Directório Algarve Cultural é exemplo nacional

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O Directório Algarve Cultural «é o primeiro passo para um desígnio do programa do Governo, o Portal da Cultura». Esta foi a ideia principal deixada pelo secretário de Estado da Cultura Mário Vieira de Carvalho, na apresentação do guia cultural algarvio, na passada semana.

O directório, lançado pela Delegação Regional da Cultura do Algarve, faz uma resenha de diversas instituições com ligações à cultura, desde espaços e associações culturais até empresas que trabalham na área e órgãos de comunicação social, numa perspectiva regional. Nele podem encontrar-se os contactos e a morada das entidades.

Mas o endereço ao qual é dada a primazia é o electrónico. Os e-mails e sites das instituições, caso existam, vêm na primeira linha, logo a seguir ao nome. A razão para que isso aconteça está ligada ao facto de a principal faceta do directório ser o site em que está inserido, o www.cultalg.pt.

A outra é um livro, lançado no mesmo dia da apresentação do directório.

A partir daquele sítio da Internet pode aceder-se directamente aos das diferentes instituições. Pelo seu carácter virtual, a versão on-line do directório também terá actualizações periódicas.

A versão escrita é uma representação gráfica do directório virtual numa determinada altura. Não deixa por isso de ser menos útil, até porque nem toda a gente está à vontade com as novas tecnologias.

Além do cidadão comum, residente no Algarve ou turista, esta ferramenta pode ser uma mais valia para empresários e pessoas ligadas à área da cultura, segundo o que afirmou ao «barlavento» o delegado regional da Cultura do Algarve, duas semanas antes do lançamento do directório em livro.

No lançamento do guia, Gonçalo Couceiro referiu ainda que este é o primeiro de três directórios que a delegação que dirige pensa lançar. O segundo está já em construção e será uma compilação de todos os eventos periódicos que se realizam no Algarve.

A informação que consta do directório já lançado e dos que virão no futuro está a ser recolhida desde 2005. Um ano que está associado ao directório de diversas formas, já que foi a Faro Capital Nacional da Cultura que deu o impulso final para que o projecto se tornasse uma realidade, como frisou Gonçalo Couceiro.

O livro vai ser distribuído a nível nacional e a nível regional com os jornais «barlavento», «Público» e «Jornal do Algarve».

O directório pode ser adquirido em qualquer banca que venda estes títulos.

Na intervenção que fez durante a apresentação do directório, Mário Vieira de Carvalho expressou a ideia que o trabalho feito pela Delegação da Cultura algarvia poderá e deverá servir de inspiração e modelo a outros directórios que já estão na calha, noutros locais do país.

Estes serão a base do futuro Portal da Cultura. «Tem de se construir de baixo para cima», considerou o membro do Governo. Desta forma, o futuro portal de âmbito nacional será, também, um veículo de informação com cariz regional.

O secretário de Estado da Cultura aproveitou a ocasião para deixar uma reflexão sobre a cultura em Portugal. «A dinâmica cultural não está isolada da economia. Tem expressão económica e contribui para o Produto Interno Bruto (PIB)», assegurou.

Esta visão foi apenas uma introdução para uma ideia mais vasta. «É consensual na Europa o princípio do investimento público na Cultura», revelou.

Assim, a área cultural acaba por ser um terreno privilegiado para os Governos europeus para dinamizar a economia, uma vez que não quebram as leis da concorrência da União Europeia ao investir nela.

Por outro lado, garantiu, a redução no orçamento da cultura para 2007, decidido pelo Governo, não vai impedir que se mantenham «os cerca de 22 milhões de euros destinados ao apoio às artes».

No campo do poder local, o presidente da AMAL-Grande Área Metropolitana do Algarve, presente na cerimónia, expressou que o directório «vem divulgar as várias virtudes da que a cultura algarvia tem».

As muitas pessoas que se dirigiram ao Teatro Municipal de Faro tiveram ainda a ocasião de ouvir a opinião do presidente da Câmara de Faro.

«Mais do que uma brochura ou de uma mera publicação, este directório é uma afirmação que no Algarve há um conjunto de instituições que produzem cultura, e não apenas animação ou festa», disse José Apolinário.