Loulé participa em projeto europeu de gestão de carbono florestal

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Loulé participou na 4ª reunião internacional do projeto europeu Sudoe-Remas.

Foi debatida a gestão do risco de emissões de gases com efeito de estufa em incêndios florestais, nos dias dias 4 e 11 de março, em mais uma reunião internacional do projeto europeu SUDOE-REMAS/INTERREG, do qual o município de Loulé é um dos parceiros.

Tal como acontece atualmente com a maior parte dos eventos, a pandemia obrigou à realização através das plataformas digitais (Zoom) e foi online que os envolvidos debateram as questões ligadas à gestão do risco de emissões de gases com efeito de estufa em incêndios florestais e o caminho que está a ser percorrido para integrar esta matéria nas políticas municipais de adaptação às alterações climáticas.

As áreas-piloto do projeto englobam uma parcela na Serra do Caldeirão, mas também a região da Aquitânia, em França, e Chequilla (Guadalajara) e Chelva-Andilla (Valência), em Espanha.

E é a partir da experiência nestas quatro zonas que se pretende promover a prevenção, a gestão e a elaboração de um plano de ação contra o risco de emissões de gases com efeito de estufa provenientes de grandes stocks de carbono armazenados na vegetação e solos, devido a incêndios florestais em ecossistemas florestais vulneráveis do Sudoeste Europeu.

A Serra do Caldeirão tem sido, na região algarvia, uma das áreas mais fustigadas pelos fogos florestais ao longo dos anos, com destaque para o incêndio que consumiu parte desta zona florestal em 2004, daí ser este um importante território para a avaliação de dados que possam levar a ações concretas.

A equipa técnica do Município responsável pelo acompanhamento do projeto, liderada pelo Gabinete Técnico Florestal do Serviço Municipal de Proteção Civil, trouxe a este encontro uma apresentação sobre as linhas orientadoras para a criação de um grupo de trabalho que tenha como missão iniciar um processo contínuo de elaboração de estratégias regionais de prevenção e gestão dos riscos de emissão de gases com efeito de estufa, aumentando a capacidade de municípios e outras entidades, públicas ou privadas, de incorporar a gestão de risco nas suas políticas de atuação em defesa da floresta e na adaptação às mudanças climáticas.

Os objetivos deste grupo passam pela troca de conhecimento ao nível da gestão local entre as autoridades regionais, instituições ligadas ao ensino, empresas e associações, a disseminação das práticas incluídas nesta estratégia e a sua integração a sensibilização da comunidade local para as matérias ligadas ao risco de emissões fruto dos incêndios florestais.

Os ecossistemas florestais são os maiores sumidouros de carbono terrestres geríveis com a capacidade de mitigar as alterações climáticas.

Quando um incêndio florestal começa, a combustão liberta gases com efeito de estufa que contribuem para o aquecimento global e, consequentemente, para as alterações climáticas.

Há estudos que estimam o carbono contido na vegetação e no solo, assim como as emissões de CO2 de um incêndio.

No entanto, atualmente, o risco de estas emissões poderem ser produzidas pelo fogo ainda é pouco conhecido ou quantificado e, portanto, não está incluído nos planos de prevenção e gestão de incêndios, nem é determinado quais as áreas críticas para apresentar um risco mais elevado de emissões, que podem ser utilizadas para concentrar os esforços de prevenção, gestão, extinção e restauração dos reservatórios de carbono.

É pois este o grande objetivo do projeto europeu REMAS «Gestão do risco de emissões de gases com efeito de estufa em incêndios florestais (2019-2022)», cofinanciado pelo Programa Interreg Sudoe através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Este trabalho está a ser realizado em cooperação transnacional, na qual participam diferentes entidades do Sudoeste da Europa.

O projeto, aprovado em junho de 2019, é liderado pela Associação de Municípios Florestais da Comunidade Valenciana (AMUFOR) tem parceiros de prestígio como a Universidade Politécnica de Valência, a Universidade de Valência, o Conselho Provincial de Valência, o Instituto Nacional de Investigação e Tecnologia Agrária e Alimentar, a Câmara Municipal de Loulé , o Instituto Superior de Agronomia, a Escola Nacional Superior de Ciências Agrónomas de Bordéus.

«A adaptação às alterações climáticas tem sido uma das linhas prioritárias para este executivo. Em conformidade com este projeto europeu, continuamos a trabalhar para assegurar que este risco seja considerado nos planos de prevenção e gestão, que o papel vital da vegetação e do solo na mitigação e minimização das emissões de carbono nos incêndios florestais seja reconhecido», sublinha o autarca de Loulé, Vítor Aleixo.

Loulé será anfitrião da próxima reunião do REMAS que terá lugar no final do mês de setembro, em formato presencial caso as condições do evoluir da pandemia assim o permitam.