Cristóvão Norte defendeu curso de medicina no Algarve na Assembleia da República

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Em Julho último, a JSD/Algarve entregou ao Presidente da Assembleia da República Jaime Gama, uma petição intitulada “Curso de Medicina já!”, que recolheu mais de 9500 assinaturas.

De acordo com as normas procedimentais da Assembleia da República, essa petição encontra-se em fase de discussão na respectiva Comissão, antes de ser agendada para discussão política em plenário marcado exclusivamente para esse efeito.

O líder da JSD/Algarve Cristóvão Norte, instado a reproduzir o decorrer da audiência, sublinhou que «sentimo-nos sobretudo agradados com a concordância genérica dos diversos grupos parlamentares que se pronunciaram, pois todos nos asseguraram compartilhar das inquietações expressas na petição».

Disse ainda que «os grupos parlamentares compreenderam a nossa mensagem e, nas suas intervenções, referiram saber que o espectro político algarvio está unido nesta causa», alertando, contudo, «que se impõe união em voz alta e não meros sussurros».

O mesmo responsável entende que a petição tem o condão de «congregar um amplo movimento político-social capaz de influenciar resolutamente as decisões do governo».

Na sua óptica, «encontra-se abundantemente comprovado que o curso de medicina pode constituir um instrumento privilegiado para aligeirar a carência de médicos que assola a nossa região».

Sustentou que esta iniciativa, além de constituir uma singular manifestação de participação cívica no Algarve, «repele uma visão centralista, retrógrada e obsoleta e pugna por um país equilibrado, justo e moderno», o que, na área da saúde, é «por demais evidente, pois o Algarve tem, reflectindo nas estatísticas a população flutuante, o menor número de médicos por 1000 habitantes em Portugal e não existe qualquer curso de medicina abaixo do rio Tejo».

Questionado sobre se as recentes reservas expressas pela Comissão Internacional de Avaliação à proposta formulada pela Universidade do Algarve poderiam comprometer o andamento do processo e fazer perigar a criação do curso, Cristóvão Norte salientou que «o principal obstáculo técnico prende-se com o insuficiente contingente de docentes contratados pela Universidade do Algarve, constrangimento que pode ser facilmente ultrapassado se o governo estiver empenhado em cumprir as suas promessas para com os algarvios».

Por outro lado, reconheceu que existe o risco de «considerações de natureza política se sobreporem a razões técnicas» e apelou, por isso, a que os mais destacados dirigentes políticos regionais «façam ouvir a sua voz pelo Algarve e não adoptem posições políticas subservientes perante os directórios nacionais dos partidos».

A JSD Algarve considera que o curso proposto pela Universidade do Algarve, pese embora as resistências que tem enfrentado, é portador de todas as condições para ser implementado «já que cumpre dois objectivos: a fixação de médicos no Algarve e um renovado perfil de médico orientado para o fortalecimento da relação de proximidade e confiança entre médicos e pacientes».

Sublinha, também, que os impactos do curso de medicina extravasam as fronteiras da melhoria dos cuidados de saúde e que trariam benefícios significativos a uma região essencialmente turística que necessita de uma gama de serviços de qualidade para preservar a sua sustentabilidade.