX Simpó sio da Associação Portuguesa de Urologia, que decorre entre quinta-feira e sábad o no hotel Santa Eulália, em Albufeira.

Mais de duas centenas de especialistas vão reunir-se no Algarve para, s ob o mote “Terapêuticas Minimamente Invasivas”, debater técnicas de tratamento d e doenças como o cancro da próstata ou a lítiase renal (pedras nos rins).

De acordo com Francisco Rolo, urologista no Hospital da Universidade de Coimbra, a perda involuntária de urina afecta entre 25 a 30 por cento das mulhe res portuguesas com mais de 50 anos.

Além da configuração anatómica feminina ser mais favorável à perda de u rina do que a do homem, os partos e o avanço da idade contribuem também para um maior relaxamento dos músculos pélvicos e da bacia.

“É uma doença benigna, que não mata ninguém, mas que incomoda muito e t em consequências na qualidade de vida das pessoas”, explicou o urologista.

Nos homens, os problemas de incontinência são quase inexistentes e acon tecem sobretudo a pessoas que se submeteram a cirurgias na próstata ou a idosos.

Segundo aquele responsável, antigamente a incontinência urinária só pod ia ser tratada através de uma cirurgia, com um tempo de internamento relativamen te extenso e com resultados que nem sempre satisfaziam o doente.

Contudo, com o aparecimento de novas tecnologias, a dor e o tempo de in ternamento são minimizados, podendo o doente ter alta no mesmo dia ou seguinte a o tratamento, com taxas de sucesso que rondam os 95 por cento.

“Tem havido uma grande aceitação no que respeita a estas novas tecnolog ias”, disse, referindo como exemplo a aplicação de um dispositivo interno para c urar a incontinência urinária.

O problema é que nem todos os serviços de urologia dos hospitais portug ueses dispõem destas tecnologias, pelo que não são facilmente acessíveis a toda a população, devido à dispersão geográfica.

Existem no Serviço Nacional de Saúde (SNS) 40 serviços de Urologia, mas apenas sete ou oito aplicaram este tipo de tecnologias ao tratamento de doenças do foro urológico.

“O objectivo é tentar que haja no futuro hospitais de referência com es tas técnicas”, disse Francisco Rolo, acrescentando que, por enquanto, está dispo nível apenas nos principais hospitais do país.

Outro dos temas em debate no simpósio será o cancro da próstata, doença que, segundo o urologista, afecta em Portugal 25 por cento dos homens com mais de 50 anos em 100 mil habitantes.

Classificando a doença como um “problema de saúde pública”, Francisco R olo diz que a situação em Portugal é “preocupante” e que a partir dos 50 anos to dos os homens devem fazer rastreios e ser vigiados.

“Não há dados concretos quanto à prevenção da doença, o que se pode faz er passa apenas pela vigilância”, disse, acrescentando que, ligados ao aparecime nto do cancro da próstata, estão factores genéticos e hábitos alimentares pouco saudáveis.

Uma alimentação rica em vegetais pode inibir o seu aparecimento, ao pas so que uma dieta rica em gorduras animais pode potenciar a doença, o que pode aj udar a explicar o facto do cancro da próstata atingir mais os homens negros e me nos os asiáticos.

Contudo, segundo o urologista, ao contrário de outros tipos de cancro m ais mortíferos, este evolui muito lentamente, pelo que, se for detectado a tempo , há grandes possibilidades de cura através de cirurgia.

“Se for detectado um cancro da próstata a partir dos 70 anos, o doente nem precisa de tratamento, a não ser que haja manifestações clínicas da doença, mas não morre de cancro”, concluiu.