Sindicato dos trabalhadores das Pescas solidário com protesto da Culatra

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O Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Sul manifestou hoje, em comunicado, «a maior objecção» ao que considera «mais um hediondo crime contra a Ria Formosa».

O Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Sul já teve conhecimento da publicação de um edital da responsabilidade da Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), datado de 19 de novembro, que dá conta de um requerimento para a atribuição de um Título de Atividade Aquícola (TAA) a instalar na Ria Formosa, com uma área de 100 mil metros quadrados.

«Queremos manifestar a nossa total solidariedade pelas posições tomadas pela Associação de Moradores da Ilha da Culatra», pois «caso esta licença venha a ser atribuída, permitirá ocupar uma área que está identificada como uma zona de banco natural de moluscos bivalves, para além de constituir uma zona de que dependem um considerável numero de mariscadores sem viveiro de amêijoa-boa, e também serve um considerável numero de viveiristas que ali vão apanhar os juvenis (amêijoas de semente) com vista ao repovoamento dos seus viveiros», lê-se no comunicado.

«Fica este sindicato na expectativa de que o Parque Natural da Ria Formosa se manifeste contra, a tempo e horas, ao abrigo do processo de consulta publica em curso, até ao dia 13 de dezembro 2019, a fim de evitar que se cometa mais um hediondo crime contra a Ria Formosa, que resultará num violento ataque àqueles que sempre viveram, trabalharam e produzem» naquela zona.

«O que não sabemos é se por detrás destas intenções empresariais, não estarão em preparação para a Ria Formosa outras intenções do género. O que é do conhecimento geral é que a Ria Formosa se localiza no Sotavento do Algarve com um área total de 17 mil hectares, dos quais 11 mil são zona húmida, pelo que constitui um sistema lagunar de primordial importância para as populações que dela dependem, que melhor que ninguém têm a consciência da importância da Ria para as suas vidas, e que mais que ninguém estão empenhados na preservação dos recursos naturais e do meio ambiente, com vista a um desenvolvimento sustentado».

«Cremos que há muito tempo, que há chegado o tempo de já não termos mais tempo para esperar por benesses da parte das entidades responsáveis, daí estar chegado o tempo de nos unirmos na luta para fazermos ouvir a nossa voz na defesa de um património que aqueles que vivem na Ria e que dela vivem, ajudaram a preservar, dia a dia, com a força do seu trabalho», conclui o Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Sul.