«Os indicadores são só indicadores»

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Três estabelecimentos de ensino algarvios saltaram à vista no ranking das melhores e das piores, divulgado na passada semana pelo Ministério da Educação.

O «barlavento» falou com os directores da Escola José Belchior Viegas e do Colégio Internacional de Vilamoura, para obter uma reacção a estes indicadores.

Também contactou com a Secundária Padre António Martins de Oliveira, mas não obteve resposta até à hora de fecho desta edição.

Nas escolas que foi possível contactar, a sensação transmitida foi de serenidade perante os resultados. Até porque, disseram os directores de ambas, «indicadores são só indicadores». «Não devemos ficar demasiado optimistas com os bons resultados, nem demasiado pessimistas com os maus», disse Renato Costa, do Colégio Internacional de Vilamoura.

Já Aida Cardoso, a presidente do Conselho Executivo da Escola José Belchior Viegas, assumiu que os resultados são, acima de tudo, «uma responsabilidade muito grande». Na prática, «servem para reflectir sobre o processo de aprendizagem».

Não esconde, ainda assim, orgulho nos alunos da escola que dirige, a quem atribui o mérito pela boa classificação. «No ano passado tivemos um grupo de alunos excelente» no que toca ao português, frisou.

Também Renato Costa se mostrou orgulhoso nos alunos do colégio, lembrando que este ensina crianças e jovens de «42 nacionalidades». Muitos dos que contribuíram para a boa média em português não têm sequer como idioma materno a nossa língua.

Também se mostra satisfeito pelo ciclo de bons resultados que o colégio que dirige tem vindo a conseguir, desde há cinco anos.

Em ambas as escolas, é referido o processo educativo, e as bases que vêm de trás. E se no colégio de Vilamoura o percurso dos alunos é sempre feito dentro da instituição, na Secundária de São Brás de Alportel já não é assim.

Aida Cardoso diz que parte do sucesso se deve à aposta que se tem vindo a fazer na educação, naquele concelho. Apesar de não haver um projecto comum, há uma «sintonia» entre os estabelecimentos de ensino dos diversos níveis. Isto permite que os alunos cheguem ao ensino secundário «com um bom background».

Renato Costa, por seu lado, acredita que a aposta num projecto de ensino «baseado na investigação» está na base da série de resultados positivos que a escola obteve.

«A escola está a transformar-se num laboratório, onde se estudam todas as áreas do conhecimento. As experiências têm sempre por base situações reais», contou ao «barlavento».

O director do Colégio Internacional de Vilamoura frisou ainda o facto de o Algarve, com menos população e escolas que alguns grandes centros urbanos, conseguir ter estabelecimentos de ensino nos rankings de melhores resultados a nível nacional.

O sucesso do colégio até sai fora de portas. Nos exames internacionais da Universidade de Cambridge (IGCSE e A Levels), os alunos ultrapassaram as expectativas iniciais: 100% dos estudantes a frequentar a classe 13 (último ano) foram admitidos em universidades inglesas e, em simultâneo, nas melhores universidades portuguesas.