Faro celebrou vida e obra de Francisco Zambujal (com fotos)

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Já partiu há 20 anos, mas as suas qualidades como homem e artista ainda estão bem vivas na memória dos que o conheceram e daqueles que se divertiram com a sua obra.

O caricaturista Francisco Zambujal foi homenageado em Faro, terra onde viveu desde muito novo e à qual nunca escondeu um profundo amor.

Considerado como um dos pais da caricatura desportiva em Portugal e o melhor nesta área do século XX, Francisco Zambujal aliou a sua arte a outra paixão, à qual também se dedicou de corpo e alma: a educação.

Durante décadas, foi professor do primeiro ciclo na escola de São Luís, na capital algarvia, tendo desempenhado igualmente funções do foro administrativo, altura em que ajudou a desenvolver a educação de adultos na região.

A obra de Francisco Zambujal pode ser revisitada na sede da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDRA), no Club Farense, n’Os Artistas e no café Pátio das Letras, até dia 8 de Outubro.

Além destas mostras, a homenagem a este ilustre farense contempla ainda a atribuição do nome Francisco Zambujal a uma rua de Faro.

Também foi pintado ao vivo, no passado sábado, um mural, que será doado à escola básica de São Luís, onde o artista foi professor durante décadas.

No passado sábado, a sua família e muitos dos seus amigos, elementos fulcrais na sua vida, juntaram-se na sede da CCDRA para a sessão solene que lançou a homenagem a este farense, no ano em que se assinalam as duas décadas sobre a sua morte.

Uma iniciativa onde a emoção esteve sempre à flor da pele, mas onde o humor, outra característica de Francisco Zambujal, também nunca faltou.

«O Francisco era muito melhor que eu. Era um homem tranquilo, que tinha uma postura risonha perante a vida e uma grande maturidade. Eu era um cabeça no ar», confessou, na sessão solene, o escritor Mário zambujal, irmão do homenageado.

«O Chico não era só aquilo que fazia, era aquilo que era: um extraordinário ser humano, com um humor raro», reforçou.

«Para nós, a família, hoje não é um dia de mágoa, mas sim de festa. Em contraponto com a tristeza que está sempre nos nossos íntimos, sentimos um enorme orgulho de ver o seu talento e pessoa reconhecidos e aplaudido pela cidade que tanto amou», garantiu Mário Zambujal.

Como salientou o irmão mais novo de Francisco Zambujal, que se declarou à vontade ao fazer elogios rasgados «por ter muitas testemunhas na sala», o homenageado sempre foi «um homem de raízes e de família, que dava grande valor ao companheirismo».

«A nossa família sempre foi o centro das suas atenções. Primeiro eram os pais e os irmãos e mais tarde a mulher e os filhos. Este afeto também se estendia à sua outra família, os amigos», disse.

A obra de Francisco Zambujal, que se notabilizou como caricaturista no jornal «A Bola», atravessou gerações e continua a fazer parte do imaginário comum dos portugueses. Mesmo depois do seu falecimento, continua a ser uma referência importante para os jovens artistas e para os estudiosos desta arte.

«Francisco Zambujal era um mestre do traço, que surgiu numa altura em que a caricatura caiu numa certa decadência», fruto de limitações impostas pelo regime de Salazar, disse.

«Era um pedagogo, que sabia o que cativava as pessoas e a forma de a elas chegar», disse Osvaldo de Sousa, o comissário das quatro exposições patentes e estudioso da obra do artista farense.

A homenagem a Francisco Zambujal é da responsabilidade da Câmara de Faro, do Rotary Clube de Faro e da Sociedade Recreativa e Artística Farense, vulgo «Os Artistas».

O presidente desta última associação, Pedro Bartilotti, foi o coordenador e principal impulsionador da iniciativa.