«Roteiro da Água» lançou projetos de reforço do abastecimento no Algarve

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Ministro e secretária de Estado do Ambiente fizeram um périplo pela região para conhecer os investimentos em curso da Águas do Algarve.

João Pedro Matos Fernandes e Inês dos Santos Costa participaram no «Roteiro da Água», organizado pela Águas do Algarve, na quarta-feira, dia 26 março.

O programa, que serviu para mostrar alguns dos projetos de reforço da resiliência do abastecimento de água e dos serviços de tratamento de águas residuais da região, começou cedo na barragem de Odeleite, em Castro Marim.

A empresa tem em marcha um projeto de aproveitamento do volume morto que visa captar mais 25 por cento do caudal necessário para assegurar os consumos, num investimento de 1,5 milhões de euros.

Neste âmbito, está a ser projetada a instalação de um sistema elevatório destinado a viabilizar a máxima transferência do volume de água armazenado na albufeira de Odeleite para a albufeira de Beliche para permitir fazer face a situações de seca prolongada e contribuir para manter o abastecimento de água, quer urbano quer de rega.

António Eusébio, presidente da Águas do Algarve considerou que «as alterações climáticas sentem-se com cada vez mais intensidade e é neste momento difícil que temos de arranjar novas soluções».

Aproveitando a presença da tutela, agradeceu ao governo a execução do Plano Regional de Eficiência Hídrica do Algarve (PREH).

«Não podemos perder esta oportunidade. Este é o momento de tornar o sistema mais eficiente e mais robusto. É neste contexto que apresentamos projetos muito importantes, como a elevação do volume da água não utilizável da Barragem de Odeleite que vem reforçar todo o sistema. Apresentámos o projeto no âmbito da secagem solar de lamas, que contribui para a economia circular da região».

António Eusébio, presidente da Águas do Algarve.

«E também o primeiro projeto de reutilização de águas tratadas em Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), não só para o golfe, mas também para a agricultura. Já temos muitos contactos feitos e protocolos com Castro Marim Golfe e o Quinta do Vale Golf Resort, que vão utilizar um milhão de metros cúbicos (m3) por ano. Temos mais interessados como o Boavista no concelho de Lagoa, e outros em Vilamoura e na Quinta do Lago», disse.

A obra tem um investimento associado de cerca de 1,5 milhões de euros, a iniciar em setembro de 2021 e com prazo de conclusão de 300 dias, com grande impacto numa zona que tem sofrido escassez de água.

Ainda na ETAR de Vila Real de Santo António (VRSA), foi apresentado o sistema de secagem solar de lamas a construir, que permitirá reduzir custos e tratar estes resíduos numa estufa com capacidade para processar cerca de 4.000 toneladas por ano de lamas. Estimando-se que a empreitada, que custará cerca de 2,2 milhões de euros, tenha início no terceiro trimestre de 2021.

Do roteiro fizeram também parte a inauguração de duas estações elevatórias de águas residuais (EEAR) em Faro (Ferragial) e Olhão (junto ao Mercado).

Ambas fazem parte de um lote de sete que começaram a ser reabilitadas em setembro de 2018, totalizando um investimento de 4,4 milhões de euros.

Considerando a construção da nova ETAR Intermunicipal de Faro- -Olhão, inaugurada no final de 2018, e a reabilitação das sete EEAR nestes municípios, o investimento da Águas do Algarve atingiu cerca de 22 milhões de euros, com financiamento do Fundo de Coesão, no âmbito do Programa Operacional Temático Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR).

O ponto alto do programa teve lugar durante a tarde, no concelho de Silves, com a inauguração do edifício de flotação da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Alcantarilha, em Silves, que melhora o tratamento da água bruta captada na albufeira de Odelouca (água agressiva, com baixa mineralização, turvação e dureza cálcica e presença de cor solúvel).

O novo edifício inaugurado integra um processo de tratamento robusto, com base numa solução de Flotação de Alta Carga que apresenta uma elevada eficiência, investimento de cerca de cinco milhões de euros cofinanciado pelo POSEUR.

«Esta ETA só estava a conseguir tratar com eficiência 1800 litros por segundo. Com estas duas novas linhas conseguimos chegar aos 3000 litros por segundo, reforçando assim a capacidade de abastecimento a toda a região», explicou António Eusébio.

«Todo este processo não vai lá só com trabalho e investimento do sector das águas. Temos feito um trabalho de sensibilização nas escolas. É tão importante começarmos a ensinar as crianças a terem consciência e noção da poupança da água, da necessidade de eficiência dos sistemas. É importante para as autarquias conseguirmos que estejam envolvidas, por exemplo, no âmbito da reutilização» das águas das ETAR.

«A reutilização só irá para a frente se todos quisermos. Não basta só fazermos o investimento. Temos todos de querer muito e estar envolvidos para se levar este processo. É desta forma planeada e com uma gestão rigorosa que esta empresa mudou o Algarve, garantindo a elevação do padrão de qualidade e preservação do ambiente», concluiu.

Rosa Palma, presidente da Câmara Municipal de Silves.

No uso da palavra, João Pedro Matos Fernandes disse que «ainda sou do tempo em que se fechavam ciclos de investimento. Hoje estes discursos são impossíveis porque a meta é mais do que móvel. Foge à nossa frente. De facto é muito o que foi feito na região, mas dizer que, os 42 milhões de euros investidos pela Águas do Algarve, nos últimos cinco anos, fecham um ciclo, não seria de todo verdade. Foi muito importante. Temos bons exemplos como ETAR de Faro – Olhão e da Companheira, em Portimão, e é indesmentível que uma região turística como o Algarve, que também tem espaços como a Ria Formosa, a qualidade ambiental é essencial para a economia e para o bem-estar de todos os algarvios».

A cerimónia contou com a presença de José Furtado, presidente da Águas de Portugal, Rosa Palma, presidente da Câmara Municipal de Silves, do ex-presidente do conselho de administração da Águas do Algarve Joaquim Peres e de representantes da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

José Furtado, presidente da Águas de Portugal.

Ministro fez balanço positivo

Em entrevista ao barlavento, João Pedro Matos Rodrigues fez um balanço positivo do «Roteiro da Água», organizado pela Águas do Algarve, na quarta-feira, dia 26 de março.

«Mostrou bem aquilo que fizemos e aquilo que vamos fazer. Tive oportunidade de ver entrar em funcionamento esta nova central de flotação aqui na ETA de Alcantarilha que quase multiplica para o dobro a sua capacidade efetiva de produzir água para consumo humano; de ver a entrar em funcionamento duas estações elevatórias que são essenciais para reforçar o bom tratamento na ETAR de Faro-Olhão e por essa via contribuir para uma Ria Formosa sem esgoto humano e sem esgoto urbano», disse ao barlavento.

O ministro com a tutela do Ambiente destacou «o lançar da primeira obra» do Plano de Recuperação e Resiliência [PRR] no Algarve, «que foi uma nova captação de água em Odeleite, agora a uma maior profundidade, a consumir mais energia porque deixa de poder ser gravítica, mas permitindo que quase se possa duplicar a água que é aproveitada e captada a partir daquela barragem».

E mais, «foi também com muito gosto, e até com alguma intervenção particular minha, que está concluído o projeto para a construção de uma estação elevatória que vai permitir que os dois campos de golfe de Castro Marim possam ser regados a partir da ETAR de Vila Real de Santo António», sublinhou.

«Temos mesmo de aumentar, e temos uma meta: que 20 por cento do esgoto tratado no país deve ser reutilizado. É água para um conjunto vasto de utilizações, como a rega dos campos de golfe, a lavagem das ruas e a rega dos jardins. Havia um investimento interrompido. A ETAR de Vila Real de Santo António trata a água de forma com qualidade que chegue, há até uma rede de distribuição dessa água, e faltava uma estação elevatória. Com muita satisfação sei que não neste verão, mas no outro, vai estar a funcionar», destacou.

O governante salientou ainda ao barlavento que «30 milhões são entregues diretamente às autarquias para reduzir as perdas de água. A AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve é quem vai liderar esse processo e já está em conversação com essas mesmas autarquias para que muito depressa se saiba em que concelho vai ser feito o quê, no sentido da renovação das redes e no sentido de introduzir tecnologia de gestão».

Ainda em conversa com o barlavento, Matos Fernandes, desvalorizou algumas críticas recentes apontadas à captação de água de Guadiana no Pomarão.

«Essa é mesmo a melhor forma de garantir que o sistema de Odeleite-Beliche vai ter mais água sem ter de construir uma nova barragem».

Por fim, o Ministro do Ambiente e da Transição Energética  falou sobre a polémica sugestão de aumentar o preço da água no Algarve.

«Se disseram que era para pagar novos investimentos foi mesmo mal compreendido. A captação no Pomarão e a Central Dessalinizadora são, repito, financiados a 100 por cento. E são dois seguros de água para o Algarve. Não só para a água de consumo, mas para todas as atividades. A Águas do Algarve vai promover estes investimentos».

«Aquilo que quis dizer, e foi isso que eu disse, é que seria muito injusto que os custos de funcionamento destes sistemas fossem depois pagos apenas pelos consumidores urbanos. É fundamental que todos os que forem beneficiar deste seguro de água, e que são atividades económicas como a agricultura, o golfe e a hotelaria, também contribuam para poder pagar este pequeníssimo diferencial de custo por metro cúbico, que só se vai colocar quando estas obras tiverem prontas, ou em 2025/2026».