Nakamura chegou a Portimão para abrir portas para o Oriente

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Veio do outro lado do mundo para Portimão, um pouco como um descobridor que partiu à aventura sem saber o que o esperava no futebol português.

Yuto Nakamura tem 22 anos, é japonês e reforço da equipa de futebol do Portimonense para a presente época, mas, além da vertente desportiva, Yuto pode ser uma mais-valia para abrir novos caminhos negociais entre Portimão e a Ásia.

Formado nas camadas jovens dos Urawa Red Diamonds, Yuto Nakamura brilhou no ano passado em Hong Kong, ao serviço do TSW Pegasus, quando marcou sete golos em 12 jogos.

Foi nessa altura que surgiu a oportunidade de dar o (grande) salto para a Europa. Ao «barlavento», Nakamura explicou que a decisão foi fácil. «Soube da possibilidade de vir para Portugal há dois meses, quando o meu agente falou comigo, e disse logo: quero ir para Portugal».

De Portugal, Nakamura conhecia pouco, exceptuando as estrelas do futebol internacional e o que foi descobrindo do futebol português na internet.

«Conhecia o Cristiano Ronaldo, o Figo e o Nani que são muito bons jogadores. Depois, comecei a ver vídeos da Segunda Liga, e achei que era um bom ambiente para mim».

Apesar de ter chegado a Portugal sozinho, Nakamura está a gostar muito da experiência, e espera que a solidão não dure, uma vez que até gostaria de encontrar aqui uma namorada. «Sim, quero arranjar namorada portuguesa», gracejou.

Para Nakamura, as diferenças culturais entre países são nítidas, mas o jogador confessou que já se rendeu à comida portuguesa, mas também à brasileira.

«A comida portuguesa é muito boa, mas também como muita comida brasileira, pois o Aragoney e o Maílson [colegas no Portimonense] cozinham muitas vezes massa e carne».

A barreira linguística é um dos principais problemas com que se depara Nakamura. O jovem japonês procura entender-se com os colegas em inglês, mas já entende muito do que lhe dizem na língua de Camões.

«Alguns dos meus companheiros têm dificuldade em falar comigo, mas eu já sei algumas palavras em português, as mais fáceis, cerca de 40, e além disso o treinador fala comigo em inglês», contou ao «barlavento».

Dos colegas que encontrou em Portimão, Yuto Nakamura já conhecia um, Aragoney, que já passou pelo futebol japonês e que partilha com Yuto o mesmo grupo de empresários.

«Já o conhecia, é muito bom jogador, rápido, inteligente. Eu estudo o que ele faz e aprendo com ele. E o Diogo e o Maílson também me ensinam muito», concluiu Nakamura.

Já Fernando Rocha, presidente do Portimonense, explicou ao «barlavento» que Nakamura chegou a Portimão por intermédio da mesma empresa que representa Hulk, jogador do Futebol Clube do Porto.

«Foi uma aposta de uma empresa que representa jogadores, entre eles o Hulk. Propuseram-nos o jogador, pediram-nos para ele treinar cá, a ver se nós estávamos interessados. Como é um jogador com características que se adaptam ao conceito da equipa e foi aprovado pelo treinador, ficámos com ele, até porque é um jovem com margem de progressão».

No entanto, a vertente desportiva não é tudo. Também na vertente financeira, a contratação de Nakamura pode ser uma mais-valia para o Portimonense.

«Só pelo facto de o Yuto ter assinado por nós, as três revistas mais importantes do futebol do Japão falaram de nós. Se ele começar a jogar e a fazer carreira, não sei quantos milhares de pessoas é que podem saber que, no outro lado do mundo há um clube chamado Portimonense, com um jogador conhecido lá, e que joga aqui. Para além de que, se a nossa equipa começar a ser acompanhada na Ásia, pode abrir-nos mercado para futuras transferências, nomeadamente na venda de jogadores», considerou Fernando Rocha, que lembrou que esta foi uma contratação a custo zero para o Portimonense.